O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.
Barão de Itararé (1895-1971), título de Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, foi um jornalista, escritor e humorista político brasileiro.
Crédito: O Globo. Opinião. Carlos Alberto dos Santos Cruz. 18 dez. 2021
A corrupção é o câncer brasileiro. Não só é crime organizado, como institucionalizado. Os mecanismos de defesa da corrupção ao longo da história criaram uma tolerância descabida à prática do roubo do dinheiro público. Naturalizaram o "rouba mas faz"'. Criaram a crença de que "é assim mesmo", de que "não é possível governar" sem fechar os olhos ao roubo do povo brasileiro. As vítimas da corrupção não têm "cara"? Têm sim. Cada vítima tem um rosto. É rosto de cada um de nós, principalmente dos mais desfavorecidos.
A corrupção e seu suporte histórico precisam ser atacados: privilégios imorais, foro privilegiado, mau funcionamento da Justiça, impunidade, prisão em segunda instância, progressão de pena, etc. O enraizamento da cultura da corrupção e seus mecanismos na sociedade conseguem sempre colocar na prioridade um outro problema mais urgente. A própria corrupção produz um problema mais urgente do que ela para poder se perpetuar. É a estratégia para que nunca fique em primeiro lugar na lista de problemas a resolver.
Em consequência de vícios históricos e outros problemas circunstanciais, hoje a prioridade do Brasil é resolver o problema do auxílio aos necessitados, do desemprego! Essa é a emergência! Não quer dizer que outros problemas não sejam urgentes, até porque são eles que sustentam i ciclo de fome, miséria, falta de qualidade no serviço público, ensino, saúde, etc.
Nos últimos anos, o fanatismo político veio se somar ao câncer da corrupção, deixando o país mais doente ainda. Fanatismo e extremismo, sejam de "direita, esquerda ou centro", permitem manipular a opinião pública. O fanatismo e a corrupção toleram privilégios, protegem o foro privilegiado, sustentam a impunidade, promovem aparelhamento e a desmoralização das instituições. Nesse contexto viceja toda sorte de crime: corrupção, mensalões, petrolões, roubo de fundo de pensões, orçamentos secretos, viagens e "festas" com dinheiro público, controle de áreas e atividades pelo crime organizado e pelas milícias. etc. Os fanáticos intoxicam a população, manipulam a opinião pública, espalham fake news, desinformam, assassinam reputações, fabricam falsos mitos, cultuam personalidades, fazendo crer que precisamos de "salvadores da pátria". Não precisamos! O Brasil precisa é de instituições fortes, de união, de solução dos problemas nacionais.
O Brasil não aguenta mais governantes mentirosos, traidores de seu próprio discurso, estelionatários eleitorais, covardes, corruptos, despreparados, que não assumem a responsabilidade de suas funções.
O Brasil não pode ser governado em viciados com dinheiro público, apoiados em milícias digitais e gangues virtuais, que consideram os brasileiros um povo idiota. Basta de governos que promovem a desunião e divisão social em busca de projetos de poder pessoal, familiar, de grupos e partidos! O brasileiro não é estúpido e não se deixará arrastar para a mediocridade de uma campanha eleitoral suja e rasteira, baseada em mentiras, fake news e desinformação.
O fanatismo sempre leva à violência e ao desrespeito. Está deteriorando e infectando relações pessoais, sociais e familiares. Está destruindo amizades por causa de governantes que não têm princípios nem compromisso com ninguém nem com nada, que serão temporários seja em dez meses seja em quatro anos e dez meses, mas temporários de qualquer modo. O prejuízo ficará para as famílias, instituições, amigos e o povo brasileiro... A vigarice seguirá em frente, na busca incessante da impunidade.
O Brasil não pode continuar na mão de aventureiros sem projeto de Brasil se dizendo patriotas e "salvadores da pátria". Patriota é todo cidadão que ama que ama seu país e leva vida decente, e não um pequeno bando de viciados em dinheiro público, benesses funcionais e foro privilegiado. O Brasil precisa de união. Precisa rejeitar os extremistas e a polarização, repudiar o show político que tenta encobrir o despreparo e a incompetência. O Brasil tem de dizer "não" à armadilha do populismo, do embuste e da polarização. O Brasil não pode continuar sendo vítima da corrupção e do fanatismo. A eleição é o remédio democrático para essas duas doenças.
A sociedade precisa exigir uma campanha com propostas de soluções, e não aceitar um show político populista, baseado numa indústria de fake news e demagogia.
(Carlos Alberto dos Santos Cruz. Militar da Reserva e engenheiro civil).
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