quarta-feira, 17 de setembro de 2025

A PEC DA BLINDAGEM E OS OTÁRIOS ELEITORES

Político não vira corrupto. Corrupto vira político.

O Congresso Nacional é um universo à parte. Lá, a realidade parece se contorcer para se adequar às necessidades de seus habitantes, os ilustres parlamentares. E foi nesse cosmo de leis flexíveis e manobras audaciosas que  surgiu a PEC da Blindagem. Uma legislação, digamos, criativa, que se propõe a proteger seus defensores de algo incômodo: a Justiça.

Segundo a nova lei, o deputado encrencado com a justiça não será mais investigado, nem denunciado, nem condenado. Ufa! As provas de seus crimes, por mais cabeludos que possam ser – e, normalmente são - serão engavetadas. Ou seja, agora eles podem fazer o que bem (ou mal) quiserem, de crimes financeiros a assassinatos, sem medo de serem presos. A PEC aprovada pela maioria dos deputados – 353 votos contra 134 - foi descrita, descaradamente por alguns dos ilustres personas como “um ato em defesa da Democracia e da Liberdade de Expressão”.

Mas convenhamos, por trás desse discurso aparentemente “politicamente correto”, está uma manobra vergonhosamente para garantir a impunidade. O povo até pode se indignar, a mídia criticar, mas a banda toca e passa, com os parlamentares, além de criminosos, agirão feito o cavalo: cagando e andando para o povo. Afinal de contas, a Justiça no Brasil é para quem não tem mandato parlamentar, ou seja, o restolho que vota e mantém esta canalha impune.

Pois é, a blindagem veio para proteger os “bons moços” que, em um país de 513 deputados, são centenas. Tem deputado – e são muitos -, por exemplo, acusado de desviar milhões de reais da saúde. Há provas cabais de que compraram fazendas, desviaram dinheiro para conta de parentes, e outras maracutaias, mas agora, graças à Lei da Blindagem, os processos serão arquivados. E eles, com um sorrisinho de canto de boca, dirão aos seus eleitores na próxima eleição: “Eu sou um homem de bem, a Justiça me absolveu”.

Outros – também muitos - estão encrencados até a medula, ao serem flagrados com uma fortuna em dinheiro, relógios, carrões e joias. A Polícia Federal, em uma das ações autorizadas pela Justiça, encontrou um bilhete com a seguinte mensagem: “Senhor Deputado, a propina foi entregue, o restante, em breve, estará em suas mãos.” No entanto, os seus colegas, em nome da Lei da Blindagem, aprovaram o roteiro para o arquivamento deste e de outros casos cabeludos praticados pelos ilustríssimos cafajestes da Política Brasileira. O que era mais um escândalo nacional, agora será apenas uma leve mancha no currículo destes parlamentares.

A PEC da Blindagem veio para mostrar que, no Brasil, o crime compensa.

Assim, entre sorrisos falsos e discursos vazios, a aprovação da PEC da Blindagem marca mais um capítulo de impunidade, que se soma a outras tantas motivadas pelo desejo de se manterem eternos no Phoder e deixar ricos os parentes até a quinta geração.

E o povo, que se vire, enquanto assiste, num minto de indignação e impotência, o circo de horrores que se tornou a política brasileira. E só lhe resta uma alternativa: votar na próxima eleição, que é obrigatória, mesmo se sabendo que irá mandar para Brasília mais um corrupto, que continuará movimentando a roda da impunidade e de crimes abafados por leis esdrúxulas e potencializadas à medidas que ganham experiência e avoluma suas fichas criminais.

Afinal, quem pode, pode.

 

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