A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.
Machado de Assis
Há muito, a República Federativa do Brasil acabou e precisa, com urgência, ser restaurada. Permitimos que toda sorte de malfeitores da vida pública tivesse acesso aos poderes constituídos, que deveriam ser "independentes e harmônicos". Bom, até que
harmônicos eles são, pois guardam entre si o respeito absoluto quando o negócio é afanar os cofres públicos.Agora, como manter em funcionamento o sistema de "freios e contrapesos" previstos na Constituição Federal se o ministro do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, é indicado ao cargo pelo presidente da República, na expectativa de que seu indicado retribua a indicação com toda sorte de falcatrua jurídica para protegê-lo e a seus parentes e aliados políticos? E, ainda pior, é ver alguns ministros que estão no Supremo, somente foram indicados porque se ofereceram ao presidente da República seus serviços escusos e juraram lealdade. Tem até aquele ministro que, antes de pedir à seus juízes auxiliares a formulação do voto, consulta o presidente da República para saber se devem votar contra ou a favor. O caso mais fresco é o do ministro Kássio Nunes Marques, que votou na Segundona contra a suspeição de Moro e agora votou a favor. Claro, Bolsonaro quer eliminar, de antemão, um concorrente de peso para 2022, que é o ex-juiz Sérgio Moro e mandou Kássio Nunes mudar seu voto e jogar no lixo toda a sua argumentação técnica contra as provas ilícitas.
Dá para alguém acreditar que o ministro Gilmar Mendes está lutando tanto contra a Lava Jato, porque ele acredita mesmo que Sérgio Moro foi imparcial? Claro, que não! Ele faz isto por motivos totalmente diversos do que sai de sua boca suja. Ele é corrupto de carteirinha e resolveu implodir a Lava Jato, com anuência de uma penca de ministros, igualmente corruptos e que têm interesse político, desde que foi apanhado de calças curtas pelo COAF, em estranhas e milionárias transações.
O que fez o Executivo? Implodiu o COAF, para tirar do Ministério da Economia o poder de pegar políticos e outros canalhas da República em lavagem de dinheiro e desvios.
Como manter em vigor a regra da independência dos poderes, se o Legislativo, que deve fiscalizar o Poder Executivo, se alia a ele na repartição do butim? Agora mesmo, a Câmara dos Deputados emplacou a deputada Flávia Arruda como ministra da Secretaria de Governo, responsável pelos repasses de verbas parlamentares aos respectivos deputados e senadores, que, sabidamente por todos, se apropriam de parcela substancial do que deveria ser aplicado em obras em seus municípios?
Por que será que o presidente do Senado Federal somente constituiu a CPI da Pandemia depois da ordem do STF? Aliás, pelo ministro Luis Roberto Barroso, que tem passado perrengue para tolerar tanta bandidagem vinda de seus pares...
A resposta é simples: foi o Executivo Federal que bancou a candidatura dele, senador Rodrigo Pacheco, comprando votos para elegê-lo e também eleger o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira. Onde está a independência entre os Poderes?
Somente tem harmonia na hora de roubar a Nação e se manterem no Poder.
Está, enfim, instituída a Cleptocracia Tupiniquim, ou traduzindo: a nação governada por bandidos. E tudo isto é culpa nossa, que votamos e não temos culhão para arrancar esta bandidagem do poder, seja ele o Executivo, Legislativo ou Judiciário. A bandidagem é maioria!


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