Há homens e mulheres que fazem do casamento uma oportunidade de adultério.
Carlos Drummond de Andrade
Jair Bolsonaro sempre foi um zero à esquerda na política partidária - um sorrateiro personagem do baixíssimo clero, que trocou de partido nove vezes, enquanto era deputado federal, nunca tendo qualquer cargo de direção em agremiações partidárias por onde passou como se trocasse de roupa.
Durante seus 27 anos de mandato na Câmara dos Deputados, ele sempre esteve à margem dos relevantes acontecimentos nacionais, criando seus próprios conflitos e suas próprias maneiras de se destacar na mídia. Nunca por razões nobres, mas apenas por plantar mentiras, inventar conspirações ou agredir alguém que pudesse lhe render alguns fugazes minutinhos de fama, mas que também lhe renderam 30 pedidos de cassação, nenhum efetivado, porque lá é bandido julgando bandido e a regra do corporativismo impera, sem qualquer ameaça de aparecer alguém decente.
Bolsonaro sempre agiu no Congresso Nacional como se fosse um "herói" do Bial em uma edição do BBB da Globo, um peão no A Fazenda da Record ou partícipe do Casamento às Cegas, do Netflix, que parece lhe caber mais adequado, pelo tanto de chifre que dizem ter o presidente tomado em sua vida de casado.
Mas, em relação ao noivado desfeito com o Partido Liberal (PL) do Valdemar da Costa Neto, em meio a intrigas e xingamentos próprios do fim de um relacionamento que acaba em barraco, Bolsonaro foi superado em seu linguajar chulo pelo noivo irritado com as exigências do presidente e de seus três filhos políticos, que atuam, sob o comando do pai, como uma verdadeira Organização Criminosa.
"VTNC você e seus filhos". Juro que me deu um branco ao ver isto estampado em noticiário do O Antagonista. Apesar de ver Bolsonaro falar tantos impropérios, custei a decifrar o que seria este tal de VTNC, até cair na real que se tratava do fim litigioso entre noivos ensandecidos, com direito a palavrões próprios do presidente da República. E, claro, as redes sociais repercutiram com muito prazer esta estocada do mensaleiro Valdemar da Costa Neto a Bolsonaro e seus corruptos filhos políticos.
Na nota de anúncio da desmarcação, o PL já havia dito que a decisão foi tomada após “intensa troca de mensagens” entre os dois. O conteúdo das mensagens, no entanto, evolui de opiniões para xingamentos.
Segundo o site O Antagonista, a conversa que terminou com uma abreviação de quando alguém manda outra pessoa para “aquele lugar”, escrito por Costa Neto. No entanto, Bolsonaro teria disparado o xingamento antes ao presidente do PL.
A motivação da briga foi um impasse entre Valdemar e Bolsonaro sobre o controle do diretório do Partido Liberal em São Paulo. O presidente queria que o filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-RJ), fosse o cabeça da sigla no estado, o que foi negado por Costa Neto.
Bolsonaro, então, teria reagido com fúria, mas não intimidou Valdemar, que rebateu: “você pode ser presidente da República, mas quem manda no PL sou eu”. Foi nesse momento que Bolsonaro mandou o cacique do Centrão para aquele lugar e recebeu o xingamento de volta, com a extensão para os filhos.
Quem acompanhou a conversa afirma que a filiação agora é vista como uma possibilidade distante. Momentos após o anúncio, Bolsonaro comentou, em Dubai, sobre a filiação e citou o problema do diretório em São Paulo, em uma fala que mostra que tem interesses diferentes de Costa Neto.
Mas, não acredito que seja apenas a questão envolvendo o diretório do partido em São Paulo que tenha feito a raposa liberal uivar e mostrar os dentes. Pelo que se sabe, Bolsonaro sofre da Síndrome da Traição - por experiência de seus múltiplos casamentos -, e quer ir para um partido que lhe dê total controle para lançar os candidatos que lhe interessem, especialmente, garantir a boquinha dos filhos que não sabem fazer mais nada e não conseguem viver longe das rachadinhas.

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