sexta-feira, 16 de abril de 2021

O sonho de Bolsonaro

 

O presidente Jair Bolsonaro usa boina vermelha durante cerimônia de comemoração ao dia do soldado, no QG do Exército, em Brasília. Foto: Pedro Ladeira/F olhapress      -     3    out.     2019

Bolsonaro, que defendia o regime militar brasileiro com tanto vigor, também – quem diria -, já teve o ex-ditador Hugo Chaves como um de seus ídolos e isto pode ser comprovado em entrevista que ele concedeu ao Estado de S. Paulo no dia 4 de setembro de 1999, sete meses

depois da posse de Hugo Chaves como presidente da Venezuela.

Reveja a entrevista concedida ao jornalista Dida Sampaio, da Agência Estado, e que teve o título “É uma esperança para a AL”:

- O que representa Chaves?

- É uma esperança para a América Latina e gostaria muito que esta filosofia chegasse ao Brasil. Acho ele ímpar. Pretendo ir à Venezuela e conhecê-lo. Quero passar uma semana por lá e ver se condigo uma audiência.

- A qual figura histórica ele remete?

- Ao marechal Castelo Branco [primeiro presidente do Brasil no Regime Militar, entre 1964 e 1967].

- Por que ele é admirável?

- Acho que ele vai fazer o que os militares fizeram no Brasil em 1964, com muito mais força. Só espero que a oposição não descambe para a guerrilha, como fez aqui.

- O que você acha dos comunistas apoiarem Chaves?

- Ele não é anticomunista e eu também não sou. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Nem sei quem é comunista hoje em dia.

Como em outras frentes, Bolsonaro parece que não mudou em relação à sua vontade de exercer o poder de forma ditatorial, como se vê pelas suas últimas declarações, em que conclama seus apoiadores para pedir que ele tome atitude em relação ao STF e em relação aos governadores, além de continuar tentando cooptar as Forças Armadas para sua tresloucada tentativa de se tornar um novo caudilho tupiniquim, como ele disse em sua live no último dia 11 de abril.

“O que está em jogo não é nem o seu prato de comida, é a sua liberdade. Repito, eu faço o que o povo quiser e digo mais, eu sou o chefe supremo das Forças Armadas, as Forças Armadas acompanham o que está acontecendo, as críticas em cima de generais, não é o momento de fazer isso”

Que povo é este a que Bolsonaro se refere? A meia dúzia de baba-ovo que comparece à porta do Palácio da Alvorada para bajulá-lo? Ele somente escuta seus idiotizados, mas o verdadeiro povo brasileiro, que é maioria, não quer qualquer ditadura, quer de esquerda, de centro ou de direita. Ele quer ver o presidente trabalhando e não fazendo o que ele sempre fez desde que tomou posse: fazendo tudo para proteger seus filhos corruptos, os políticos corruptos que lhe dão apoio em troca de bilhões de reais.

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