Toma peter pan, um lexotan para que tanto amor não te enlouqueça...
Guinga e Aldir Blanc, autores de letra e música da canção "Valsa para Leila [Pinheiro]"
Nesta terça-feira (14/12), um áudio divulgado pelo jornalista Guilherme Amado, do site "Metrópoles" expôs o general Augusto Heleno (74 anos), ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ligado diretamente ao Gabinete da Presidência da República, fazendo duros ataques ao Supremo Tribunal Federal. O ministro, que é um dos aliados mais próximos ao presidente Jair Bolsonaro (PL), diz que tem tomado Lexotan "na veia" diariamente e, assim, não levar o chefe do Executivo a "uma atitude mais drástica", que seria a de fechar o STF, o que faz soar, mais uma vez, o alarme da Sociedade, que não aceita mais uma ditadura no Brasil.
Há muito o general Heleno deixou de lado a sua certeza de que o Centrão é tudo de ruim que existe na política brasiliense, desde que seu chefe decidiu que "casar com o Centrão" - entregar a chave dos cofres públicos para a bandidagem de colarinho branco - lhe asseguraria permanecer no cargo que, dia após dia, Bolsonaro insiste em jogar na lata do lixo.
A frase cantada pelo general Augusto Heleno, em 2018, durante Convenção do PSL, que lançou Bolsonaro à Presidência da República "Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão" ficou apenas na retórica, assim como todas as promessas feitas pelo presidente de combater a corrupção.
Heleno também abandonou a ideia de que o combate à corrupção, que defendeu no Plano de Integridade GSI 2020-2021 e assinado por ele em janeiro de 2020, exigia a transparência do governo.
É com esta percepção que a Alta Administração do GSI se compromete com os valores, as medidas e os compromissos trazidos nesse Plano de Integridade, na sistematização de um esforço conjunto de combate às práticas de fraude e de corrupção, buscando-se impulsionar a promoção da ética e da probidade em todas as atividades da gestão pública, o que gerará o aumento da confiança da sociedade na atividade da Segurança Institucional.
Tudo neste governo passou a ser sigiloso...
Muitos jornalistas disseram que o ministro-chefe do GSI falou em tomar Lexotan "na veia" não de forma literal - mesmo porque esta não é uma das formas de administrar tal "tarja preta" -, mas, apenas como expressão de que ele tem sofrido muita pressão para manter Jair Bolsonaro "dentro das quatro linhas" da Constituição, não tomando ação de força contra o Supremo Tribunal Federal, como se isto fosse possível nos dias atuais.
Para mim, no entanto, esta expressão dita pelo general Augusto Heleno pode ser traduzida por um dos efeitos colaterais do Lexotan, que é a perda de memória. Ele foi obrigado, para manter sua boquinha no Planalto, a esquecer que o Centrão só quer saber de desviar dinheiro dos cofres públicos e não ajudar a administrar o país.
E lançou ao esquecimento a musiquinha cantarolada sob aplausos dos idiotizados de Bolsonaro, que acreditavam em suas promessas.
Ele também esqueceu do que escreveu como preâmbulo do Plano de Integridade GSI 2020-2021, quando citou que a atuação do GSI demandaria a "sistematização de um esforço conjunto de combate às práticas de fraude e de corrupção."
Até o presidente da República Jair Bolsonaro já confessou que tem corrupção em seu governo, numa estratégia para orientar seus idiotizados a construírem uma narrativa de aceitação de tal crime em prol da governabilidade, a mesma estratégia usada por Lula e Dilma para justificarem o Mensalão e o Petrolão.
O general Augusto Heleno parece ter encarnado a figura lendária do soldadinho de chumbo. Apaixonado pela bailarina de papel, mesmo sendo alertado de que poderia ser a sua ruína, o soldadinho de 'uma perna só' acabou sendo consumido pelas chamas.
O conto de fadas do dinamarquês Hans Christian Andersen parece servir de paradigma para a história palaciana do amor incontido do general Heleno pelo cargo que ocupa, embora ele já tenha sido advertido ao extremo de que acabará sendo consumido pelas chamas quando chegar 2022. E não conseguirá salvar a bailarina-presidente, que também terá o mesmo e triste destino, virando, talvez, apenas mais um mito, para os saudosos da Ditadura continuarem com sua sanha em derrotar a Democracia e instaurar um regime de força, onde eles seriam os novos mandachuvas do pedaço.
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