segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Bolsa Família é coercitiva; Renda Brasil é constitucional

Agradeço ao destino por ter-me feito nascer pobre. A pobreza foi-me uma amiga benfazeja; ensinou-me o preço verdadeiro dos bens úteis à vida, que sem ela não teria conhecido. Evitando-me o peso do luxo, devotou-me à arte e à beleza.

Jacques Anatole François Thibault (Anatole France) escritor francês


Quando Lula iniciava seu governo, em 2003, o deputado federal, Jair Messias Bolsonaro, disse em discurso proferido na Câmara dos Deputados, que a discussão sobre o auxílio do Estado à população mais pobre entulharia o Congresso Nacional de projetos e que já havia passado da hora de se discutir uma política séria de controle de natalidade:
Já está mais do que na hora de discutirmos uma política que venha conter a explosão demográfica, caso contrário ficaremos apenas votando nesta Casa matérias do tipo Bolsa Família, empréstimos para pobres, vale-gás, etc.

Controlar o nascimento de mais "pobres" era a grande obsessão de Jair Bolsonaro. Em um de seus discursos feito em julho de 2008, ele chegou a atacar a Educação para os pobres afirmando que não acreditava que a educação fosse solução para os problemas do país:

Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos.

No dia 14 de outubro de 2014, em outro de seus discursos, Jair Bolsonaro atacava ferrenhamente o PT por este, em sua concepção, estar criando uma divisão de classes no país e fez a defesa dos mais ricos e atacou as ações "protecionistas" do governo: 

É um Governo que joga ricos contra pobres, como se os ricos fossem os vilões. Temos que lembrar apenas uma coisa: se os ricos deixarem de produzir, os pobres deixam de receber aquilo que o Governo lhes dá em forma de esmola, o que é um crime.

Para Bolsonaro, a continuar aquele estado de coisas, em 2018, o Partido dos Trabalhadores teria tanto eleitor recebendo as migalhas do Bolsa Família, que iria novamente ganhar fácil as eleições:

(...) E detalhe: todos nós estamos no mesmo barco. Não teremos mais eleições livres em nosso País. Teremos em 2018, sim, a homologação das candidaturas, em que o PT escolhe o nome e corre para o abraço, nem faz mais campanhas, porque a base de pessoas pobres que o PT vem criando cresce cada vez mais. A única coisa que eu elogio no PT é que ele realmente gosta de pobres. Quanto mais pobre houver no Brasil, melhor para o PT. (...)

No dia 15 de  agosto de 2019, o presidente Jair Bolsonaro voltava a atacar o Programa Bolsa Família:

Eu lembro que, num debate de 2014, uma candidata bateu no peito e disse que 'no nosso governo 50 milhões de pessoas vivem do Bolsa Família'. Obviamente, muita gente humilde necessitava até disso daí. Mas outra parte, não. Porque não era também estimulada a sair desse tipo de condução coercitiva, vamos por assim dizer.

Nada melhor do que sentir o gostinho do Poder para mudar de ideia radicalmente, especialmente se isto pode significar continuar no poder, em um segundo mandado, que prometeu, na campanha, extinguir, mas que agora não quer nem ouvir falar disso e só trabalha para se reeleger em 2022, mesmo que para isto tenha que aumentar o número de beneficiados da ajuda do governo, já prevendo a inclusão de mais 8 milhões de beneficiários no Bolsa Família. Ops! Renda Brasil e, de preferência, constando na Constituição Federal como Programa de Governo, não somente reelegendo o clã Bolsonaro, mas eternizando o "padastro dos pobres"

Brasília - O governo federal negocia a inclusão no texto da Constituição os principais conceitos do Renda Brasil, programa social que vai substituir o Bolsa Família. O líder do governo no SenadoFernando Bezerra (MDB-PE), informou que o objetivo é garantir o direito a uma renda mínima a todo cidadão brasileiro.

Bezerra antecipou que a ideia é incluir os conceitos do Renda Brasil no parecer do senador Marcio Bittar (MDB-AC) sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do pacto federativo, que traz medidas para cortar despesas e abrir espaço no teto de gastos, o mecanismo que atrela o aumento das despesas à inflação;

"Assim como nós colocamos na Constituinte de 88 o SUS (Sistema Único de Saúde), vamos assegurar a renda mínima", afirmou. (O Dia - 13 set. 2020)

Nada melhor do que o gosto pelo Poder!

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