A falsidade é suscetível de uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser.
Jean-Jacques Rousseau
Bolsonaro demitiu Mandetta e Teich pediu demissão. Ambos, pelo mesmo motivo: não quiseram assinar as besteiras prescritas pelo energúmeno Jair Bolsonaro. Pazuello até que durou muito, pois somente fazia o que o chefe deixava ele fazer; era o moleque de recados de Bolsonaro, assim com o são os demais ministros, como
Paulo Guedes, o símbolo do privado que teve que se contentar em ser estatizante. Tudo por um boquinha, pelo poder e pelo foro privilegiado.Lula, liberado provisoriamente de condenações em segunda instância, voltou a ser "ficha limpa" perante a lei e vai incomodar bastante Bolsonaro no caminho de sua sonhada reeleição em 2022. Isto incomodou, não só Bolsonaro, mas também o Centrão, que tem planos ambiciosos para os cofres públicos, mantendo Bolsonaro refém até 2026. Fica difícil, na altura de um casamento de interesses, voltar atrás e apoiar o petista, pois, quase impossível, substituir uma bazuca por uma estrela. Mas, bancar as idiotices de Bolsonaro na condução da pasta da Saúde é pesado demais para suportar.
Cloroquina, hidroxicloroquina, anitta, ivermectina, vacina chinesa, foram coisas que o boneco do ventríloquo-presidente deu conta, até que teve de enfrentar a realidade: não dava mais para falar apenas para seu gado amestrado. O que restou fica empatado com os jumentos vermelhos; além disso, o Moro entrou em campo para minar os projetos bolsonaristas. Mas, Bolsonaro mudar de discurso, da água barrenta para o vinho, como ele ensaiou fazer, não deu certo, pois soou falso em demasia.
Assim, Bolsonaro foi obrigado por seus ministros-generais a tirar Pazuello e colocar uma médica em seu lugar, que não tivesse interesses políticos e que falasse o que os eleitores tendentes a votar em Moro quisesse ouvir: vacinação em massa, nada de cloroquina e outras quinas, distanciamento social, uso obrigatório de máscara, etc. Vai até parecer que Bolsonaro e seus filhos milicianos sempre foram adeptos da tal vestimenta, que um deles chegou a recomendar que fosse enfiada no rabo.
E Bolsonaro aproveita para colocar no Ministério da Saúde uma mulher: a Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar, uma cardiologista que não acredita em cloroquina e sim, em quarentena. Soará, assim, tudo normal, sem ter de fazer o Pazuello passar pelo constrangimento de ser submetido a uma CPI e ainda ter de desdizer tudo que disse a mando de marginal Jair Bolsonaro. Pior: como colocar na boca do general palavras como ciência, eficácia, vida.
O que escreveu a Forbes sobre a Dra. Ludhmila:
A Dra. Ludhmila Abrahão Hajjar é especialista em clínica médica – dirige a sua própria em São Paulo – cardiologia, terapia intensiva e medicina de emergência. Também é professora da Associação de Cardiologia da Faculdade de Medicina da USP, diretora de tecnologia e inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, coordenadora de cardio-oncologia do InCor, além de participar de atividades assistenciais, de ensino e pesquisa.
Simples e direta, ela justifica o poderoso currículo com uma razão do coração: “Eu me apaixonei pela cardiologia”. A Dra. Ludhmila vê a sua opção pela medicina como uma verdadeira vocação, vinda da infância. “Na minha família, é famosa a história que eu, aos cinco anos, pedi de presente de Natal não uma boneca, mas um esqueleto. Eu queria saber como era e como se movia o corpo humano”, recorda bem-humorada.
Natural de Anápolis, Goiânia, ela teve a oportunidade de realizar o sonho de menina quando ingressou no curso de medicina da UNB, em Brasília, aos 17 anos. Porém, queria mais e, aos 22, chegou na Escola de Medicina da USP. Fez residência no HC e então conheceu o InCor, do qual fala com o maior orgulho: “É uma instituição incrível, com 500 leitos e onde se privilegia muito o ensino, a pesquisa e a tecnologia”.
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Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as próximas gerações?
LH:Em primeiro lugar, exercer nossa cidadania 24 horas por dia. Para mim, ser cidadão, hoje, é cuidar do próximo. Em segundo lugar, lutar por um país melhor. E, finalmente, sempre buscar a excelência em saúde, educação e tecnologia. É a nossa maior chance para uma sociedade transformada e um país melhor.
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