domingo, 19 de dezembro de 2021

O "comunavírus" tenta sobrevida em governo miliciano

A diplomacia é um jogo de xadrez em que os povos levam xeque-mate.

Karl Kraus (1874 - 1936) foi um escritor e jornalista austríaco.

O ex-chanceler do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo foi desmoralizado em uma entrevista que concedeu a rede britânica BBC, nesta quinta-feira 16.

Apresentado pelo jornalista Stephen Sackur, o programa HardTalks é um dos mais conhecidos da BBC News.

No início do programa o jornalista britânico acusa o ex-chanceler de ser cúmplice do presidente Jair Bolsonaro no que ele definiu de desastrosa gestão da pandemia de Covid-19 no Brasil. 

Sackur ainda fez chacota com o termo “comunavírus” usado pelo  pelo governo para sugerir que a pandemia seria parte de uma estratégia plantada pelo socialismo. Além de mencionar a recusa de adquirir vacinas da China por motivos ideológicos.

Ao se defender, Araújo deu início a um discurso conspiracionista, afirmando que a pandemia foi usada no Brasil como uma recurso político para tirar o presidente Bolsonaro do cargo e colocando a Organização Mundial da Saúde como um mecanismo de um complô marxista.

“Até onde eu saiba, Karl Marx (1818-1883) não participou da fundação da OMS. Era isso mesmo o que você queria dizer?”, rebateu o apresentador, deixando o ex-chanceler sem reação.

O jornalista ainda refutou a tese de uso político da pandemia apresentando dados sobre a contaminação no País e da ingerência do presidente para lidar com a situação, que dificultou o combate ao vírus e estimulou que as pessoas não aceitassem as recomendações científicas.

“Ele falhou em não proteger o seu próprio povo”, afirmou Sackur.

O ex-chanceler refutou a afirmação defendendo a tese mentirosa de que Bolsonaro foi impedido de agir por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Araújo ainda defendeu o tratamento precoce para a covid-19 e questionou a segurança das vacinas aplicadas pelo mundo e aprovada por organizações de saúde.

“As vacinas foram desenvolvidas de forma muito rápida, sem a oportunidade de checagem de longo período. Então é natural que as pessoas têm o direito ou não de tomá-las. Estudos realizados ao redor do mundo apontam que as vacinas não são o caminho mais adequado para se ldar com isso [pandemia], disse o ex-ministro.

Ele foi desmentido pelo jornalista a cada nova desinformação dita, mas continuou defendendo seu ponto de vista negacionista ao longo de toda a entrevista.

Ernesto Araújo afirmou ter orgulho de ter participado do Governo Bolsonaro e revelou guardar mágoa por ser exonerado por pressão do “sistema”.

Ao fim ainda alegou que a CPI da Covid no Senado foi uma farsa, sem, no entanto, apresentar argumentos para validar a sua opinião.

Crédito: Carta Capital. Marina Verenics, 17 dez. 2021


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