Quando um louco parece completamente lúcido é o momento de colocar-lhe a camisa de força.
Edgar Allan Poe
O jornalista Allison Henrique Moretti, que assina a coluna "Penso, logo existo", publicada no Jornal Noroeste, do Paraná, analisando o tema da loucura social, buscou no escritor Rubem Alves, a afirmativa de que "ao longo da história sempre houve pessoas consideradas 'desajustadas', mas que também eram dotadas de uma genialidade singular."
Entretanto, para elo escritor, são "as pessoas ajustadas as indispensáveis para fazer a máquina funcionar", embora, em alguns casos, sejam as ditas desajustadas as capazes de pensar outros mundos, sendo entendido por ele que "a criatividade vem do desajustamento", ou seja, daquelas pessoas que não estão alinhadas 100% com a maioria da sociedade e que são capazes de "pensar fora da caixa", embora eu, particularmente, não goste desta expressão, por ter virado um bordão, mas que, em essência, é isto.
Moretti também baseou seu texto no conto de Machado de Assis "O Alienista", que é uma sátira acerca da inviabilidade de se definir a esfera da loucura, sob pena de incorrer numa generalização".
Machado de Assis conta a história de um médico, o Dr. Simão Bacamarte, obcecado por detectar enfermidades psíquicas, passa a recolher os supostos enfermos num asilo por ele criado, a chamada “Casa Verde”, com o propósito de tratá-los, assim como de desenvolver suas teorias científicas.
No decorrer da narrativa, é apresentado ao leitor um fato inusitado: “quatro quintos da população da vila estavam aposentados naquele estabelecimento”, ou seja, na Casa Verde. A conclusão do Dr. Bacamarte é que diante desse fato estatístico, a verdade é que não era a maioria da população constituída por loucos, mas o oposto, e, portanto que se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades, e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto.
Com isso, o protagonista resolve dar liberdade aos reclusos da Casa Verde, que já representavam a esmagadora maioria da população local.
E não está longe o tempo em que nossa sociedade será considerada totalmente louca, pois os que se vê no comportamento polarizado, cada vez mais, em termos políticos apontam para esta fatídica conclusão. Estar ajustado a essa sociedade é estar ajustado a sua loucura, logo, o que é padrão de sanidade na verdade é loucura, pois, a sociedade que impõem esses padrões é louca, comandada por loucos, que usam da loucura coletiva para se dar bem na vida, como é o caso do atual presidente da República, Jair Bolsonaro, que todo dia cria uma situação de conflito dentro e fora do seu governo, mas com reflexos negativos para toda a sociedade, embora se possa ver o grande número de pessoas que, a cada nova panaceia presidencial, logo articulam uma justificativa para tornar normal a loucura do mestre.
A claque bolsonarista tenta inverter a lógica das coisas e segue o líder como loucos de plantão, que diante da reação daqueles que possuem capacidade para perceber esta loucura e não aderir a ela, são vistos como os reais loucos, que tentam impedir que o presidente trabalhe, que tudo que ele fala está certo, que a China é nossa inimiga, sempre com o discurso de que ela é comunista, que a vacina não deve ser obrigatória, que a CoronaVac está sendo fabricada para matar o resto do mundo, que não há desmatamento nem incêndios na Amazônia, que o STF tem de ser aparelhado para salvar os corruptos, que agora são aliados do presidente.
Talvez o Dr. Bacamarte estivesse, de fato, certo na sua ideia inicial: o Brasil está se tornando uma verdadeira "Casa Verde", com todos loucos. Só não é possível saber até onde vai esta loucura e o que acontecerá.
ISTO, BOLSONARO E SEU EXÉRCITO DE MALUCOS NÃO QUEREM ENXERGAR:
De janeiro a agosto, as exportações brasileiras para a China tiveram uma alta de 14% e totalizaram US$ 47,3 bilhões e mesmo com uma queda de 8,1% as importações procedentes do gigante asiático somaram US$ 21,7 bilhões. Com uma expressiva corrente de comércio de US$ 69,1 bilhões (alta de 6% em relação ao mesmo período do ano passado), o comércio bilateral com os chineses gerou para o Brasil um superávit de US$ 25,5 bilhões.
A China foi o destino final de 34,2% das exportações e por 21,4% das importações totais do Brasil no período. Esses números confirmam a consolidação da China como principal parceiro comercial do Brasil, com ampla margem sobre os Estados Unidos, o segundo país no ranking do comércio exterior nacional. (Fonte: Suinocultura. 17 set. 2020).


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