Não ser descoberto numa mentira é o mesmo que dizer a verdade.
Aristóteles Onassis
O ministro Marco Aurélio Mello do Supremo Tribunal Federal - primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que o indicou ao cargo -, outro dia, respondendo a uma pergunta da imprensa sobre o indicado por Jair Bolsonaro, desembargador do TRF-1, Kássio Marques, disse que se deveria acabar com a denominação de ministro e desembargador e unificar todos no cargo único de juiz.
Se recorrermos ao Aurélio veremos que tanto desembargador quanto ministro de corte superior atuam como um juiz e são reconhecidos internacionalmente como tal. Em outros países tem-se também a figura do juiz desembargador, mas, talvez, o Brasil seja um dos poucos que tais senhores e senhoras se achem mais políticos do que juízes, de fato. E é isto que precisa ser alterado e cada um assumir o papel de magistrado e não de interlocutor político, organizador de festinhas com políticos-réus ou condenados e terem mais caráter.
Voltando ao caso recente, em que o desembargador Kassio Marques foi à presença de Jair Bolsonaro oferecer seus préstimos ao clã miliciano, caso fosse indicado como ministro do Superior Tribunal de Justiça, na vaga que se abrirá com a aposentadoria do ministro Napoleão Nunes Maia Filho, em dezembro de 2020. Bom, pelo que se sabe, Bolsonaro ficou tão impressionado com a desfaçatez do desembargador que logo lhe ofereceu a vaga de ministro do STF, mais próxima e que impactaria mais diretamente em sua pretensão de se proteger e a seus filhos corruptos, de futura investigação naquela Corte Suprema.
Logo o desembargador distribuiu seu currículo para os senadores que o sabatinarão e, claro, vazou rapidinho para a imprensa. Nunes disse que entregar seu currículo aos seus inquiridores era um gesto de boa-fé, mas logo a imprensa começou a descobrir que o papel continha algumas informações mentirosas.
Na Crusoé, Rodrigo Rangel e André Spigariol relatam, com exclusividade, que Kassio Marques, escolhido por Jair Bolsonaro para ocupar a vaga de Celso de Mello no STF, apresentou uma dissertação de mestrado à Universidade Autônoma de Lisboa com “trechos inteiros copiados de artigos publicados na internet por um advogado”:
“Kassio Marques concluiu a dissertação em 2015. Um levantamento feito por Crusoé nas 127 páginas do trabalho, que garantiu ao desembargador o título de mestre em direito, mostra que passagens inteiras são idênticas a trechos de textos do advogado Saul Tourinho Leal, integrante da banca de advocacia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto. Tourinho Leal é piauiense, assim como Kassio Marques.
Mas não para por aí. Na página do TRF-1, consta que o desembargador teria pós-doutorado em Direito Constitucional pela Universidade de Messina (Università Degli Studi di Messina), na Itália.
De acordo com o site O Antagonista Kassio Marques, que colocaou em seu currículo que tinha um "pós-doutorado" pela Universidade de Messina, confirmou, através de sua assessoria, que fez o curso oferecido pelo IIES com aulas presenciais no Brasil, em 2017, e conclusão, em 2018, na Itália. Problema: o IIES não é reconhecido pelo MEC, sendo um instituto de intercâmbio, e o curso feito pelo ilustre desembargador não se trata de pós-graduação lato sensu ("pós-doutorado"), mas sim, um mero curso de extensão sem qualquer valor acadêmico.
O Antagonista aponta outras contradições no currículo do desembargador Kassio Marques:
Em seu currículo, o desembargador diz ter também pós-graduação em contratação pública, na Universidade de La Coruña, na Espanha, mas, segundo O Globo, trata-se novamente de um curso de extensão, que durou 5 dias. O programa foi realizado entre 1 e 5 de setembro de 2014 e teve carga horária de 40 horas.
Há ainda referência a outro pós-doutorado em Direitos Humanos, pela Universidade de Salamanca, mas no site da instituição não há informação sobre o curso. Marques não possui currículo na plataforma Lattes, cadastro usado no Brasil por pesquisadores acadêmicos.
Para um fake-juiz, seja desembargador ou ministro, tudo se passa de conchavos e mentiras. Marques não precisava mentir tanto para parecer competente diante dos senadores que estão doidos para aprová-lo logo e terem mais um corrupto togado para lhes dar proteção.
Bastaria a Kassio Marques ter aprendido com Platão que:
O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis.


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