A Eldorado Brasil Celulose, situada
em Três Lagoas (MS), é parte do império dos irmãos Batista e foi colocada à
venda, em setembro de 2017, juntamente com outros ativos do Grupo J&F, depois que Joesley e
Wesley Batista deixaram a prisão, após negociarem um Acordo de Delação (Hiper) Premiada com a
Procuradoria-Geral da República.
Este é mais um dos negócios do grupo
alavancado com dinheiro estatal e à custa de muita propina e que também foi objeto de
diversas operações da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público
Federal (veja abaixo).

Só
de empresas do Grupo J&F, segundo planilha entregue ao Ministério Público
Federal, por Joesley Batista, o operador de propinas Lúcio Funaro recebeu cerca de R$ 170
milhões de Comissão Ilícita (propina).
- “O Funaro é o operador
financeiro do Eduardo Cunha [ex-presidente da Câmara dos Deputados] do esquema
do MDB na Câmara dos Deputados, composto pelo presidente [da República] Michel
[Temer], mais o Eduardo, enfim, e alguns outros membros”, disse Joesley Batista
em depoimento ao Ministério Público Federal. “Ele [Funaro] sempre dizia: "Eu
falo em nome do Eduardo e Eduardo é da turma do Michel
[Temer]", afirmou o
empresário aos investigadores.
Pois
bem, depois Joesley Batista se negou a entregar os 100% de participação
acionária da Eldorado Brasil Celulose ao comprador Paper Excellence, conforme
foi pactuado entre as partes.
Inconformada, a Paper
Excellence provocou a Justiça de São Paulo, que decidiu que a disputa entre a
J&F e a Paper Excellence deveria ser resolvida em Arbitragem e que as
partes não poderiam vender suas participações na Eldorado Brasil Celulose antes
do início do processo.
Então, o imbróglio foi parar
no Tribunal Arbitral da Chamber Of Commerce (ICC), para o qual a J&F e a
Paper Excellence indicaram cada qual um árbitro e as duas empresas acordaram em
torno de um nome para dirigir o processo de Arbitragem. Aí, já estávamos em
2019. Quase dois anos depois, o Tribunal Arbitral decidiu, por três votos a
zero, que a razão estava com a Paper Excellence e que a J&F deveria
entregar o restante das ações.
Aí, foi a vez de a J&F
buscar a Justiça para tentar reverter a decisão da Arbitragem. E isto rola de juiz
em juiz, numa confusa orquestração comandada pela Paper Excellence e pela
J&F. Cada qual com as armas que consegue. Aí, então, é que entram em campo os
advogados-consultores: a Paper Excellence contratou Michel Temer e João Dória
Jr., enquanto a J&F, além do batalhão de advogados e especialistas,
contratou o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski.
Neste momento, a 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo está em fase final de decisão. Dois votos já proferidos pela Turma rejeitam o Recurso da J&F, mas o julgamento foi suspenso por pedido de vista de um desembargador. Como a turma é de três, se ele votar seguindo o relator, será negado o Recurso, mas se ele votar de forma divergente, outros dois desembargadores serão convocados para se juntarem à turma, para análise do processo e para votar, já que a matéria exige maioria qualificada de votos (3/5).
Não é a primeira decisão;
outras já ocorreram, mas ao que parece, a J&F quer levar esta demanda até o
Supremo Tribunal Federal e, por isso e outras, os irmãos Batista contrataram, a
peso de ouro, o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que poderá fazer um belo
parecer auricular em seus velhos companheiros.
Do outro lado do ringue
estão dois pesos pesados da Política: Michel Temer e João Dória e com a mesma
estratégia, só que contratados pela Paper Excellence.
Eu escrevi o livro “Widjaja: o dragão de Komodo”, que conta
tim-tim por tim-tim todas as falcatruas que envolvem a Eldorado Brasil Celulose
e sua venda para os indonésios, que nada têm de melhor. E, por isso, estou
sendo processado por eles; já respondi à Carta Precatória da Justiça de São
Paulo e aguardo no que vai dar. Enquanto isto, continuo dando umas pauladas
nesta turma de trambiqueiros.

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