quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Eu sou do tempo em que "rachadão" significava apenas uma partida de futebol entre a molecada do bairro.

 O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.

Barão de Itararé

O filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Nantes Bolsonaro, foi eleito, aos 20 anos de idade (2002), deputado estadual do Rio de Janeiro, cargo em que permaneceu até ser eleito senador da República em fins de 2018 e, como da primeira vez, pegando carona no nome do pai e, como se soube recentemente, também pegando carona na amizade com militares e milicianos, como o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães de Nóbrega, a quem Flávio Bolsonaro condecorou com a mais alta medalha legislativa do Estado do Rio de Janeiro e compareceu ao Presídio de Bangu para entregar pessoalmente tal comenda ao presidiário Adriano de Nóbrega, preso preventivamente por acusação de homicídio.

Mas o miliciano Adriano de Nóbrega não foi exceção. Flávio Bolsonaro parece que sempre teve uma queda pelo crime organizado e, durante o período em que cumpriu quatro mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o hoje senador homenageou pelo menos 23 policiais e militares declarados culpados ou em julgamento por crimes que vão de homicídio a corrupção.

Falar em "rachadinha" praticada por Flávio Bolsonaro e do quanto ele conseguiu amealhar de dinheiro público e de corrupção, parece quase que "chover no molhado". E pelo que se especula das investigações em curso na Polícia Federal, este era um esquema que abarcava toda a família, a começar pelo então deputado federal Jair Bolsonaro e depois pelos seus três filhos que o seguiram na vida política, deixando a todos ricos com a apropriação de dinheiro público destinado a pagamento de salários de assessores parlamentares, que dividiam os proventos recebidos com os senhores membros do clã Bolsonaro e.com a apropriação de salários integrais de assessores parlamentares "fantasmas".

De acordo com a revista Piauia primeira homenagem de Flávio a um PM envolvido com crimes a vir à tona foi a moção de louvor concedida ao militar reformado Fabrício Queiroz, assessor de Flávio na Alerj e pivô do caso das movimentações atípicas de 1,2 milhão de reais detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Queiroz foi homenageado por Flávio Bolsonaro em 2003, quando ele era 2º sargento da Polícia Militar. Na moção, o militar foi elogiado pela “absoluta presteza e excepcional comportamento nas suas atividades”. O caso das movimentações financeiras atípicas na conta de Queiroz é investigado pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público do Rio de Janeiro. Pela longa lista de homenageados por Flávio Bolsonaro, parece haver por parte dele uma certa fascinação por militares encrencados, tanto é que ele levou Fabrício Queiróz para trabalhar com ele e comandar o esquema de recolhimento de "rachadinhas", que fez o filho do presidente rico.

Ontem (14/10), a imprensa brasileira e internacional foram surpreendidas com a notícia de que em operação de busca e apreensão, no âmbito da Operação Desvid-19, o vice-líder do Governo Bolsonaro no Senado Federal, o roraimense Chico Rodrigues, foi flagrado com "dinheiro entre as nádegas". Coisa de R$ 33,15 mil reais, de acordo com a Globo News/G1, que ele amoitou às pressas na cueca quando se viu pressionado pela chegada da Polícia Federal. Parece gozação ou, para alguns, sexismo, pois a notícia leva a foco anal, mas o fato é que o presidente, com toda sua falação desconexa e mentirosa, acabava de soltar pela manhã a frase de efeito para seus apoiadores na saída do Alvorada "Se acontecer alguma coisa [corrupção], a gente bota para correr, dá uma voadora no pescoço dele. Mas não acredito que haja no meu governo", ressaltou.



Como se diz "o castigo vem a galope". Bolsonaro não precisou nem de meio dia para ver sua fala ir para a lata de lixo. Seu vice-líder no Senado, Chico Rodrigues, dava provas de que Tiririca esta certo "pior do que está, pode ficar". De rachadinhas e agora, de rachadão, segue o desgoverno do presidente Jair Bolsonaro que, infelizmente, ainda consegue manter um grande número de idiotizados a defendê-lo. Alguns milhões, porque levam algum tipo de vantagem, mesmo que seja apenas o coronavoucher e outros, porque não conseguem enxergar a realidade e continuam batendo continência para um marginal da vida pública.

O ministro do STF, Luis Roberto Barroso, determinou a suspensão do mandato do senador do rachadão, mas isto só terá efeito se o Senado concordar. Não é ótimo isto? Os coleguinhas, que vira e mexe também embolsam parte das verbas destinadas a emendas parlamentares, é que decidirão se o colega pego com a cueca cheia de dinheiro ficará ou não suspenso do cargo.

Um comentário:

  1. Querer vincular o Presidente Bolsonaro à falcatruas do Chico Rodrigues, classificar a atuação governamental como desgoverno,isso sim é idiotice.

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