É o sujo falando do mal-lavado? Não, é o sujo, sujíssimo, usando a tribuna para pregar sobre a importância da limpeza. O senador Otto Alencar (PSD-BA), um político experiente e, segundo consta, com sua própria parcela de controvérsias judiciais na bagagem, soltou a pérola: a PEC da Blindagem abrirá as portas do Parlamento ao crime organizado.
A
Tragicomédia Parlamentar
Ora,
senhor senador, que espetáculo de honestidade! Essa sua fala não é uma previsão
apocalíptica, mas um mero relato do que já se vive na nossa política há tempos.
O
discurso do parlamentar soa como uma cena de filme, onde o vilão, disfarçado de
herói, avisa que a bomba está prestes a explodir, quando ele mesmo a instalou.
O crime organizado não está à espreita, senhor senador. Ele já tem cadeira
cativa, fala mansa e gabinete parlamentar, com seus homens de confiança instalados ali e em estatais onde a propina corre solta. E o ingresso para esse show de
horrores não é a PEC da Blindagem, mas o próprio balcão de negócios que se
tornou a política brasileira e o voto obrigatório.
Uma blindagem para quem?
A PEC
da Blindagem, ao que parece, é apenas a cereja do bolo. O objetivo não é evitar
a entrada de novos criminosos, mas sim garantir que os que já estão lá
permaneçam, por mais algumas décadas, impunes. É a institucionalização da impunidade, a legalização da
corrupção, a oficialização da Cleptocracia, ou seja, Governo de Ladrões.
Essa Proposta de Emenda Constitucional não é uma porta que se abre, mas um portão que se fecha, e que barra a entrada da Justiça, não somente em Brasília, mas nos tentáculos do crime instalados em Estados e Prefeituras, carreando para os largos bolsos de deputados federais e senadores, o dinheiro de emendas parlamentares que deveria ir para infraestrutura, saúde e educação.
Enquanto isto, os brasileiros de bem assistem, com o coração na mão, a um
espetáculo deprimente, onde os mesmos que deveriam nos defender de bandidos,
são, quase sempre, os primeiros a fechar acordos escusos e a sangrar os cofres públicos.
O
Mundo da Fantasia
E
emendas, senhor senador? O senhor fala das emendas pix? Parece que vivemos em
um mundo de fantasia, onde a verba pública não tem nome e sobrenome, mas um CPF
e um CNPJ de quem se disfarça de político para ter acesso a ela. O
"pix" que cai na conta de quem se propõe a ser honesto é, na verdade,
um “pix” que nos afunda em um mar de lama.
Os
casos de corrupção, que se espalham como uma praga, não são uma ameaça a nossa
democracia, mas a realidade nua e crua. As propinas, os
desvios de verbas, e tantos outros escândalos, mostram que a política
brasileira, para muitos, é apenas uma forma de enriquecimento. E o
pior, com a bênção do eleitor, obrigado por lei a votar na mesma canalha.
O
Crime na Casa já está Organizado, Senhor senador!
O crime organizado, senhor senador, não vai entrar no Parlamento. Ele já está lá instalado há muito, e com a PEC da Blindagem, terá a garantia de que não sairá jamais. E assim, o Brasil seguirá em sua longa e penosa jornada, onde a corrupção é a única certeza, e a honestidade, a única utopia.

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