sexta-feira, 29 de setembro de 2023

PACIFICAÇÃO QUE FAZ MAL AO JUDICIÁRIO E AO PAÍS


Oh! Que formosa aparência tem a falsidade!

William Shakespeare (1564-1616) foi dramaturgo e poeta, reconhecido como o maior dramaturgo de todos os tempos.

Uns dizem que mais parece briga de colegiais, rolando na poeira depois de prometerem o famoso “te pego lá fora”, mas, o local não é muito apropriado para este tipo de arroubo juvenil, pois se trata do Plenário do Supremo Tribunal Federal.

Outros afiançam que se deve deixar pra lá, pois “aquilo ali é briga de cachorro grande”; fazendo o famoso “finge que não viu”.

O fato é que não se trata nem de uma coisa nem de outra e o grande perdedor de todas as rusgas que, volta-e-meia surgem no Plenário, nos corredores e no “cafezinho” do Supremo Tribunal Federal é a própria imagem da instituição, enlameada por agressões entre ministros, que quase chegam às vias-de-fato, quando deveriam ser exemplos de ética, moral e honestidade intelectual, pelo menos.

Entretanto, sabemos que a Corte Suprema é uma instância mais política do que jurídica, formada por indicados e sabatinados por políticos, às vezes, sem base intelectual e ética para ser alçado ao posto de ministro de um Tribunal Constitucional.

Além disso, é fartamente sabido que alguns ministros foram indicados ao cargo com a única missão de desempenhar um papel bem diverso do que deles espera a sociedade: libertar seus corruptos de estimação e trabalhar para engessar a Justiça e as investigações policiais contra os políticos do grupo que representam e pelos quais chegaram ao Poder.

E o protagonista maior dessas discussões acaloradas e, não raras vezes, que provocam a suspensão da sessão de julgamento, é o ministro Gilmar Mendes. Sobre isso, assertivamente disse o ministro Barroso: “(...) Vossa Excelência está sempre com ódio de alguém, sempre com raiva de alguém”.

E sempre é assim: vossa excelência pra lá, vossa excelência pra cá, e o pau come solto, e as línguas e mentes contaminadas pelo ódio e pela vaidade que graça o recinto da Suprema Corte, deixam fluir pelos quatro cantos do mundo, via TV Justiça, o lado mesquinho, arrogante - e, por que, não? -, criminoso daqueles que deveriam agir como atores do equilíbrio da República.

Relembre os mais espetaculares – no mau sentido, é claro -, embates travados pelo ministro Gilmar Mendes e outros de seus pares no Supremo. Esta é somente a parte visível do que ocorre naquela Corte de Justiça, onde os semideuses do Olimpo se digladiam em nababescos recintos, que transcendem o que os reles mortais jamais terão acesso nem em delírio.

Gilmar Mendes brigou com ‘deuses’ e o povo, mas o mais marcante mesmo foram algumas de suas rusgas com o ministro Luis Roberto Barroso, que não levou desaforo para casa:

- Vossa Excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, isso é Estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário.

- Me deixa de fora desse seu mau sentimento; você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia. Isso não tem nada a ver com o que está sendo julgado. É um absurdo, Vossa Excelência vir aqui fazer um comício cheio de ofensas, grosserias. Vossa excelência não consegue articular um argumento, fica procurando, já ofendeu a presidente, já ofendeu o ministro Fux, agora chegou a mim. A vida para Vossa Excelência é ofender as pessoas, não tem nenhuma ideia, nenhuma, nenhuma, só ofende as pessoas.Só ofende as pessoas, ofende. Qual a sua ideia? Qual é a sua proposta? Nenhuma; nenhuma. É bílis, ódio, mau sentimento, mal secreto. É uma coisa horrível. Vossa Excelência nos envergonha; você é uma desonra para o tribunal. Uma desonra para todos nós. Um temperamento agressivo, grosseiro, rude. É péssimo isso. Vossa Excelência, sozinho, desmoraliza o tribunal. É muito ruim. É muito penoso para todos nós termos que conviver com Vossa Excelência aqui. Não tem ideia, não tem patriotismo, tá sempre atrás de algum interesse que não é o da Justiça. Uma coisa horrorosa. Uma vergonha.

Constrangimento. É muito feio isso. Esse é o Supremo Tribunal Federal.

Estes foram apenas dois exemplos do que disse Barroso em relação e Gilmar Mendes. Será que, depois de tudo, este abraço sela alguma pacificação. A não ser que isto apenas sinalize que eles passarão a brigar somente lá fora, longe dos holofotes da TV Justiça.

Gilmar Mendes, em qualquer hipótese, continuará agindo com canalhice, pela convicção que ele tem de que precisa desestruturar o sistema judicial para não ser pego pelos crimes de responsabilidade cometidos e fartamente expostos.

Judas antes de vender Jesus por 30 dinheiros também o abraçou e o beijou na face, chamando-o de mestre.

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário