segunda-feira, 4 de outubro de 2021

O ministro da Economia "Posto Ipiranga" não confia seu dinheiro às suas próprias regras.

O dinheiro não é tudo. Não se esqueça também do ouro, dos diamantes, da platina e das propriedades.

(Tom Jobim)

O ministro Paulo Guedes, sistematicamente, vem cobrando dos empresários brasileiros mais confiança no país e mais investimentos na produção, para que haja a tão propalada retomada em "V" - como tanto alardeia -, da Economia. O que temos visto, no entanto, é a manutenção de mais de 14% da força de trabalho desempregada, um número absurdo de pessoas em subempregos ou fazendo "bicos" para sobreviverem e um número "n" vezes maior de pessoas em situação de miserabilidade, passando toda sorte de privação.

O que temos visto desde início de 2020 é o absurdo e desproporcional aumento dos preços dos alimentos, como a carne, o óleo de cozinha, o feijão, o arroz e outros itens da cesta básica, que jogam, a cada mês, mais pessoas na condição de vulnerabilidade alimentar. Hajam vistas as muitas notícias mostrando pessoas em filas para ganhar ossos e catação de restos de pelancas e gorduras em montes de ossos despejados por supermercados. Para milhares de pessoas é a única forma de acesso a proteína animal, mas em condições ultrajantes e desumanas.

O que temos visto são os empresários queridinhos de Paulo Guedes aumentando suas exportações e embolsando uma bela grana em "reais", com o dólar nas alturas, ou, como muitos estão fazendo, deixando o dinheiro no exterior, pela constante instabilidade política do país, diante de um governo irracional, corrupto e encrenqueiro.

E o ministro da Economia, que tanto gosta de conclamar os empresários para acreditarem no Brasil, quem diria, mantém  53 milhões de reais (US $9,5 milhões) em paraíso fiscal, longe das garras da Receita Federal e da volatilidade da moeda nacional. O ministro foi flagrado por um vazamento de dados.

Isto não configura, a princípio, um crime, já que a legislação brasileira recepciona as offshores e permite que isto, sendo declarado à Receita Federal possa ser praticado livremente. Mas, e a questão moral e ética? A pergunta é: Paulo Guedes negociou com a Câmara dos Deputados para retirar de projeto de lei o item que previa cobrar anualmente sobre reservas financeiras de brasileiros mantidas no exterior? Se sim, isto constitui, no mínimo, conflito de interesse e é preciso investigar a fundo esta história.

Pelo visto, Paulo Guedes discursa em tom maior e age em tom menor!

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