terça-feira, 30 de novembro de 2021

Rodadas de encontros com a nata da Economia: Sérgio Moro acerta o tom e agrada investidores

O material mais barato do mercado é o professor.

Jô Soares

Esta semana está uma correria a vida de Sérgio Moro. Durante a tarde desta segunda-feira (29/11), ele participou de numa conversa com economistas na sede da XP em São Paulo. Moro se tornou o queridinho de parte do mercado financeiro que rejeita Lula e Jair Bolsonaro em 2022.

O pré-candidato do Podemos à Presidência da República estava acompanhado da deputada federal Renata Abreu (Pode-SP), presidente da legenda. Celso Affonso Pastore, conselheiro de Sérgio Moro na área econômica, teve uma participação virtual no encontro.

Em entrevista coletiva depois do encontro na XP, Sergio Moro disse ser "um homem do diálogo", e que Jair Bolsonaro "não tem projeto, nem liderança" e não consegue fazer alianças no Legislativo para colocar de pé uma agenda econômica.

À noite, Sérgio Moro participou de um jantar na casa do megainvestidor Luiz Fernando Figueiredo, [1] ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e fundador da Mauá Capital.

O jantar reuniu nomes de peso como Roberto Setubal, copresidente do Conselho de Administração do Banco Itaú, Milton Goldfarb, fundador da incorporadora One, Marcelo Maragon, executivo do Citi, José Flavio Ramos, CEO do banco de investimentos Br Partners. Sérgio Moro estava acompanhado da presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu.

Na conversa que travou com um grupo de 20 pessoas, foi possível enxergar a estratégia de como Moro acredita ser possível lidar eticamente com um Congresso Nacional, que certamente estará apinhado de adversários políticos e antigos alvos da Lava Jato.

Segundo relato feito à CNN por alguns dos presentes, Sérgio Moro falou inicialmente por cerca de 25 minutos, tendo a conversa com os convidados, que o interpelaram, durado cerca de uma hora e meia. Ele falou sobre Economia, formação de equipe, construção da terceira via e sobre programas sociais – tema que ele tem dado ênfase desde que se lançou na carreira política, pela imensa preocupação que o mesmo tem em relação aos números vergonhosos da pobreza em nosso país, razão pela qual insiste que ao assumir a Presidência da República criará uma força tarefa para atacar a miséria.

A ideia era permitir ao ex-juiz Sérgio Moro expor sua visão sobre o país e ainda que ouvisse o que o grupo entende ser necessário para um projeto presidencial.

Um dos pontos levantados pelo ex-juiz durante a conversa foi a necessidade de acabar com possibilidade de reeleição para presidente da República.

"Essa proposta precisa ser apresentada e apoiada explicitamente pelo Presidente. Talvez tenha ainda mais apoio caso proíba a reeleição apenas para Presidente da República, e não outros cargos“, disse Moro, de acordo com Murilo Aragão, que também estava presente.

De acordo com um convidado, Moro acertou o tom e “agradou muito”. Um dos convidados disse que se surpreendeu com a fala do presidenciável, que tem reiterado seu alinhamento ao ideário liberal.

Ele se posicionou contra a reeleição e voltou a defender que a responsabilidade fiscal deve ser o norte de um governo. Moro sinalizou abertura para compor com outros nomes que se colocam no campo do centro a depender de como a corrida se desdobrar nos próximos meses.

Nesta terça-feira (30/11) o compromisso de Sérgio Moro é com banqueiros liderados pelo norte-americano JPMorgan.

Urgente: Pesquisa do Instituto Atlas, divulgada nesta terça-feira (30/11), mostra Sergio Moro com 13,7% das intenções de votos numa simulação de primeiro turno, com João Dória pontuando 1,7%. Sem Dória, Moro obteve 14,7%. Moro aparece atrás de Jair Bolsonaro (31,5%) e Lula (42,8%). Ciro Gomes aparece com 6,6%.

[1] Sócio fundador e CEO da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo também é diretor da ANBIMA, presidente do Conselho do Instituto Fefig e conselheiro da Associação Parceiros da Educação. Foi diretor do Banco Central do Brasil entre 1999 e 2003, Conselheiro e Coordenador do Comitê de Risco e Financeiro e membro do Comitê do Setor da Emissores da B3 e um dos fundadores da Gávea Investimentos. Graduado em administração de empresas pela FAAP, com especialização em finanças, Figueiredo foi Sócio e Diretor-Tesoureiro do Banco BBA, ocupou posições de direção no Banco Nacional, JP Morgan e corretoras locais e foi Presidente da AMEC.

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