
O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.
(Albert Einstein)
Os contos infantis são sempre inspiradores, porque, regra geral, eles trazem embutido na narrativa um que de moral e doutrinação, que sempre se encaixa em nosso cotidiano e ajuda na formação do caráter das crianças e dos jovens.
Branca de Neve, publicado em 1812, é um clássico, que foi registrado pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, entre mais de 200 contos de fadas que deixaram de herança de uma longa dedicação a compilar aquilo que circulava "na boca do povo", ao longo de séculos.
O conto, tem várias versões, mas vai sempre ter uma linda menina, uma bruxa alucinada pela beleza, os sete anões, cada qual com sua idiossincrasia, um príncipe montado em um belo cavalo e o espelho que, historicamente, é visto como o instrumento que reflete a consciência de quem o encara, sendo, por isso mesmo, símbolo da verdade e da sinceridade.
Ontem (27/4), o presidente da República Jair Bolsonaro reuniu parlamentares que pensam (?) como ele e que estão sempre afim de alguma treta, para reforçar seus ataques ao Supremo Tribunal Federal, tendo como mote o Decreto inconstitucional que ele assinou concedendo Graça - herança da Idade Média -, ao deputado Daniel Silveira. [1]
Em determinado momento de seu discurso, como se estivesse diante de um espelho (e estava, pois lá somente tinha marginais como ele!) Bolsonaro disse: "O Executivo tem um chefe que mente". Parte da imprensa disse que isto foi um ato falho, mas Bolsonaro estava apenas externando o que ele, de fato, pensa e age. Ele é um mentiroso contumaz e faz disso sua plataforma política.
Se tomarem de seus asseclas as redes sociais, onde destilam ódio e espalham notícias falsas, Bolsonaro será um nada de nada. Seria o mesmo que quebrar o espelho a que ele recorre todos os dias para ver se continua sendo o bacana do pedaço. Como as últimas respostas do espelho não tem sido favoráveis a ele, Bolsonaro distribui maçãs envenenadas para tentar matar aqueles que o enfrentam e que enfrentam os seus comparsas de crime.
QUEM É DANIEL SILVEIRA
O deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) foi preso no dia 16 de fevereiro de 2021, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após publicar vídeo com agressões ao STF e apologias ao Ato Institucional nº 5 (AI-5), principal instrumento de repressão da ditadura civil-militar no Brasil.
Conforme o próprio deputado admite em outro vídeo, gravado no momento em que a Polícia Federal (PF) entra em sua casa, em Petrópolis, na região serrana do Rio, ser preso não é uma novidade em sua biografia. Antes de assumir o mandato, em 2019, Silveira atuou como policial militar e passou 80 dias detido no quartel entre 2013 e 2017 “em virtude de numerosas transgressões disciplinares, por atrasos e faltas aos serviços”.
O portal The Intercept Brasil publicou detalhes do seu histórico disciplinar no ano passado. Segundo relato de seus superiores, “os atos praticados pelo soldado revelam atitudes incompatíveis com a condição de policial militar.
Com 60 sanções disciplinares, 14 repreensões e duas advertências, Silveira deixou “cristalina a sua inadequação ao serviço na Polícia Militar” e precisou “empilhar licenças médicas”, segundo o Intercept, para evitar ser expulso da corporação e driblar a Lei da Ficha Limpa.
[1] Embora a Carta Política se refira apenas ao indulto e à comutação de pena (art. 84, XII, CF/88), o benefício da graça está implícito (art. 5º, XLIII, CF/88), não tem o poder de extinguir o crime nem a condenação imposta, apenas impede a execução da pena não anulando seus efeitos. O direito de graça era tão só um ato do Poder Público em favor do réu, definitivamente condenado, para conceder-lhe a extinção, diminuição ou comutação da pena que lhe fora imposta, confundindo-se com o indulto individual. Sua origem emana da Idade Média, das denominadas chartes du pardon, constituindo-se em verdadeiro bill of indemnty, ou melhor, autorização para cometer crime. Foi confundida com o indulto e utilizada nos países que adotaram a pena de morte, a fim de comutá-la para prisão perpétua. Abrange somente a pena e sua execução e não o crime, mantendo todos os seus efeitos.




