Voltaire
Lá, em 1918, o presidente da República eleito, Rodrigues Alves, que era portador de anemia crônica provocada pela falta de vitamina B12, contraiu a gripe espanhola e veio a óbito antes que pudesse assumir o cargo presidencial. Em seu lugar tomou posse, interinamente,
o vice-presidente eleito Delfim Moreira, até que fosse organizada novas eleições.Acontece que Delfim Moreira tinha uma doença psiquiátrica seríssima. Não se sabe ao certo qual era a doença do presidente, mas se presume que o quadro de senilidade precoce foi motivado por arteriosclerose prematura ou sífilis terciária. Ele não conseguia se concentrar em suas atividades e quem, na prática tocava o governo era o ministro da Viação, Afrânio de Melo Franco, que chegou a ser chamado de “primeiro-ministro do Brasil”.
Segundo artigo da Folha dos Lagos, "Delfim Moreira assinava documentos sem ler, ficava espiando políticos e autoridades nacionais e estrangeiras por trás das portas do Palácio do Catete e debochava dos seus assessores durante as reuniões ministeriais.
Reza a lenda que Rui Barbosa e um jornalista foram visitar o presidente certo dia e ficaram aguardando por mais de uma hora. A porta do gabinete foi, várias vezes, levemente aberta e fechada e o Presidente ficou a espiá-los, sem a eles se dirigir. Entristecido, Rui teria declarado: “O Brasil é mesmo um país muito estranho. Até um louco chega a Presidente e eu, são e no gozo de minhas faculdades mentais, não posso”. (...) o tempo mostrou que o Presidente estava “com debilidade gritante”, a ponto de o general Dantas Barreto afirmar ser “tão notória a incapacidade mental de Delfim, que não a ocultavam nem mesmo os que tinham de fazê-lo por conveniência política”.(Folha dos Lagos. 21 abr. 2020)
As semelhanças não param em se ter atualmente um louco na Presidência da República, incapacitado para o exercício de suas obrigações, pelos fantasmas em relação às eleições de 2022 e de uma futura ida para a prisão, depois do tanto que facilitou ao Centrão estuprar os cofres públicos.
O Brasil ainda era quase um laboratório para os caixeiros viajantes e vendedores de garrafadas e poções milagrosas. E isto, sem qualquer problema e até com publicações nos jornais.
No lugar da Cloroquina do Dr. Bozo, em 1918 se vendia "garrafadas" com tudo que era porcaria que alguém falasse que curava a gripe espanhola. Por parte do governo havia o apoio para se difundir o uso do Quinino como remedinho milagroso e que resolvia o problema. O preço dos medicamentos e xaropadas foi para as alturas e muita gente ganhou muito dinheiro com a venda de medicamentos que não surtiam qualquer efeito.
Durante a pandemia,
pessoas chegaram a recorrer a santos que fossem antipestosos para aplacar a
cólera divina. Entre os mais notórios estavam São Roque e São Sebastião,
evocado fervorosamente nos cultos religiosos, para o qual, no dia 27 de outubro
de 1918, teve uma imensa procissão no Rio de Janeiro por convocação da Igreja
Católica para por fim à epidemia.
Hoje, os evangélicos é que estão na linha de frente, puxados por pastores milionários que não querem perder o Dízimo dos fiéis e vendem água benta, feijão milagroso e curam a covid-19 ao vivo e em cores, com a inestimável ajuda de artistas, que fingem serem curados milagrosamente.
A população, diante do desespero provocado pelas mortes que se avolumavam, passou a recorrer a qualquer coisa que alguém afirmasse ser eficaz contra a gripe. Uma iniciativa caseira era uma receita de suco de limão com cachaça que, na visão de seus adeptos, seria o remédio mais eficiente para a cura, embora isso não contasse com o apoio da Medicina. Em São Paulo, o suposto ‘remédio’ caseiro ganhava outros ingredientes, além da cachaça com limão: alho e mel. Como acontecia com outros produtos, o preço do limão não foi poupado pela carestia e logo seu preço disparou e a fruta passou a ser rara nas bancas das feiras e mercadinhos e, quando tinha, “custava o olho da cara”.
Mas, acreditem ou não, foi dessa terapêutica criada em São Paulo, que afirmam alguns historiadores- com divergências –que teria surgido a nossa tão prestigiada caipirinha. Originalmente, a bebida ou o “remédio”, que era utilizado como um xarope para combater a gripe espanhola, acabou virando uma bebida popular. Assim, após passado o caos, as pessoas continuaram bebendo o tal remedinho e, progressivamente, foram trocando os componentes. O mel deu lugar ao açúcar, que amortecia melhor a acidez do limão e o alho foi retirado da “fórmula”, com a inserção do gelo, para ficar mais ingerível. Estava, enfim, criada a receita da bebida mais famosa do país, que se tornaria patrimônio cultural, histórico e imaterial brasileiro.
Viva a caipirinha e abaixo os loucos da Presidência da República.



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