sexta-feira, 19 de setembro de 2025

O MAU CARATISMO PREEXISTENTE

Político não vira corrupto. Corrupto vira político.

Em meio ao turbilhão de notícias que diariamente nos assola, uma em particular tem se destacado, desenhando um cenário que oscila entre o surreal e o cômico, se não fosse tão trágico. O nosso Congresso Nacional, conhecido por sua produtividade seletiva, tem se dedicado a uma missão nobre e urgente: a blindagem. Não, não estamos falando de proteção balística para carros, mas sim de uma couraça impenetrável contra o que eles consideram o maior dos perigos: a punição da Justiça pelos crimes praticados.

A PEC da Blindagem, aprovada com a velocidade de um raio em plenário, é o novo colete à prova de balas dos nossos indigníssimos representantes. Com ela, a impunidade, que já parecia uma convidada permanente em Brasília, ganha status de moradora oficial. A narrativa é tão descarada que beira a piada: "precisamos de estabilidade", "a segurança jurídica é essencial", dizem os defensores, com ares de estadistas.

Traduzindo do juridiquês para o português claro, o que se aprova é uma licença para operar fora do alcance da Justiça. É como se a bancada da bola, em vez de discutir o futuro do esporte, votasse para que pênaltis e faltas graves não resultassem em expulsão, mas em meras advertências.

E, se o Legislativo está empenho em se auto proteger, o Judiciário não fica atrás. De acordo com a matéria do site Gazeta do Povo, o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa corte máxima, data vênia aos pouquíssimos ministros decentes, tem se movimentado para erguer sua própria muralha.

O ministro Gilmar Mendes, conhecido por sua loquacidade e por deferir mais habeas corpus que os outros ministros, acionou o Congresso Nacional para blindar ministros de eventuais pedidos de impeachment. A iniciativa, que visa, de acordo com seus defensores, “equilibrar as forças” entre os poderes, na verdade soa como uma manobra para tornar o tribunal uma ilha inalcançável, um paraíso onde não existem tempestades, e muito menos punições.

É, em síntese, a institucionalização da Ditadura da Toga.

A cena é de um surrealismo espetacular. De um lado, parlamentares se ajoelham para aprovar leis que os tornam intocáveis. Do outro, ministros do STF, que deveriam ser os guardiões da Constituição, manobram para tornar o processo de impeachment uma impossibilidade prática. É uma dança sincronizada, um balé da impunidade, onde cada poder se curva para o outro, em uma cumplicidade silenciosa para garantir que ninguém seja pego com as calças arriadas pela justiça.

O mais chocante é como tudo isso é vendido à sociedade com ares de normalidade. Notícias sobre a blindagem parlamentar e judicial se misturam com a previsão do tempo, com o sobe e desce da Bolsa e com a cotação do dólar, como se fosse algo trivial. Como se fosse comum que aqueles que deveriam ser exemplos de probidade se unam para se manterem acima do bem e do mal.

A mensagem é clara: o povo, que se mate para pagar impostos, enfrentar filas no SUS, e buscar justiça, que eles já têm o seu próprio castelo, com fosso e tudo, para se protegerem do "populacho".

A blindagem, no fim das contas, não é uma novidade na nossa política. O que impressiona é a cara de pau com que ela é implementada nos dias de hoje, sem nem mesmo um disfarce, como se a realidade fosse um filme de comédia pastelão e nós, o público, fôssemos a plateia inocente.

A única coisa que resta é torcer para que essa “paz armada” entre os phoderes não venha a custo de um futuro onde a Justiça se torne uma lenda, algo que existia em um tempo distante e que se perdeu na névoa da impunidade.


O que você pensa sobre a ideia de que a "blindagem" é uma prática comum e aceita na política brasileira, e não uma aberração?

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