
Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse apenas o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.
(Mahatma Gandhi)
A notícia divulgada ontem (4/10/2021) de que o Governo Bolsonaro, através do Ministério da Agricultura, irá estabelecer regras de higiene para a venda de carne moída, me fez voltar alguns anos na recente história da corrupção no Brasil, quando pesquisava para escrever o livro "Nome aos Bois: a história das falcatruas da JBS". Um dos muitos artifícios utilizado pela JBS para dominar o mercado de carne bovina foi pagar, em 2014, R$ 2 milhões de propina para o ex-deputado Eduardo Cunha e seu operador Lúcio Funaro fizessem com que a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) determinasse ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) que estabelecesse regras para coibir a exportação de despojos (miúdos e outros) através dos ECD's (Entrepostos de Carnes e Derivados, que operavam através de insumos recebidos de pequenos produtores.
A ideia era obrigar estes produtores a vender para a JBS, o que deixaria a companhia dos irmãos Batista dona do mercado, com possibilidades de ganhar ainda mais dinheiro vendendo tais itens - aqui, considerados subprodutos -, mas de grande valor em mercados asiáticos, especialmente a China.
A Portaria do Dipoa chegou a ser publicada no dia 5 de maio de 2014, mas, felizmente, de forma célere, a Justiça determinou o cancelamento desta medida no dia 21 de outubro de 2014.
A história parece se repetir, agora em relação à venda de carne moída. As regras, inicialmente propostas, e que passarão por escrutínio público antes de virar lei, contém dispositivos que inviabilizará a venda de carne moída pela maioria dos pequenos açougues, que não terão condição de atender a um futura Portaria regulamentadora, como, por exemplo, ter um sistema de resfriamento rápido ou super rápido para a carne logo depois de moída ou a proibição dos açougueiros de retirar restos de carne de desossa (grudadas nos ossos) para moer.
Pelo andar da carruagem, logo teremos novas regras para a venda de pés de galinha e para descarte de ossos e pelancas.
A brandura da nossa Justiça com o endinheirados só faz crescer o mau. No Brasil, infelizmente, o crime compensa.
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