terça-feira, 27 de outubro de 2020

A polêmica da vacina e a fala sensata de Sérgio Moro

Por mais imbecil que você seja, sempre haverá um imbecil maior para achar que você não o é.

Millôr Fernandes

No dia 23 de março de 2020, o Brasil contava com 1.894 casos da Covid-19 e 34 mortes. Era o início da pandemia do Coronavírus, declarada assim pela Diretoria da Organização Mundial da Saúde (OMS). No dia anterior, o presidente da República usou a rede de televisão e rádio para se pronunciar à Nação, já criando a primeira polêmica sobre o assunto, ao atacar os governadores que defendiam fechar as fronteiras e estabelecimentos comerciais e estimular a quarentena, com o objetivo de barrar o contágio pelo desconhecido vírus. Para Bolsonaro, o problema era somente uma "gripezinha" e não havia qualquer motivo para pânico e para travar a economia.

Foi o primeiro panelaço ouvido durante um pronunciamento do chefe da Nação, pois o povo se sentia insultado com o desprezo com que Bolsonaro tratava questão tão séria.

Com o passar dos meses e os números só crescendo e Bolsonaro continuando desdenhando do vírus e estimulando as aglomerações, numa postura, no mínimo, irresponsável, ele passou a ser visto pelo mundo afora como um perfeito imbecil e foi xingado em todas as línguas e continentes. Por exemplo, ele foi descrito como um “inabalável imbecil” em texto publicado na editoria Internacional do jornal suíço Luzerner Zeitung, de Lucerna.

A matéria do jornal suíço explica aos leitores que Bolsonaro agia comprovando que não acreditava na gravidade da pandemia do novo coronavírus. “Na noite de domingo, o chefe de Estado da maior nação da América Latina contrariou o próprio ministro da Saúde (Mandetta) e teve contato com manifestantes em Brasília”, diz parte do texto. 
 
“O sinal que Bolsonaro envia é claro: ele não se importa em colocar outras pessoas em risco”, cita outra parte do texto, assinado por Philipp Lichterbeck. 
 
Philipp também mencionou o que chamou de “o perigo que vem das igrejas”. Ele escreveu sobre líderes religiosos, como Edir Macedo e Silas Malafaia, que questionaram as recomendações do Ministério da Saúde e decretos de governadores que impediram cultos religiosos com presença de público, recomendando a prática religiosa por meio de transmissão on-line. (A Redação. Goiás. 23 mar. 2020).

Quatro dias depois (26) da fala de Bolsonaro, o cantor e compositor Falcão lançava uma música que os fãs interpretaram como dedicada ao presidente Jair Bolsonaro: "Você está certo, quem tá errado é o Papa". A letra, carregada do humor desconcertante que caracteriza a obra do artista, diz:

"Então se você pensa que o bom é ser mau / Pra viver a vida só cagando o pau / Então seja! // Se você acredita que sendo imbecil / Vai fazer diferença em prol do Brasil / Então vá!".

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Um mês depois, foi a vez da TV Argentina chamar Bolsonaro de imbecil e pedir o fechamento da fronteira com o Brasil. Assista o vídeo. A reportagem também citou o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que discordava da forma com "o imbecil" vinha tratando tão grave problema.


O tempo passou e a tal "gripezinha" já soma mais de 158 mil mortes e o mundo vive o medo do que nos reservará a segunda onda da pandemia, que já produz retrocesso na Europa, onde países diversos decretam novo fechamento total da economia e até a obrigatoriedade do uso da máscara dentro de casa, se a pessoa está recebendo alguém de fora de seu núcleo familiar.

Enquanto isto, no Brasil, o imbecil do presidente da República, continua na sua sanha por criar fatos e polêmicas, para alimentar a mídia, já que sua incompetência não o permite pensar no país e tão somente em sua pretensa reeleição em 2022. Mas o brasileiro sofre agora e anseia pela vacina para voltar a conviver, a trabalhar, a ganhar o sustento para sua família, coisa que, claro, o presidente campeão de gastos com cartão corporativo, não precisa ter.

O presidente decidiu, no alto de sua canalhice, impedir que o brasileiro seja vacinado, ao politizar um tema que somente deveria ser técnico e científico. 

Para Sérgio Moro, a vacinação deve ser a normalidade e politizar o assunto nada contribui para o Brasil. Ele defendeu a liberdade de expressão e disse que todo mundo tem direito a emitir sua opinião, sem o risco de receber críticas e ameaças. Entretanto, politizar um assunto tão sério não condiz com o momento grave porque passa o mundo, que já contabiliza perto de 1,2 milhão de mortes e mais de 43 milhões de casos confirmados.

A situação é tão caótica no Brasil que o Supremo Tribunal Federal deverá ser provocado a se posicionar quanto a obrigatoriedade ou não da aplicação da vacina anti-coronavírus. E isto porque um imbecil decidiu que ele sabe mais que todos os que se dedicam à ciência.

Triste um país que se vê refém de um idiota!

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