quinta-feira, 24 de novembro de 2022

O homem que, sozinho, conseguiu destruir um exército


O ódio e a guerra que declaramos aos outros nos desgasta e nos consome.

Marquês de Maricá (título de nobreza de Mariano José Pereira da Fonseca) (1773-1848) foi um político, filósofo e escritor brasileiro.

Entre abril e dezembro de 2014, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) fez uma pesquisa para identificar o nível de confiança da população com o Exército Brasileiro.

O objetivo da pesquisa era identificar se o cidadão brasileiro acreditava que o Exército cumpria a sua função com qualidade e se fazia isso de forma a que os benefícios de sua atuação fossem maiores do que o seu custo. 

Para tanto, a FGV buscou conhecer o nível de confiança da população, não somente em relação ao Exército, mas também em relação a outras instituições. O resultado está no gráfico abaixo e mostra a alta confiança que uma grande parcela da população tinha no Exército.

Vale ressaltar que vínhamos de uma temporada de grandes manifestações de massa ocorridas em 2013 e que também ocorriam em 2014, com diversas reivindicações da população, mas, basicamente, refletiam o desgosto geral com os partidos políticos e com os políticos corruptos que dominam a política nacional, razão porque os Partidos Políticos foram tão mal avaliados na pesquisa da FGV.

Em 2018, vimos renovadas as esperanças de uma virada de página, com a eleição de um candidato à Presidência da República que se dizia adepto do combate à corrupção e que iria colocar no Ministério da Justiça "com carta branca" para agir, o juiz Sérgio Moro, que havia sido protagonista, juntamente com o MPF, das muitas condenações de poderosos corruptos. Era tudo que o Brasil esperava.

Bolsonaro não cumpriu sua promessa, porque, como se viu muito rapidamente, ele e seus filhos, também políticos, estavam envolvidos em mil e uma maracutaias.

Com relação ao Exército Brasileiro, Bolsonaro deu o troco. Quando capitão da Ativa, Bolsonaro foi acusado de ser ganancioso e de querer enriquecer, coisa que era inadmissível na época. No governo, ele resolveu envolver os "gananciosos" militares, abrindo as portas do Planalto para mais de 6,5 mil militares ocuparem cargos, com altos salários, além dos soldos acumulados. 

Se o Bloco da Mamata estava bastante satisfeito com o chefe, a população passou a ver o Exército de forma bastante diferente do que em 2014. Segundo pesquisa feita pelo Instituto PoderData, em 2021, apenas cerca de 30% da população via com bons olhos o Exército Brasileiro (ver gráfico abaixo). Hoje, com toda certeza, a situação está bem pior, especialmente, pelo envolvimento do ministro da Defesa em articulações golpistas, obedecendo feito um cachorrinho de madame, as ordens do chefe da corrupção palaciana.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Da caserna aos porões da ignorância humana

Uma pessoa pode chorar ou rir. Sempre que você está chorando, você poderia estar rindo, a escolha é sua.

Andy Warhol, pseudônimo de Andrew Warhola (1928-1987) foi um pintor de Art-pop e cineasta norte-americano.

Eu tenho dito que se Bolsonaro tivesse cumprido as promessas que fez de combater a corrupção, ele teria ganhado a eleição de 2022 de mãos para trás, como em 2018, que passou quase todo o período de campanha se recuperando da facada que levou em Juiz de Fora (MG).

Mas, apesar das promessas, o Poder deu a Bolsonaro a errônea impressão de que ele poderia fazer o que bem entendesse, não dando atenção aos milhões de brasileiros que votaram nele pelo apelo que o tema lava-jato exercia naquele momento. Ele preferiu contribuir para a destruição do combate à corrupção, mesmo porque, o crime morava no seio de sua família e até dormia no mesmo quarto com ele.

Na verdade, todos nós erramos ao votar em Bolsonaro em 2018. Se tivéssemos pensado melhor, a opção seria votar nulo ou nem votar, já que o outro candidato "Fernando Haddad" também não oferecia-se como opção.

Fomos envolvidos pelo apelo que a Lava Jato exercia e pela necessidade de se combater, de fato, a corrupção desenfreada que assola o Brasil. Mas, Bolsonaro não passava de um lobo em capa de ovelha. Não só ele era um corrupto enrustido, como logo foi revelado que toda sua família estava envolvida com crimes e corrupção.

Então, como esperar que Bolsonaro agisse contra a corrupção, se ele e sua família se enriqueceram com dinheiro público?

Além disso, Bolsonaro somente entrou na política porque se viu sem lugar no Exército, onde ameaçou detonar bombas em quartéis para pressionar por aumento dos soldos. Ainda quando estava no Exército, nos anos 70, uma anotação em seu Prontuário chama a atenção, ao afirmar que Bolsonaro não tinha vocação para ser militar, pois era muito ganancioso e queria enriquecer.

Praticamente expulso do Exército, pois saiu de forma forçada, ele se entrincheirou na Política, onde iria poder se esbaldar com sobras de campanha, dinheiro de corrupção e formar uma ORCRIM familiar para receber propina e aplicar dinheiro sujo em imóveis, como forma de lavar capitais.

Mas, pior do que tudo isso, é ver tantas pessoas idolatrando o mal, aplaudindo a corrupção e pedindo a volta da Ditadura. Parece que o país, no lugar de buscar se desenvolver, está caminhando para novos anos de escuridão e é preciso lutar contra esta praga chamada Bolsonarismo.

A ignorância não pode prevalecer sobre a vontade maior da população em ver o Brasil superando a desigualdade criminosa de séculos, o preconceito, a fome e o divisionismo causado pelo pior presidente que o país já teve.

Que a Democracia derrote o Negacionismo e que prevaleça a inteligência, em meio a tanta ignorância.