Político não vira corrupto. Corrupto vira político.
O Congresso Nacional é um
universo à parte. Lá, a realidade parece se contorcer para se adequar às
necessidades de seus habitantes, os ilustres parlamentares. E foi nesse cosmo
de leis flexíveis e manobras audaciosas que surgiu a PEC da Blindagem. Uma
legislação, digamos, criativa, que se propõe a proteger seus defensores de algo
incômodo: a Justiça.
Segundo a nova lei, o deputado encrencado com a justiça não será mais investigado, nem denunciado, nem condenado. Ufa! As provas de seus crimes, por mais cabeludos que possam ser – e, normalmente são - serão engavetadas. Ou seja, agora eles podem fazer o que bem (ou mal) quiserem, de crimes financeiros a assassinatos, sem medo de serem presos. A PEC aprovada pela maioria dos deputados – 353 votos contra 134 - foi descrita, descaradamente por alguns dos ilustres personas como “um ato em defesa da Democracia e da Liberdade de Expressão”.
Mas convenhamos, por trás
desse discurso aparentemente “politicamente correto”, está uma manobra vergonhosamente
para garantir a impunidade. O povo até pode se indignar, a mídia criticar, mas
a banda toca e passa, com os parlamentares, além de criminosos, agirão feito o
cavalo: cagando e andando para o povo. Afinal de contas, a Justiça no Brasil é
para quem não tem mandato parlamentar, ou seja, o restolho que vota e mantém
esta canalha impune.
Pois é, a blindagem veio para
proteger os “bons moços” que, em um país de 513 deputados, são centenas. Tem
deputado – e são muitos -, por exemplo, acusado de desviar milhões de reais da
saúde. Há provas cabais de que compraram fazendas, desviaram dinheiro para
conta de parentes, e outras maracutaias, mas agora, graças à Lei da Blindagem,
os processos serão arquivados. E eles, com um sorrisinho de canto de boca, dirão
aos seus eleitores na próxima eleição: “Eu sou um homem de bem, a Justiça me
absolveu”.
Outros – também muitos - estão
encrencados até a medula, ao serem flagrados com uma fortuna em dinheiro,
relógios, carrões e joias. A Polícia Federal, em uma das ações autorizadas pela
Justiça, encontrou um bilhete com a seguinte mensagem: “Senhor Deputado, a
propina foi entregue, o restante, em breve, estará em suas mãos.” No entanto,
os seus colegas, em nome da Lei da Blindagem, aprovaram o roteiro para o
arquivamento deste e de outros casos cabeludos praticados pelos ilustríssimos
cafajestes da Política Brasileira. O que era mais um escândalo nacional, agora será
apenas uma leve mancha no currículo destes parlamentares.
A PEC da Blindagem veio para
mostrar que, no Brasil, o crime compensa.
Assim, entre sorrisos falsos e
discursos vazios, a aprovação da PEC da Blindagem marca mais um capítulo de
impunidade, que se soma a outras tantas motivadas pelo desejo de se manterem
eternos no Phoder e deixar ricos os parentes até a quinta geração.
E o povo, que se vire,
enquanto assiste, num minto de indignação e impotência, o circo de horrores que
se tornou a política brasileira. E só lhe resta uma alternativa: votar na
próxima eleição, que é obrigatória, mesmo se sabendo que irá mandar para
Brasília mais um corrupto, que continuará movimentando a roda da impunidade e
de crimes abafados por leis esdrúxulas e potencializadas à medidas que ganham
experiência e avoluma suas fichas criminais.
Afinal, quem pode, pode.

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