quarta-feira, 16 de junho de 2021

A farsa do acordo do Brasil com a NASA para exploração da Lua. Mais um engodo para idiotas bolsonaristas.

MAPA GEOLÓGICO DA LUA - 2020

Explorar as riquezas minerais da Lua e de asteroides que circulam por nossa galáxia é algo previsto há muito, mas se tornou uma obsessão quando o potencial geológico de nosso satélite natural, finalmente, ficou pronto.

E, por mais incrível que possa parecer, um dos itens mais valiosos presentes na Lua é a poeira que cobre sua superfície, da qual se poderá extrair o hélio-3, que é, basicamente, uma forma isotópica não radioativa do gás hélio com dois prótons e um nêutron em seu núcleo atômico, que existe em abundância na poeira lunar e que será a energia do futuro, tanto na alimentação dos reatores a fusão nuclear, quanto em motores a fusão nuclear para naves espaciais em viagens para outros mundos.

A China, isoladamente, está muito avançada na pesquisa destes reatores a fusão nuclear e o Consórcio ITER formado também por China, União Europeia, Índia, Japão, Coréia, Rússia e Estados Unidos, combinaram recursos para conquistar uma das maiores fronteiras da ciência - reproduzir na Terra a energia ilimitada que abastece o Sol e as estrelas. A previsão é que em dezembro de 2025 o Consórcio ITER consiga produzir o primeiro Plasma em seu reator experimental, com a operação de um reator comercial previsto para 2035.

O que isto tem a ver com o acordo assinado entre o Brasil e a NASA? Nada e tudo! Veja: está em vigor, desde 1967, o Tratado do Espaço, que regula as atividades dos Estados na exploração e uso do Espaço Cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes, pelo qual, todos os Estados podem explorar a Lua e demais corpos celestes em pesquisas científicas e não pode se apropriar de qualquer destes objetos celestes.

Diante deste impeditivo, os Estados Unidos, que é signatário do Tratado, mas não concorda hoje com seus termos e não pode fazer nada para mudá-los, propôs o Acordo Artêmis, que permitiria se juntar a outros países (NASA e outras Agências Espaciais) para explorar as riquezas da Lua e quanto mais países aderirem a isto, mais legitimidade os Estados Unidos teriam para levar seu projeto avante.

Na prática, o Brasil, ao assinar este Acordo com a NASA apenas está dando cobertura para que os Estados Unidos burlem o Tratado do Espaço e o Acordo da Lua, o que a China e a Índia também irão fazer por conta própria.

No máximo, o Brasil poderá investir alguns milhões de dólares para mandar algum trabalhador para extrair ouro e platina para os norte-americanos e investir em formação de astronautas, que não passa de dinheiro perdido, como foi o caso do ministro Marcos Pontes, que tão logo retornou da ISS pediu para ir para a Reserva para poder cobrar por palestras, dando uma banana para a Aeronáutica, que o manteve 10 anos na NASA e ainda pagou 10 milhões de dólares para ele ir à Estação Espacial Internacional plantar feijões no algodão.

O próprio representante dos EUA na solenidade de assinatura do Acordo Artêmis fez questão de afirmar que tal acordo não é vinculante, ou seja, seu país não tem qualquer obrigação ou compromisso com o Brasil estar com pessoal na Lua. Cada um que se vire!

Desde que Bolsonaro tomou posse nada andou na área espacial brasileira; os projetos foram enterrados no nascedouro, as verbas minguaram e não há nada em perspectiva para os próximos anos. O único projeto mais promissor, o foguete suborbital VS-50, teve seus dados colocados em sigilo, depois da FAB ter gasto uma fortuna com a Avibrás e, como vai ter de gastar ainda muita grana neste projeto, também decretou dispensa de licitação para contratações futuras de serviços.

Quer saber toda a história da ciência espacial no Brasil e onde estancamos? Leia meu livro recém-lançado: "Desafios de Ícaro: a contribuição do Brasil para a Ciência Espacial". Em cima...

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