segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Ricardo Lewandowski: um ministro do barulho!

Os juízes decidem com base em suas próprias satisfações e ouvem com parcialidade, rendendo-se aos contendores [se ricos e poderosos] em vez de julgá-los.

Aristóteles (384-322 a. C) filósofo grego e discípulo de Platão

No meu livro “Operação Lava-Toga: deu a louca em Zeus!” eu citei trecho de um artigo de “O Antagonista”, que relatou como o advogado Ricardo Lewandowski foi alçado pelo presidente Lula ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o historiador e comentarista político, Marco Antônio Villa, Enrique Ricardo Lewandowski foi indicado a Lula pelo amigão Laerte Demarchi, do restaurante Frango com Polenta, de São Bernardo do Campo, com quem o petista viajava, pescava e fazia caminhadas e no restaurante do qual o então sindicalista comia de graça. Em 2012, a revista Época confirmou esta história, quando publicou matéria falando sobre os amigos de Lula, que compreendiam Luiz Marinho, Lewandowski e Demarchi. E Época afirma: “A família Demarchi se orgulha de ter sugerido o nome de Lewandowski quando surgiu uma vaga no Supremo. ‘O único favor que pedimos ao Lula, que foi meu irmão Laerte [ex-vice-prefeito de São Bernardo] quem pediu, foi para que ele colocasse o Ricardo como ministro’. O Lula falou: ‘Tudo bem’”. E prossegue: Agora que a Lava Jato investiga o elo entre Lula, José Carlos Bumlai e Laerte Demarchi, o que vai dizer o presidente do STF, indicado para o cargo pelo próprio Laerte Demarchi? Tudo bem!

Disponível em: https://www.oantagonista.com/brasil/o-presidente-do-stf-foi-indicado-pelo-parceiro-de-bumlai/. Acesso em: 11 set. 2019.

Ricardo Lewandowski correspondeu fielmente aos anseios do Partido dos Trabalhadores, desde que foi o revisor da Ação Penal 470 (Mensalão), que teve o ministro Joaquim Barbosa como relator. O Brasil inteiro acompanhou a contenda entre os dois ministros, com Lewandowski fazendo de tudo para tentar inocentar a bandidagem petista.

Ricardo Lewandowski conduziu magicamente o processo de Impeachment da presidente Dilma Rousseff e conseguiu rasgar a Constituição Federal para deixá-la com os Direitos Políticos válidos, apesar de seu impedimento e da não previsão de votação em separado, já que a perda de direitos políticos é automática.

Ricardo Lewandowski teve grande atuação, ao lado de Gilmar Mendes e Dias Toffoli, na 2ª Turma do STF, numa cruzada sem precedentes para livrar da prisão, grandes corruptos de colarinho branco, membros do PT e corruptos ligados ao PSDB, de Gilmar Mendes. Além disso, foi voz firme contra a prisão depois da condenação em Segunda Instância.

Ricardo Lewandowski determinou, em liminares, no dia 13 de março de 2023 - às vésperas de se aposentar -, a suspensão, em relação a seis réus diferentes, de cinco ações penais abertas a partir da Operação Lava-jato com base em provas de delatores da Odebrecht. Dentre os beneficiados estava o ex-ministro de Minas e Energia, o ex-senador Edison Lobão (MDB-MA), reconhecido corrupto.

Membros da família de Lobão também foram abrangidos pelas decisões: seu filho, empresário e ex-presidente da Brasilcap — braço de planos de capitalização do Banco do Brasil —, Márcio Lobão; e sua nora, esposa de Márcio, a advogada Marta Martins Fadel Lobão.

Engraçado que neste bolo também estava o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran, livre de acusações e agora testemunha contra o ex-juiz Sérgio Moro. Como são as coisas no STF: provas legítimas são anuladas e testemunho de bandido serve de prova para perseguir o ex-juiz da Lava-Jato... Este é o Brasil da Corrupção!

Ricardo Lewandowski, com estas decisões absurdas, abria caminho para o que viria ser feito pelo ministro Dias Toffoli: considerar imprestáveis todas as provas contra corruptos de largo calibre, com base nas provas levantadas contra a Odebrecht, que nada têm de errado, mas que não tem nenhuma instância acima do STF para frear o show de horrores protagonizado por alguns de seus ministros.

Ops! Até que tem instância superior: o Senado Federal, mas lá tem tanto corrupto com rabo preso com o STF e seguros de que também terão seus processos anulados ou prescritos em gavetas bem guardadas da Suprema Corte, que nada é feito para barrar a criminosa sanha de alguns ministros em defesa de seus corruptos de estimação.

Ricardo Lewandowski, no dia 22 de março de 2023, teve um encontro reservado com Lula, em Recife, para informá-lo de sua decisão em antecipar sua aposentadoria e, claro, prestar conta a Lula sobre sua decisão de aceitar, ato contínuo, sua contratação para tratar de interesses do Grupo J&F, dos irmãos Batista, onde vai ganhar mais dinheiro do que em toda a sua vida de advogado e ministro do STF.

Ricardo Lewandowski deixou o Supremo em abril de 2023 e foi diretamente para São Paulo se encontrar com seus novos patrões: Joesley e Wesley Batista. Sua função, no poderoso grupo industrial é de “consultor sênior”, em apoio ao grupo de advogados, que atendem a conta J&F.

Do outro lado da bilionária contenda com o grupo Paper Excellence - pelo controle da Eldorado Brasil Celulose -, estão dois pesos pesados da política paulista: o ex-presidente Michel Temer e o ex-governador de São Paulo João Dória, assessorando os escritórios de Advocacia que defendem o grupo de celulose da Indonésia, que assinou um contrato de compra da Eldorado Brasil Celulose e até agora somente levou 49% das ações e briga na Justiça para que os irmãos Batista honrem com o contrato e transfiram os restantes 51% para a Paper Excellence.

Ricardo Lewandowski também atuará em outra batalha da JBS, que é conseguir reduzir a multa do Acordo de Leniência assinado com a PGR, no valor de 10,3 bilhões de reais. Os irmãos Batista que reduzir 6,8 bilhões deste montante.

Mas todos nós sabemos que não se ganha ações deste vulto apenas porque o Ricardo Lewandowski fez um parecer a mais, ou que o Michel Temer e o João Dória fizeram pareceres em defesa da Paper Excellence. Isto só será resolvido a favor de quem tiver maior cacife para convencer juízes a darem decisões favoráveis aos cowboys goianos, mesmo ferindo a lei.

E, sem dúvida, tudo isto é em troca de muito dinheiro. E a coisa vai chegar até o Supremo. Aí, a vantagem poderá estar ao lado de Ricardo Lewandowski, que terá a oportunidade de acionar seus reis, rainhas e bispos, apoiados por peões de gabarito, para distorcer os fatos e dar a vitória definitiva à família Batista.

Poderá demorar uns anos a mais, mais o dim-dim estará caindo farto todos os meses.

Viva a (in) Justiça Brasileira!

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