terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A INTERFERÊNCIA DO STF NAS ELEIÇÕES DE 2022

 É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante.

Friedrich Nietzsche
https://clubedeautores.com.br/livro/operacao-lava-toga

Esta foi uma mensagem encaminhada a ministros do STF

Jair Bolsonaro tomou posse no dia 1º de janeiro de 2019, mas, não desceu do palanque, nem para receber a faixa presidencial. Continuou suas batalhas contra a pseudo conspiração da esquerda e contra a perseguição da Rede Globo, da Folha, do Estadão e tantos outros órgãos de imprensa que não se curvaram aos ditames da tal "imprensa livre", especializada em divulgar, de forma democrática e com linguajar simples, todo tipo de notícia falsa. 

Orientado pelo trending do Twitter que apontava todo dia um novo "traidor", o presidente partiu para o ataque ao Congresso Racional, ao Supremo Tribunal Federal, a OAB, as ONG's, os pesquisadores do INPE, o índios, os servidores da Educação, ministros de seu governo e até aliados de primeira hora, que já não mais lhe serviam.

Foi, foi, foi, até que a reação, vinda de todos os lados ficou tão forte que começaria a sinalizar que ele seria catapultado do cargo a qualquer momento e assim, teve de mudar de tática: afastou assessores da ala ideológica, se aproximou do presidente do STF, Dias Toffoli - amigos desde a infância - riscou de seu programa a parte relativa ao combate à corrupção, para que pudesse levar avante o gesto mais significativo: casar com o Centrão 

Tudo para manter viva a esperança de um segundo mandato consecutivo, coisa que prometeu acabar quando era candidato. Bolsonaro continuou no palanque, mas com outras propostas menos dignas, como salvar os filhos corruptos a qualquer preço, mesmo que isto significasse se curvar diante dos maiores corruptos do Congresso Nacional.

Mas, apesar de todo o esforço e a dinheirama derramada no colo de parlamentares chantagistas e corruptos, sua reeleição se tornava distante, pelos efeitos de suas convicções idiotizadas de que mais vale a economia do que a vida de milhares de brasileiros.

E um ouvido atento, de quem sempre está disposto a participar dos conchavos brasilienses, entra em cena, pois toda a confusão promovida pelo mandatário poderia lhe custar a vaga para um novo mandato presidencial e, com o desgaste de lideranças da esquerda, poderia ser a chance de seu partido voltar ao poder pelas mãos do governador paulista ou outro.

Mas, desde 22 de abril de 2020, entrava nos radares dos eleitores a figura mais respeitada no Brasil e um brasileiro mais bem reconhecido no exterior: o ex-juiz Sérgio Moro, que teve a ousadia de colocar na prisão os maiores corruptos deste país e, com isto, angariou simpatia dos brasileiros que sonham com um país livre de tanta corrupção.

E era preciso retirar Sérgio Moro do foco. Mas, não apenas isto; ele precisaria ser desmoralizado para que perdesse eleitores. E a estratégia, traçada em subterrâneos de Brasília, incluía a possibilidade de considerá-lo suspeito em seus julgamentos e, com isto, dar a Lula o direito de se livrar de seus processos - até o que foi julgado pela juíza Gabriela Hardt, mas iniciado antes de se tornar titular da 13ª Vara, mesmo com todas as provas existentes contra o ex-presidente petista. Na visão do arquiteto deste plano, Lula, mesmo sendo candidato, não oferecerá risco ao candidato tucano, pela sua grande rejeição, mas seria útil para roubar votos do ex-juiz Sérgio Moro, que se apresenta cacifado junto àqueles que querem ver o Brasil, finalmente, se encontrar com seu sempre lembrado futuro".

Embora parecesse simples a jogada de tornar válidas supostas provas obtidas por meios ilegais (Hackeamento) contra Sérgio Moro, era preciso um grande trabalho de desgaste de sua imagem e ter o apoio da mídia, pelo que, ele iria trabalhar diuturnamente. Por isso, dia sim, dia também sim, está ele em alguma mídia repisando a mesma coisa. Por exemplo, no dia 22 de fevereiro de 2022, lá estava ele falando ao O Globo, conforme informou O Antagonista

“O voto de Gilmar Mendes no caso da suspeição de Moro está ‘praticamente pronto’, mas o magistrado confidenciou a auxiliares que, a cada dia, coloca uma informação nova em sua manifestação”, diz O Globo.

“Quando fala sobre o julgamento, o ministro diz que esse caso ultrapassou a ‘questão Lula’ e se tornou algo ‘muito maior’”. 

Provas incontestes, mas contaminadas por algum procedimento, já foram utilizadas pelo STF para livrar grandes bandidos da prisão e da perda dos frutos de seus crimes, mas, segundo Gilmar Mendes, agora servirão para condenar o ex-juiz Sérgio Moro e livrar o chefe da organização criminosa petista de mais encrenca.

E o tempo milita contra, já que a adesão à ideia de candidatura de Sérgio Moro em 2022 só cresce, como evidenciou a XP/Ipespe, em pesquisa divulgada no dia 8 de fevereiro de 2021: Num eventual segundo turno, Sérgio Moro bate Jair Bolsonaro (36% x 32%) e Fernando Haddad (43% x 29%). Sem Moro, Bolsonaro ganha de todos os candidatos de esquerda, sempre segundo a pesquisa.

Mas, ainda é muito cedo e Bolsonaro, pela sua fraca capacidade mental, ainda fará muita besteira até 2022. Primeiro, é preciso aniquilar as chances de Sérgio Moro sair candidato. E Gilmar Mendes tem o plano B, o plano C, o plano D e o candidato do PSDB precisa angariar o apoio das grandes corporações. Para isto, a coisa deve ser feita de forma a possibilitar que outros condenados pela Lava Jato e que devem bilhões de reais por suas colaborações premiadas tenham a possibilidade de também usufruírem do engodo Mendes. Pimba!

O cara que fica todos os dias na imprensa condenando Moro vai julgá-lo, o que vai contra a Loman, mas, para ele, lei alguma pode impedi-lo, pois ele é Supremo. MAS, E VOCÊS? Vão compactuar deste descalabro? Até quando vocês, ministros e ministras que, aparentemente, não participam deste jogo imundo vão permitir que um ministro jogue a reputação do STF no lixo para satisfazer seus planos de poder? É preciso parar a banda podre do STF, que não é somente o Gilmar Mendes, embora ele seja o chefe da ORCRIM Suprema. Basta! Deem um BASTA em tanta canalhice!

É o que Brasil espera.

Bernardino Coelho da Silva
Pesquisador e escritor





 

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