sábado, 31 de outubro de 2020

Moro: “No Among Us os impostores vão presos ou é como no Brasil?”

 O poder é a escola do crime. (Macbeth)

William Shakespeare

Crédito do artigo: O Antagonista. 31 out. 2020

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Para Sérgio Moro o problema não está na Constituição

 É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei.

Henry David Thoreau

Por esmagadora maioria de votos, os chilenos aprovaram, em plebiscito realizado no último dia 25 de outubro, a convocação de uma Convenção Constitucional em abril de 2021, que será composta por 155 constituintes, que terá um caráter paritário entre homens e mulheres, com o exclusivo propósito de escrever uma nova Constituição Federal.

A atual Constituição do Chile é a décima da história do país e a terceira mais longeva. Ela foi imposta em 1980 pelo ditador Augusto Pinochet – portanto, completou 40 anos de vigência.

Por mais que alguns meliantes parlamentares aliados do presidente Jair Bolsonaro - claro, induzido por ele - queiram embarcar na onda chilena e passar a discutir a possibilidade de se fazer algo semelhante no Brasil, é preciso ficar claro que este movimento oportunista do Centrão em nada se compara ao que ocorre no Chile.

Os 79% dos votos pela constituinte exclusiva excluiu a possibilidade de que atuais parlamentares venham participar da construção da nova Constituição. Os 21% derrotados votaram para uma Convenção Constitucional Mista, que seria composta de atuais parlamentares e cidadãos.

Além desta crucial diferença, o que o povo chileno quer é uma Constituição que atenda os anseios populares e não somente ao mercado.
A diferença entre os que aprovaram e rejeitaram a ideia de substituir a Constituição vigente não constitui, portanto, um espelho da correlação de forças entre o situacionismo do Governo de direita de Sebastián Piñera e a oposição. Entre os que votaram por um novo texto também fazem parte os eleitores de direita, não apenas de esquerda e de centro-esquerda, embora aqueles que se opuseram à mudança sejam principalmente da direita doutrinária. (El País).

"O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, Sergio Moro, criticou as falas do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, que defendeu nesta segunda-feira (26) a criação de uma nova Constituição para o Brasil, pois, segundo ele, a Carta atual tornaria o país ingovernável por fomentar o ativismo político do Poder Judiciário. O ex-juiz da Lava Jato se manifestou pelo Twitter, afirmando que o que dificultou a governabilidade no Brasil foi a corrupção e a irresponsabilidade fiscal. “O que dificultou a governabilidade do Brasil nos últimos anos foi a corrupção desenfreada e a irresponsabilidade fiscal, não a Constituição de 1988 nem a Justiça ou o MP”, rebateu Moro." (Gazeta do Povo).


“Cada um quer uma [constituição] para chamar de sua. É melhor ficar com a que já temos. O que não impede que a gente emende e altere naquilo que entendermos que seja o caso de alterar”, ironizou Moro, em um debate virtual sobre sistemas judiciais internacionais.

"Memento Mori": a visão do general Otávio Santana Rego Barros sobre o (des) governo corrupto de Bolsonaro

Por: Otávio Santana do Rego Barros (general e ex-porta-voz do Governo Bolsonaro)

Crédito: Correio Braziliense - 27 out. 2020 

Meu "memento mori" me faz tentar ser o melhor a cada momento que resta. Não seria bom fazer o mesmo?

Swami Paatra Shankara

Legiões acampadas. Entusiasmo nas centúrias extasiadas pela vitória. Estandartes tomados aos inimigos são alçados ao vento, troféus das épicas conquistas. O general romano atravessa o lendário rio Rubicão. Aproxima-se calmamente das portas da Cidade Eterna. Vai ao encontro dos aplausos da plebe rude e ignara, e do reconhecimento dos nobres no Senado. Faz-se acompanhar apenas de uma pequena guarda e de escravos cuja missão é sussurrar incessantemente aos seus ouvidos vitoriosos: “Memento Mori!” — lembra-te que és mortal!

O escravo que se coloca ao lado do galardoado chefe, o faz recordar-se de sua natureza humana. A ovação de autoridades, de gente crédula e de muitos aduladores, poderá toldar-lhe o senso de realidade. Infelizmente, nos deparamos hoje com posturas que ofendem àqueles costumes romanos. Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião.

É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais.

Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses. Os assessores leais — escravos modernos — que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos.

Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal.

Entendam a discordância leal, um conceito vigente em forças armadas profissionais, como a ação verbal bem pensada e bem-intencionada, às vezes contrária aos pensamentos em voga, para ajudar um líder a cumprir sua missão com sucesso.

A autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias. Não aceita ser contradita. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste. Vê-se sempre como o vencedor na batalha de Zama, nunca como o derrotado na batalha de Canas.

Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói! E se não há mais escravos discordantes leais a cochichar: “Lembra-te que és mortal”, a estabilidade política do império está sob risco.

As demais instituições dessa república — parte da tríade do poder — precisarão, então, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do “imperador imortal”. Deverão ser firmes, não recuar diante de pressões. A imprensa, sempre ela, deverá fortalecer-se na ética para o cumprimento de seu papel de informar, esclarecendo à população os pontos de fragilidade e os de potencialidade nos atos do César.

A população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade. Por fim, assumindo o papel de escravo romano, ela deverá sussurrar aos ouvidos dos políticos que lhes mereceram seu voto: — “Lembra-te da próxima eleição!”

Paz e bem!

terça-feira, 27 de outubro de 2020

A polêmica da vacina e a fala sensata de Sérgio Moro

Por mais imbecil que você seja, sempre haverá um imbecil maior para achar que você não o é.

Millôr Fernandes

No dia 23 de março de 2020, o Brasil contava com 1.894 casos da Covid-19 e 34 mortes. Era o início da pandemia do Coronavírus, declarada assim pela Diretoria da Organização Mundial da Saúde (OMS). No dia anterior, o presidente da República usou a rede de televisão e rádio para se pronunciar à Nação, já criando a primeira polêmica sobre o assunto, ao atacar os governadores que defendiam fechar as fronteiras e estabelecimentos comerciais e estimular a quarentena, com o objetivo de barrar o contágio pelo desconhecido vírus. Para Bolsonaro, o problema era somente uma "gripezinha" e não havia qualquer motivo para pânico e para travar a economia.

Foi o primeiro panelaço ouvido durante um pronunciamento do chefe da Nação, pois o povo se sentia insultado com o desprezo com que Bolsonaro tratava questão tão séria.

Com o passar dos meses e os números só crescendo e Bolsonaro continuando desdenhando do vírus e estimulando as aglomerações, numa postura, no mínimo, irresponsável, ele passou a ser visto pelo mundo afora como um perfeito imbecil e foi xingado em todas as línguas e continentes. Por exemplo, ele foi descrito como um “inabalável imbecil” em texto publicado na editoria Internacional do jornal suíço Luzerner Zeitung, de Lucerna.

A matéria do jornal suíço explica aos leitores que Bolsonaro agia comprovando que não acreditava na gravidade da pandemia do novo coronavírus. “Na noite de domingo, o chefe de Estado da maior nação da América Latina contrariou o próprio ministro da Saúde (Mandetta) e teve contato com manifestantes em Brasília”, diz parte do texto. 
 
“O sinal que Bolsonaro envia é claro: ele não se importa em colocar outras pessoas em risco”, cita outra parte do texto, assinado por Philipp Lichterbeck. 
 
Philipp também mencionou o que chamou de “o perigo que vem das igrejas”. Ele escreveu sobre líderes religiosos, como Edir Macedo e Silas Malafaia, que questionaram as recomendações do Ministério da Saúde e decretos de governadores que impediram cultos religiosos com presença de público, recomendando a prática religiosa por meio de transmissão on-line. (A Redação. Goiás. 23 mar. 2020).

Quatro dias depois (26) da fala de Bolsonaro, o cantor e compositor Falcão lançava uma música que os fãs interpretaram como dedicada ao presidente Jair Bolsonaro: "Você está certo, quem tá errado é o Papa". A letra, carregada do humor desconcertante que caracteriza a obra do artista, diz:

"Então se você pensa que o bom é ser mau / Pra viver a vida só cagando o pau / Então seja! // Se você acredita que sendo imbecil / Vai fazer diferença em prol do Brasil / Então vá!".

s

Um mês depois, foi a vez da TV Argentina chamar Bolsonaro de imbecil e pedir o fechamento da fronteira com o Brasil. Assista o vídeo. A reportagem também citou o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que discordava da forma com "o imbecil" vinha tratando tão grave problema.


O tempo passou e a tal "gripezinha" já soma mais de 158 mil mortes e o mundo vive o medo do que nos reservará a segunda onda da pandemia, que já produz retrocesso na Europa, onde países diversos decretam novo fechamento total da economia e até a obrigatoriedade do uso da máscara dentro de casa, se a pessoa está recebendo alguém de fora de seu núcleo familiar.

Enquanto isto, no Brasil, o imbecil do presidente da República, continua na sua sanha por criar fatos e polêmicas, para alimentar a mídia, já que sua incompetência não o permite pensar no país e tão somente em sua pretensa reeleição em 2022. Mas o brasileiro sofre agora e anseia pela vacina para voltar a conviver, a trabalhar, a ganhar o sustento para sua família, coisa que, claro, o presidente campeão de gastos com cartão corporativo, não precisa ter.

O presidente decidiu, no alto de sua canalhice, impedir que o brasileiro seja vacinado, ao politizar um tema que somente deveria ser técnico e científico. 

Para Sérgio Moro, a vacinação deve ser a normalidade e politizar o assunto nada contribui para o Brasil. Ele defendeu a liberdade de expressão e disse que todo mundo tem direito a emitir sua opinião, sem o risco de receber críticas e ameaças. Entretanto, politizar um assunto tão sério não condiz com o momento grave porque passa o mundo, que já contabiliza perto de 1,2 milhão de mortes e mais de 43 milhões de casos confirmados.

A situação é tão caótica no Brasil que o Supremo Tribunal Federal deverá ser provocado a se posicionar quanto a obrigatoriedade ou não da aplicação da vacina anti-coronavírus. E isto porque um imbecil decidiu que ele sabe mais que todos os que se dedicam à ciência.

Triste um país que se vê refém de um idiota!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Sérgio Moro fala sobre o governo Bolsonaro

A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado.

Theodore Roosevelt


Conhecido pela luta contra a corrupção e a impunidade no Brasil, Sergio Moro foi o juiz da megaoperação Lava Jato, que desde 2014 prendeu dezenas de empresários e políticos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No final de 2018, o famoso juiz renunciou aos 22 anos da magistratura ao concordar em ser Ministro da Justiça de Bolsonaro. No entanto, a trajetória de Moro no Executivo chegou ao fim em abril passado, quando ele renunciou alegando uma suposta "interferência" do presidente, Jair Bolsonaro, na Polícia Federal em assuntos relacionados a investigações que possam afetar alguém de seus filhos.

O ex-magistrado, membro mais popular do Governo durante os 15 meses em que foi ministro, desencadeou uma investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal com suas denúncias, que esclarece se Bolsonaro interferiu. Caso as denúncias sejam comprovadas, o presidente - de quem também censura a gestão da crise de saúde no Brasil - poderá ser julgado e até destituído.

O presidente Bolsonaro foi infectado com coronavírus, embora pareça já ter se recuperado com um teste negativo. Como você recebeu essa notícia?

Quando eu estava no governo, eu era crítico e sempre dizia que era necessário ter uma política federal voltada para o combate à pandemia. Porém, com todo o respeito ao presidente, houve uma omissão por causa da negativa de Bolsonaro e isso foi muito negativo para o país.

A sua saída do Executivo também teve relação com a gestão da COVID-19?

O principal problema foi a interferência na Polícia Federal, mas essa parte da pandemia também gerou algum desconforto. Internamente, sempre me posicionei para que tivéssemos uma política nacional, seguindo o que a ciência nos fala sobre a doença. Apoiei Luiz Henrique Mandetta - o ministro da Saúde demitido - e esse foi um dos focos de maior tensão com o presidente.

O seu abandono ajudou ou prejudicou o Governo?

Não era minha intenção prejudicar o governo. Lamentei minha saída, mas não pude permanecer no Executivo naquele contexto. Saí e tornei públicos os acontecimentos que levaram à minha partida. Ele só queria proteger a Polícia Federal - Moro alegou que Bolsonaro o pressionou para substituir o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, que fazia algumas investigações incômodas para o clã Bolsonaro.

A situação política é tensa no Brasil. Tem havido um pequeno grupo que afirma ser o defensor do presidente, assediando o Supremo Tribunal Federal, por exemplo. Você acha que o país está perto de um colapso institucional?

Não há ruptura em curso e o próprio presidente contribuiu com um discurso mais moderado. O que deve ser desaprovado é essa evocação para gerar instabilidade, o que vem ocorrendo por causa de declarações ambíguas do Planalto - palácio presidencial -.

Existem realmente milícias armadas defendendo o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro?

No Brasil o que existe é uma polarização política prejudicial, tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda, e as redes sociais têm sido utilizadas para divulgar essas ameaças, notícias falsas, esse discurso de ódio. E isso não é bom para a democracia.

Seria possível uma nova Lava Jato durante o governo Bolsonaro (em 2014, quando a operação começou, a presidente era a esquerdista Dilma Rousseff)?

A agenda anticorrupção é uma política de estado. Hoje, sinceramente, tenho dúvidas em que medida está garantida a autonomia dos órgãos de controle. Minha saída do Governo foi justamente para chamar a atenção para essa questão, relacionada no caso específico da Polícia Federal, mas houve relatos de interferência de outros órgãos administrativos.

De alguma forma, com aquele complô de corrupção ele foi o responsável pela queda do Partido dos Trabalhadores (PT) de esquerda. Você se sente responsável pela ascensão ao poder do Bolsonaro de extrema direita?

De maneira nenhuma. O que o complô Lava Jato fez foi desmascarar um complô de corrupção e vários partidos foram afetados, como o PMBD (partido do centro) de Eduardo Cunha - ex-presidente do Congresso também condenado por corrupção. A operação não teve nenhuma bandeira partidária, tudo foi feito com base em evidências.

Além dos militares, os filhos do presidente (deputado Eduardo, vereador Carlos e senador Flávio) teriam peso nas decisões. Como essa influência é traduzida?

Ele não tinha muito contato com seus filhos. Eu os conheço, até passei momentos de lazer com eles, mas não era tão familiar. Como em qualquer governo, existem grupos, vozes diferentes, algumas até que nem sempre coincidem com o presidente.

Existe aquele chamado Gabinete do ódio, supostamente dedicado à divulgação de notícias falsas na internet e cuja liderança é atribuída a Carlos Bolsonaro do palácio do Planalto?

Há uma investigação do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto, há poucos dias, o Facebook anunciou que estava desativando uma série de contas e páginas vinculadas a assessores do Bolsonaro-. O que se pode dizer é que existe uma rede, um grupo nas redes sociais que espalha ameaças em massa, notícias falsas, geralmente a favor do Governo. Se essa rede for associada ao Planalto, é um assunto sob investigação. Mesmo quando saí do Governo, nos dias que se seguiram, recebi muitas informações sobre notícias falsas que circulavam não só no Twitter, Facebook, mas também no WhatsApp, que eram coisas absurdamente falsas, inventando atos de natureza criminosa, então isso não é democracia e isso já é indicativo de manipulação do debate público.

O senhor acha que o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro sob investigação por corrupção, pode acabar afetando o mandato do presidente?

Considerando meu passado como juiz e Ministro da Justiça, o melhor remédio para todos esses eventos é o combate à corrupção e quanto mais rápido o processo for, melhor. Caso contrário, há tentativas de varrer para baixo do tapete.

Houve partidos que o abordaram para propor ser candidato nas eleições presidenciais de 2022?

Acho que nosso acento tem que estar na pandemia, na economia, na retomada da agenda anticorrupção e em outras agendas de reforma.

Como você vê o futuro do Brasil? Existe uma figura que pode se opor ao Bolsonaro?

O Brasil é uma democracia consolidada. É importante falar para a mídia internacional justamente porque o país tem uma imagem muito ruim. É uma das principais economias do mundo. Temos nossos problemas, mas estávamos avançando. A própria Lava Jato foi muito elogiada internacionalmente. A visão de um grande Brasil deve ser retomada, não como algo imperial, mas como um país acolhedor e tolerante que avança com reformas.

Fonte: NODAL.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

De médico e louco todo mundo tem um pouco. Alguns, porém, exageram na sua cota de loucura.

Quando um louco parece completamente lúcido é o momento de colocar-lhe a camisa de força.

Edgar Allan Poe

O jornalista Allison Henrique Moretti, que assina a coluna "Penso, logo existo", publicada no Jornal Noroeste, do Paraná, analisando o tema da loucura social, buscou no escritor Rubem Alves, a afirmativa de que "ao longo da história sempre houve pessoas consideradas 'desajustadas', mas que também eram dotadas de uma genialidade singular."

Entretanto, para elo escritor, são "as pessoas ajustadas as indispensáveis para fazer a máquina funcionar", embora, em alguns casos, sejam as ditas desajustadas as capazes de pensar outros mundos, sendo entendido por ele que "a criatividade vem do desajustamento", ou seja, daquelas pessoas que não estão alinhadas 100% com a maioria da sociedade e que são capazes de "pensar fora da caixa", embora eu, particularmente, não goste desta expressão, por ter virado um bordão, mas que, em essência, é isto.

Moretti também baseou seu texto no conto de Machado de Assis "O Alienista", que é uma sátira acerca da inviabilidade de se definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização".

Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada “Casa Verde”, com o propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.

No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: “quatro quintos da população da vila estavam aposentados naquele estabelecimento”, ou seja, na Casa Verde.  A conclusão do Dr. Bacamarte é que diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto, e, portanto que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto. 

Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora maioria da população local. 

E não está longe o tempo em que nossa sociedade será considerada totalmente louca, pois os que se vê no comportamento polarizado, cada vez mais, em termos políticos apontam para esta fatídica conclusão. Estar ajustado a essa sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade que impõem esses padrões é louca, comandada por loucos, que usam da loucura coletiva para se dar bem na vida, como é o caso do atual presidente da República, Jair Bolsonaro, que todo dia cria uma situação de conflito dentro e fora do seu governo, mas com reflexos negativos para toda a sociedade, embora se possa ver o grande número de pessoas que, a cada nova panaceia presidencial, logo articulam uma justificativa para tornar normal a loucura do mestre. 

A claque bolsonarista tenta inverter a lógica das coisas e segue o líder como loucos de plantão, que diante da reação daqueles que possuem capacidade para perceber esta loucura e não aderir a ela, são vistos como os reais loucos, que  tentam impedir que o presidente trabalhe, que tudo que ele fala está certo, que a China é nossa inimiga, sempre com o discurso de que ela é comunista, que a vacina não deve ser obrigatória, que a CoronaVac está sendo fabricada para matar o resto do mundo, que não há desmatamento nem incêndios na Amazônia, que o STF tem de ser aparelhado para salvar os corruptos, que agora são aliados do presidente. 

Talvez o Dr. Bacamarte estivesse, de fato, certo na sua ideia inicial: o Brasil está se tornando uma verdadeira "Casa Verde", com todos loucos. Só não é possível saber até onde vai esta loucura e o que acontecerá.


ISTO, BOLSONARO E SEU EXÉRCITO DE MALUCOS NÃO QUEREM ENXERGAR:

De janeiro a agosto, as exportações brasileiras para a China tiveram uma alta de 14% e totalizaram US$ 47,3 bilhões e mesmo com uma queda de 8,1% as importações procedentes do gigante asiático somaram US$ 21,7 bilhões. Com uma expressiva corrente de comércio de US$ 69,1 bilhões (alta de 6% em relação ao mesmo período do ano passado), o comércio bilateral com os chineses gerou para o Brasil um superávit de US$ 25,5 bilhões.

A China foi o destino final de 34,2% das exportações e por 21,4% das importações totais do Brasil no período. Esses números confirmam a consolidação da China como principal parceiro comercial do Brasil, com ampla margem sobre os Estados Unidos, o segundo país no ranking do comércio exterior nacional. (Fonte: Suinocultura. 17 set. 2020).

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quem já leu está estarrecido

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

Ruy Barbosa

O livro “Operação Lava Toga” demonstra como alguns ministros do Supremo Tribunal Federal foram mudando de lado em relação à luta contra a corrupção e como o tribunal se comportava na época do mensalão - marco na mudança de comportamento da sociedade brasileira frente aos crimes de colarinho branco e em relação à própria atuação política.

A obra também relata o envolvimento pessoal com partidos e políticos, fatos suspeitos e até criminosos envolvendo ministros da Suprema Corte e como isto tudo afeta o posicionamento deles em relação ao efetivo combate à corrupção, tão esperado pela sociedade.

Antes do julgamento do mensalão, descrito em resumo na introdução do livro, nunca se tinha visto tanta gente acompanhando e, com tanto interesse, o longo julgamento, em muitas tardes de audiência na TV Justiça e que fez, definitivamente, “o gigante acordar” e as pessoas passarem a agir como atores na luta contra a corrupção endêmica que tomou conta do país.

Entretanto, enquanto os brasileiros torciam como num campo de futebol pela condenação (ou, uns poucos, pela absolvição) dos mensaleiros, os políticos descobriam novas formas e mais eficazes de assaltar os cofres públicos, o que foi descoberto com o advento do chamado petrolão, que envolvia não somente o Partido dos Trabalhadores, como no caso do mensalão, mas todos os partidos que davam sustentação ao governo petista e que, por isso, se acharam no direito de também sangrar os cofres públicos.

Aliás, as investigações da Lava Jato, que começaram em 2009, coincidem com a época em que o Supremo Tribunal Federal fazia a instrução criminal das ações contra os mensaleiros, cujo relator foi o ex-ministro Joaquim Barbosa.

A Operação Lava Jato foi bem recebida no âmbito do STF, pela maioria dos ministros, inclusive Gilmar Mendes, que fazia rasgados elogios ao trabalho desenvolvido pela força tarefa - sediada em Curitiba -, que teve a ousadia de mandar prender diversos políticos e empresários ligados ao esquema criminoso comandado pelo PT.

A coisa, porém, começou a tomar novos rumos quando as investigações do MPF avançaram sobre outros partidos, especialmente, sobre políticos do PSDB e MDB. Aí, o ministro Gilmar Mendes passou a militar ferozmente contra a Lava Jato, com ataques públicos aos procuradores da República, categoria a que ele já pertenceu, mas que sempre tentou amordaçar.

Como Gilmar Mendes é o mais falastrão dos ministros da Suprema Corte, ele também é o mais citado na obra, em situações tais que já motivou diversos pedidos de impeachment, sempre arquivados por presidentes do Senado Federal, por razões óbvias: a maioria dos políticos tem rabo preso com a Justiça e querem que seus processos continuem parados no STF.

O livro cita vários dos crimes de responsabilidade atribuídos a Gilmar Mendes e outros indícios de crimes que, se houvesse um conselho que julgasse ministros supremos, já o teria colocado para fora, pois envergonha qualquer tribunal, a permanência de magistrados com tal má reputação.

Mas não é somente Gilmar Mendes.

O livro aborda a atuação suspeita de outros ministros como Antônio Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, que vêm somar com Gilmar Mendes, o rol de acusações por crimes de fraude eleitoral, manter jagunços em suas propriedades rurais, traficar influência em benefício próprio, enriquecimento ilícito, venda de decisões judiciais, crimes contra a ordem tributária e outros.

Na verdade, todos os ministros do Supremo são citados em algum capítulo da obra, com poucos sendo motivo de elogio e outros sendo motivo de protesto por sua atuação autoritária, como Alexandre de Moraes.

O principal objetivo da obra é escancarar para a sociedade o que ministros, usando de sua imunidade e do corporativismo que impera no Supremo, conseguem manter debaixo do tapete.

Acesse aqui: https://clubedeautores.com.br/livro/operacao-lava-toga?fbclid=IwAR1EJJI5SycAKNGs8DYKwy0VTtlLADbENWaB_Dv37xtdIOTcJA4fDJzn1qQ

terça-feira, 20 de outubro de 2020

O presidente anti-máscara e anti-vacina.

 Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

Sócrates


Durante a pandemia da gripe espanhola de 1918, surgiu nos Estados Unidos o Movimento Anti-máscara. Como grande admirador dos States e preso no século passado, o presidente Jair Bolsonaro ensaiou liderar tal movimento no Brasil de 2020, mas sensibilizou um pequeno grupo de apoiadores que se intitulava "Os 300 do Brasil" e que foi desarticulado rapidamente pela prisão de meia dúzia de seus membros mais radicais.

Realizado há mais de cem anos, o protesto anti-máscara realizado na Filadélfia, se iguala às manifestações recentes em alguns estados americanos e também em partes do Brasil e de outros países contra as regras de distanciamento social, o fechamento do comércio e outras medidas impostas para conter a atual pandemia do novo coronavírus.

O presidente, mesmo sem os seus idiotizados, continuou sua saga contra a máscara, mas sem a repercussão que queria, lembrando que em toda sua vida política, ele sempre se alimentou de polêmicas e idiotices que, infelizmente, sempre encontra acolhida entre iguais.

O presidente também tentou emplacar a Cloroquina como medicamento infalível para o tratamento da doença, embora o restante do mundo atestasse a sua ineficácia. Para o imbecil, que se acha a mais esperta das criaturas, se a cloroquina tivesse sido utilizada, 1/3 das mortes poderia ter sido evitada. Sem qualquer base, ele vomita tal asneira e sua máquina de fake news comandada por criminosos cibernéticos a serviço do governo federal, trata de espalhar como se verdade fosse.

O presidente Jair Bolsonaro mandou importar da Índia, pagando o dobro do preço de mercado, a matéria-prima para produzir o medicamento no laboratório do Exército, tendo provocado, além do gasto desnecessário, o encalhe de medicamento contra a malária, que é a sua única aplicação.

Saiu a cloroquina, mas restou a ignorância.

E Bolsonaro, como era de se esperar, sempre procura outra polêmica para realimentar seu gado, ávido por mentiras e coisas fúteis. Assim, ele passou a trabalhar contra a CoronaVac, vacina em fase promissor de testes e que será produzida pelo Instituto Butantã, de São Paulo, já a partir de novembro de 2020. Aí, já não presta mais, porque São Paulo é governado por João Dória, que passou à categoria de inimigo, quando se colocou como eventual candidato à Presidência da República em 2022.

E o Dr. Bolsonaro, que queria que todos tomassem a Cloroquina, agora ironiza o governador paulista dizendo que o mesmo "se intitula médico do Brasil". Coisa medíocre vinda de um sujeitinho medíocre, que há quase dois anos no Poder só sabe trabalhar pensando na reeleição, deixando de lado todos os graves problemas enfrentados pelo Brasil.

Para coroar seu atual estágio, Bolsonaro fala contra a vacinação obrigatória pregada pelo governador de São Paulo e prega que se vacine quem quiser, pois o Estado não tem o poder de obrigar ninguém a se vacinar. Sorte, é que a maioria dos brasileiros espera ansiosa pela vacina e vai se empenhar em tomá-la. A minoria que se opor à vacinação não causará problema, somente barulho que se soma à cafajestagem de Bolsonaro, o presidente que se elegeu com a bandeira da moralidade e do combate à corrupção e que se entregou à bandidagem do Centrão.

Criar esse debate é fazer uma cortina de fumaça e não faz sentido”, disse o médico infectologista Carlos Starling, membro da Sociedade Mineira e Brasileira de Infectologia, para o Estado de Minas. De acordo com o médico, para começar a debater sobre o assunto é necessário saber a comprovação científica da imunização. “Falar que uma coisa é obrigatória ou não, quando ela sequer existe? É uma discussão desnecessária que deixa de reforçar o fundamental, que é uso de máscara, distanciamento social e cuidados com a higiene. É o que temos neste momento para nos proteger. É o que precisa ser valorizado.”

Mas é contra o que luta Bolsonaro. O presidente mais parece um coveiro do que um chefe de Estado, pois trouxe para o seio do governo federal a destruição de garantias individuais, a destruição de empregos, o racha maior na sociedade, o atrelamento à corrupção endêmica e a instrumentalização do MPF, do TCU e do STF, como forma de proteger seu próprio rabo e livrar seus amiguinhos corruptos do Centrão das garras dos órgãos de controle e justiça, deixando-os livres para a roubalheira geral da Nação.

Pior do que ficar pregando a não vacinação obrigatória será o presidente da República, através da Anvisa, dificultar a aprovação da CoronaVac. Bolsonaro, em sua fala de ontem (19) disse que a vacina precisa ser aprovada pela Anvisa e que "isto não será feito a toque de caixa". Falou o coveiro!

sábado, 17 de outubro de 2020

O absurdo da proteção pelo Congresso de seus muitos corruptos e a culpa do Supremo Tribunal Federal

Foro Privilegiado é o mecanismo de racionalização de impunidade, que foi criado de forma meticulosa pelos políticos dessa Nação”

Herbert Alexandre Galdino Pereira

O foro por prerrogativa de função ou também chamado foro privilegiado é uma excrecência da legislação brasileira feita sob medida pelos corruptos para protegê-los da legislação penal. E conta com as bênçãos do Supremo Tribunal Federal que passou exatos 123 anos para que tivesse a coragem de condenar o primeiro corrupto. Entendeu porque não se vota logo a extinção deste mal?

A deputada federal Flordelis, que mandou matar seu marido, desfila no Congresso Nacional e na igreja, onde é pastora, de tornozeleira eletrônica, mantendo intactos todos os seus privilégios e o cargo de parlamentar, com a conivência de seus pares que, sabendo-se não serem nada melhores do que ela e que a Justiça pode pegá-los qualquer dia, preferem fingir de mortos e continuar protegendo os que são pegos de calças arriadas.

Há um Projeto de Emenda Complementar (PEC 10/2013) tramitando no Senado que visa acabar com o foro privilegiado. Ela já foi aprovada em primeiro turno e precisa passar por mais uma votação antes de ir para a Câmara. 

A PEC prevê preservar o foro privilegiado apenas para os presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. Todas as demais autoridades (parlamentares, ministros, juízes, governadores, procuradores e comandantes das Forças Armadas, entre outros) seriam julgadas a partir da primeira instância em caso de crimes comuns. A estimativa é que a medida atinja mais de 54 mil autoridades.

Entendeu por que a coisa não anda?

Este tal de Foro Privilegiado tão abrangente é uma “jabuticaba” brasileira, algo que existe apenas por aqui. Estudo de direito comparado do consultor legislativo Newton Tavares, mostra que o comum é haver algumas proteções constitucionais a determinados cargos em outros países, mas que "em nenhum dos países analisados a farra do foro privilegiado chega perto das proporções brasileiras". Há, inclusive, países que não possuem foro para nenhuma autoridade, como Cabo Verde, Inglaterra e Estados Unidos.


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes - grande defensor da bandidagem política -, já chegou a afirmar que há muita lenda urbana em torno do foro privilegiado, uma questão que para o ministro é "complexa" e deve ser analisada com "toda a serenidade". Ao comentar as críticas de que os processos criminais têm lenta tramitação no STF, o ministro disse que os tribunais não "são fábricas de linguiça" que têm de operar com base em critérios de produtividade.

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E vejam que os corruptos políticos em sua grande maioria são de estados mais pobres e mesmo assim, o STF continua mantendo sua política de privilegiar a bandidagem em detrimento dos mais necessitados. e, para Gilmar Mendes, se o político é do PSDB tem proteção total por parte dele. Por exemplo, em julho último, o senador José Serra foi alvo de uma operação da Justiça Federal de São Paulo, com participação do Ministério Público Eleitoral, que investiga o suposto caixa dois de R$ 5 milhões na campanha ao Senado em 2014.

O que fez então o ministro Gilmar Mendes para proteger José Serra? Ele determinou que a investigação terá prosseguimento no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a apuração deixou de tramitar na primeira instância e prescreverá incólume debaixo do bunda gorda do ministro mato-grossense.

Este é apenas um caso entre dezenas que o STF protege e que precisa de mudança de postura. Na próxima quarta-feira (21/10) o Supremo analisará a decisão do ministro Luis roberto Barroso de afastar por 90 dias o senador Chico Rodrigues, apanhado escondendo R$ 33,15 mil em suas partes íntimas, mas que continua no cargo como se nada tivesse acontecido, enquanto seus colegas (não seria comparsas) senadores articulam para livrá-lo do castigo, já que entendem ser válida tal pena proferida por Barroso, se a maioria dos senadores concordarem.

E pior: este posicionamento também é defendido por alguns ministros do STF, arrastados pela ladainha de Gilmar Mendes, com o seu falso respeito à independência dos Poderes. Acontece que o cara cometeu crime e não foi para isto que recebeu votos. Ninguém elege um candidato para ele roubar, nem para legislar em causa própria. Ladrão tem de ir para a cadeia, seja quem for, a que partido pertença, a que Poder está vinculado. Tomara que apareça uma luz no fim do túnel para tanta impunidade no Brasil.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Eu sou do tempo em que "rachadão" significava apenas uma partida de futebol entre a molecada do bairro.

 O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.

Barão de Itararé

O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Nantes Bolsonaro, foi eleito, aos 20 anos de idade (2002), deputado estadual do Rio de Janeiro, cargo em que permaneceu até ser eleito senador da República em fins de 2018 e, como da primeira vez, pegando carona no nome do pai e, como se soube recentemente, também pegando carona na amizade com militares e milicianos, como o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães de Nóbrega, a quem Flávio Bolsonaro condecorou com a mais alta medalha legislativa do Estado do Rio de Janeiro e compareceu ao Presídio de Bangu para entregar pessoalmente tal comenda ao presidiário Adriano de Nóbrega, preso preventivamente por acusação de homicídio.

Mas o miliciano Adriano de Nóbrega não foi exceção. Flávio Bolsonaro parece que sempre teve uma queda pelo crime organizado e, durante o período em que cumpriu quatro mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o hoje senador homenageou pelo menos 23 policiais e militares declarados culpados ou em julgamento por crimes que vão de homicídio a corrupção.

Falar em "rachadinha" praticada por Flávio Bolsonaro e do quanto ele conseguiu amealhar de dinheiro público e de corrupção, parece quase que "chover no molhado". E pelo que se especula das investigações em curso na Polícia Federal, este era um esquema que abarcava toda a família, a começar pelo então deputado federal Jair Bolsonaro e depois pelos seus três filhos que o seguiram na vida política, deixando a todos ricos com a apropriação de dinheiro público destinado a pagamento de salários de assessores parlamentares, que dividiam os proventos recebidos com os senhores membros do clã Bolsonaro e.com a apropriação de salários integrais de assessores parlamentares "fantasmas".

De acordo com a revista Piauia primeira homenagem de Flávio a um PM envolvido com crimes a vir à tona foi a moção de louvor concedida ao militar reformado Fabrício Queiroz, assessor de Flávio na Alerj e pivô do caso das movimentações atípicas de 1,2 milhão de reais detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Queiroz foi homenageado por Flávio Bolsonaro em 2003, quando ele era 2º sargento da Polícia Militar. Na moção, o militar foi elogiado pela “absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades”. O caso das movimentações financeiras atípicas na conta de Queiroz é investigado pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público do Rio de Janeiro. Pela longa lista de homenageados por Flávio Bolsonaro, parece haver por parte dele uma certa fascinação por militares encrencados, tanto é que ele levou Fabrício Queiróz para trabalhar com ele e comandar o esquema de recolhimento de "rachadinhas", que fez o filho do presidente rico.

Ontem (14/10), a imprensa brasileira e internacional foram surpreendidas com a notícia de que em operação de busca e apreensão, no âmbito da Operação Desvid-19, o vice-líder do Governo Bolsonaro no Senado Federal, o roraimense Chico Rodrigues, foi flagrado com "dinheiro entre as nádegas". Coisa de R$ 33,15 mil reais, de acordo com a Globo News/G1, que ele amoitou às pressas na cueca quando se viu pressionado pela chegada da Polícia Federal. Parece gozação ou, para alguns, sexismo, pois a notícia leva a foco anal, mas o fato é que o presidente, com toda sua falação desconexa e mentirosa, acabava de soltar pela manhã a frase de efeito para seus apoiadores na saída do Alvorada "Se acontecer alguma coisa [corrupção], a gente bota para correr, dá uma voadora no pescoço dele. Mas não acredito que haja no meu governo", ressaltou.



Como se diz "o castigo vem a galope". Bolsonaro não precisou nem de meio dia para ver sua fala ir para a lata de lixo. Seu vice-líder no Senado, Chico Rodrigues, dava provas de que Tiririca esta certo "pior do que está, pode ficar". De rachadinhas e agora, de rachadão, segue o desgoverno do presidente Jair Bolsonaro que, infelizmente, ainda consegue manter um grande número de idiotizados a defendê-lo. Alguns milhões, porque levam algum tipo de vantagem, mesmo que seja apenas o coronavoucher e outros, porque não conseguem enxergar a realidade e continuam batendo continência para um marginal da vida pública.

O ministro do STF, Luis Roberto Barroso, determinou a suspensão do mandato do senador do rachadão, mas isto só terá efeito se o Senado concordar. Não é ótimo isto? Os coleguinhas, que vira e mexe também embolsam parte das verbas destinadas a emendas parlamentares, é que decidirão se o colega pego com a cueca cheia de dinheiro ficará ou não suspenso do cargo.