quarta-feira, 2 de junho de 2021

Sancho Pança e a caricatura de um governo genocida


Aquele que procura ser igual ao outro será sempre uma mera caricatura.

Valdeci Alves Nogueira

As cortinas do palácio são abertas... (aplausos e muitas, muitas vaias e gritos ensandecidos: sai daí genocida miliciano, vai trabalhar).

Depois de algum tempo, o silêncio.

- Pazuello, Ô Pazuello! Onde, meu Deus

se enfiou este meu general? A gente ia dar uns treinos de como mentir na Sindicância aberta pelo "meu Exército" e agora ele some. Vou olhar ali...

Toc. Toc. Toc.

- Quem bate?

- Fica em paz Pazuello, que eu não sou o lobo mau. Sou imbroxável, mas já sou comprometido com o Lira, com o Collor, com o Toffoli e outros aí que ficam me namorando.

- Só um momento chefe. Estou dando fim a esta ordem unida e já vamos conversar.

- Cinco minutos Pazu, senão o Carluxo perde a paciência e manda uns tiros no zap contra você.

- Pronto chefe. Manda vê.

- Meu general, o problema não é muito grave, vai por mim, mas vai ter de mentir sem tremer. Tem uns caras nesse meu Exército que são meio tinhosos e vão querer pegar pesado com você. Sem duplo sentido! Você até que está fofinho...

- Vamos lá, meu chefe varonil.

- Menos, menos. 

- Manda chefe, que eu estou ansioso para ouvir seus conselhos. Com certeza, sairei mais bem preparado para mentir ouvindo a voz da experiência e não aquela turma de Marketing que me treinou para ir na CPI da Cloroquina.

- Você estava bem na CPI. Disse tudinho que foi mandado dizer; cada mentira, cada elogio ao chefe. Eu rolei de rir.

- Os elogios foram sinceros chefe. Afinal de contas,...

- Tá bom, mas vamos aos fatos. A história você já conhece, mas é preciso saber como me safei da degola do Leônidas [ministro do Exército] que queria minha cabeça na bandeja e mandou o Conselho de Justificação me ferrar. Eu, que não era nada bobo..

- E não é...

- Não me interrompe senão eu perco o raciocínio. Ando com a cabeça cheia de tanta coisa, que até perco o sono à noite. Fico vendo o cachaceiro do Lula em cada canto do Alvorada. Acho que é por isso que o Temer não quis morar aqui; ele devia ficar vendo o Joesley Batista com um gravador na mão o tempo todo...

Bom, continuando. A revista Veja, em 85, fez uma reportagem denunciando que eu estava planejando soltar bombas nos quartéis e na Adutora do Guandu e aí foi um reboliço. Eu, que já tinha pegado uma cana de 15 dias por ter escrito e assinado uma artigo na Veja canalha, não podia falar a verdade e disse que tudo era invenção da repórter e, para parecer que minha mentira era a verdade, não aceitei ser defendido por um advogado e eu mesmo fiz a minha defesa.

No final, o Conselho não engoliu minha conversa, mas o Tribunal Militar me julgou e me absolveu. Afinal de contas, eu estava lutando pelo salário de todo mundo e dos juízes que me julgaram também. No seu caso, alguns quatro estrelas aí vão querer te mandar para a Reserva ou manchar a sua ficha, mas aí, eu tenho poder e, com a minha BIC, desfaço a merda.

Mas você tem de estar afiado para repetir sempre a mesma coisa. Vamos lá, preste atenção:

- Você tem de dizer que não sabia que aquela manifestação era política. Diz que você viu tanto motociclista, que achou que era alguma convenção social dos entregadores de quentinha comemorando com o presidente o aumento dos preços dos alimentos e do frete;

Seja firme ao dizer para eles:

- Eu não faço política; nem sou filiado a qualquer partido;

- Foi tudo uma tremenda coincidência. Eu fui ao Rio de Janeiro para visitar uns parentes e, de repente, fiquei sabendo da presença do Bolsonaro por lá e fui cumprimentá-lo;

- Eu só falei "abraço galera", "abraço galera" e meu tempo já tinha acabado. Não tem nada de política nisso. O "tamo junto" é vício de conviver com uns e outros no Planalto e dizer que o PR é gente boa, não é fazer política. Não falei mais nada. Sou inocente.

- zzzzzz "@xz$%m" zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

- O que? Você dormiu enquanto eu falava? E ainda xinga dormindo?

- Desculpe PR. Vamos lá, você manda e eu obedeço.

- Não tem problema, não vou fazer nada mesmo...

(Bernardino Coelho da Silva é pesquisador, escritor e, nas horas livres, ferrenho adversário de corruptos, genocidas e milicianos)

O Carluxo nunca conseguiu superar o Complexo de Édipo

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