O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.
Martin Luther King
Por sua aguerrida e corajosa luta em meio ao desenrolar da Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro, foi covardemente combatido, diuturnamente, pela elite política corrupta e por bandidos-de-toga no Supremo Tribunal Federal, como os famigerados ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Antônio Dias Toffoli.
Em 1º de janeiro de 2019, Moro foi empossado como ministro da Justiça e Segurança Pública pelo presidente Jair Bolsonaro, mas ficaria no posto pouco mais de um ano, já que a carta-branca que lhe foi prometida foi rasgada em meio à descoberta de crimes praticados pelos filhos do presidente e também porque Jair Bolsonaro se perdeu na Presidência da República e, não sabendo o que fazer e não aceitando qualquer conselho de seus comandados fora do Gabinete do Ódio, se envolveu em mil e uma polêmicas, com a imprensa, com o Congresso Nacional, com o STF, a ponto de se ver com a corda no pescoço de um eventual Impeachment.
Para tentar se livrar de um impedimento, que já se desenhava no horizonte, Bolsonaro, de forma consciente e deliberada, passou a entregar ao Centro - reunião dos partidos mais corruptos -, postos-chaves em instituições e ministérios aonde os mesmos poderiam desviar dinheiro e deixá-lo em paz.
A sobrevida do corrupto veio, mas a um preço insuportável para a sociedade, que não vê outro caminho que não o de retirar, nas eleições de 2022, o genocida do posto presidencial. Mas, a herança a ser deixada por Bolsonaro e por este Congresso Nacional vai levar o próximo governo a ter de empreender um esforço fenomenal para reverter o descrédito do país no exterior, recuperar a economia e os empregos, tirar da miséria milhões e milhões de pessoas empurradas para a pobreza extrema por obra e graça de um miliciano posto no cargo mais alto da República.
Comparando a situação atual com o visto no início dos anos 1990, vê-se que nada está acontecendo por acaso. Há muito a bandidagem política quer surrupiar impune os cofres da Nação, tendo o STF como proteção e não como tribunal criminal e constitucional.
Relembrando os Anões do Orçamento...
Nos
orçamentos da União de 1991, 1992 e 1993 foram liberados cerca de US$ 150
milhões em verbas de subvenção social, pelos Ministérios da Ação Social
(1991/92) e do Bem-Estar Social (1993) durante a gestão dos ministros Margarida
Procópio e Ricardo Fiúza, respectivamente. Do total de verbas liberadas, nem
10% foi aplicado, efetivamente, em projetos sociais. Era apenas uma forma de
deputados e senadores embolsarem o dinheiro, que não precisava ter prestação de
contas apresentada ao Tribunal de Contas da União.
Como, por exemplo, o senador Romero Jucá Filho que, em 1992 participou do desvio de US$ 300 mil destinados pelo então Ministério da Ação Social à Fundação Roraima, criada em 1989. Esta entidade, que deveria ser filantrópica, foi a responsável pela criação da TV Caburai, afiliada à Rede Bandeirantes e cuja empresa funcionava na casa de uma das filhas do senador pemedebista. A verba foi incluída no Orçamento da União, pela deputada federal Tereza Jucá, então sua mulher.
Pelas investigações do Tribunal de Contas da União (TCU), a verba de US$ 300 mil deveria ser utilizada para compra de medicamentos, mas, na realidade, foi usada para emplacamento de três veículos da família Jucá, para cobrir despesas pessoais do senador e de viagem de férias para o casal Romero e Teresa Jucá, sendo que eram frias as notas de compra de medicamentos.
Questionado, o senador Romero Jucá Filho respondeu à imprensa que tais acusações tinham motivação política e que teriam partido do governador de Roraima, Neudo Campos (PPB), a quem ele fazia oposição local. De acordo com o senador Romero Jucá, ele nunca teria sido dirigente da emissora ou da Fundação Roraima, como se isso explicasse tudo.
Quanto às notas fiscais frias, Romero Jucá apenas disse que a drogaria que as emitiu já fora multada pela Receita Federal e, como sempre afirmam os políticos quando pegos com as calças na mão, o senador, simplesmente disse, que considerava o caso encerrado.
Mas,
tendo diversas “capas-pretas” do Supremo Tribunal Federal a encobrir as
maracutaias dos políticos brasilienses, sempre fica fácil escapar de alguma
penalidade da Justiça. E assim caminha o Brasil!
A
maioria dos envolvidos na máfia do orçamento saiu impune, apesar de toda a
gritaria da sociedade e da imprensa, requerendo a condenação. Falou mais alto,
entretanto, o corporativismo do Congresso Nacional. E aqueles que perderam o
mandato, saíram ricos.
Quer outro exemplo do que a impunidade produz?
Durante as investigações da CPMI do Orçamento (1993/94) apareceu na relação da Odebrecht, em que cobrava um percentual sobre verbas liberadas para obras, o nome do deputado federal Geddel Vieira Lima. Ele mesmo, o homem do bunker de R$ 51 milhões de reais e que está preso.
Naquela época, ele teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados, mas no final, foi inocentado pela CPMI do Orçamento, por suposta falta de provas. Entretanto, em 2001, um vídeo intitulado “Geddel vai às compras” foi divulgado pelo então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), sobre o suposto enriquecimento ilícito de Geddel Vieira Lima e de sua família.
O tempo passou, nada aconteceu e, quem diria, Geddel Vieira Lima virou ministro da Integração Nacional no Governo Lula e até saiu candidato ao governo da Bahia em 2010, não tendo sido eleito. Como compensação pela derrota, Geddel Vieira Lima, por esforço do então vice-presidente Michel Temer, foi agraciado com o cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica, da Caixa Econômica Federal, pelo que foi investigado pela Polícia Federal por sua participação em fraude na liberação de empréstimos da Caixa entre 2011 e 2015, inclusive para a JBS, recebendo milhões em propina.
Foi tanto dinheiro ilícito que conseguiu armazenar os R$ 51 milhões em um apartamento alugado por ele em Salvador.
Em maio de 2016, o então presidente interino Michel
Temer convidou Geddel Vieira Lima para ocupar
o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo, responsável por coordenar o
relacionamento da Presidência com o Congresso Nacional, movimentos sociais e
partidos políticos, assim como o gerenciamento de crises institucionais. Claro, um rato se entende melhor com outros de sua espécie...
Mas os dias de liberdade de Geddel Vieira Lima seriam
interrompidos no dia 8 de setembro de 2017, com nova prisão e recondução à
Penitenciária da Papuda, em Brasília. Desta feita, porque, simplesmente, a
Polícia Federal estourou um apartamento (“bunker”) usado pelo ex-ministro de Michel
Temer, onde haviam diversas malas e caixas abarrotadas com dinheiro (reais e
euros), contabilizando-se o equivalente a mais de R$ 51 milhões.
Mas este exemplo é raro. A maioria dos corruptos estão soltos e rindo de nossas caras, pois sabem que Gilmar Mendes e outros do STF e STJ estão sempre de plantão para colocá-los fora da prisão.
Ficando apenas nos aspectos aqui abordados, dá para perceber que uma perspectiva de melhora do ambiente negocial no Brasil e a quebra da espinha dorsal da corrupção demandará muitas gerações, porque tudo passa por uma maior igualdade social, o fim dos privilégios, a implantação de um Projeto de Estado para a educação e, principalmente, o entendimento do que é a corrupção e sua verdadeira extensão no Brasil.
Vejo alguns órgãos de imprensa falando que Sérgio Moro precisa falar mais de economia do que de combate à corrupção. Este é um discurso que agrada enormemente às ratazanas do Poder, aliás, dos três Poderes da República e, por isso, querem calar Moro.
Caso eleito - e torço de corpo e alma por isso -, o presidente da República Sérgio Fernando Moro deverá continuar com seu perfil anticorrupção e expurgar da máquina pública tantos quantos forem necessários para moralizar a administração pública e implementar um projeto que privilegie a EDUCAÇÃO, a geração de milhões de novos postos de trabalhos, a recuperação da Economia, a Privatização das estatais deficitárias ou que sejam focos de corrupção. Ele também deverá restabelecer a equidade e a harmonia entre os Poderes da República e acabar com os privilégios, matéria-prima para a inoperância e a manutenção do SISTEMA que busca somente roubar o país.
Não vai ser nada fácil, mas precisamos ajudar Sérgio Moro!

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