quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Os pobres: eternos peões do xadrez político. E Michel Temer, quem diria!

Eu já fui um fantoche, um indigente, um pirata, um poeta, um peão e um rei. Eu já estive por cima, por baixo, por dentro, por fora e de uma coisa eu sei. Toda vez em que me encontro derrotado no chão. Eu sacudo a poeira, me levanto e volto pra corrida. É a vida.

Frank Sinatra

"Muito bem, tem que manter isso aí, viu?"

Quem se lembra dessa frase dita pelo então presidente da República Michel Temer, no dia 7 de março de 2017, no subsolo do Palácio do Jaburu e gravada pelo empresário Joesley Batista? Temer aprovava e exigia, com muita convicção e autoridade, a continuidade dos pagamentos de propina ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso, pela Operação Lava Jato, desde o dia 19 de outubro de 2016.

Era um cala-boca que Joesley Batista dava a  Eduardo Cunha para mantê-lo silencioso e não entregasse, em uma eventual delação premiada, os muitos partícipes de suas maracutaias na Caixa Econômica Federal, o que incluía muitos poderosos de Brasília e do entorno de Michel Temer.

Quando todos achavam que o ex-presidente seria enfiado em uma jaula ao deixar o Palácio do Planalto, o Brasil se viu diante de um presidente eleito mentiroso e que agiu 100% contrário ao que prometeu em campanha, se mostrando um corrupto ainda mais ganancioso que seus antecessores. Bolsonaro se aliou à pior escória do Parlamento e da Justiça para destruir a Lava Jato, conseguir acabar com as leis que punham algum medo nos corruptos. Uma desgraça que hoje o mundo inteiro conhece. E conseguiu ressuscitar Michel Temer que vem assistindo tudo ser feito para que ele nunca pague pelos milhões e milhões de reais embolsados com propina.

Bolsonaro disse no dia 4 de novembro de 2021 que quem votar contra a PEC do calote dos Precatórios é contra os pobres, pois o dinheiro que sobrar será usado para o pagamento do Auxílio Brasil. Mentira!

Bolsonaro pôs fim, a partir de 1º de novembro de 2021, ao "Bolsa Família", um programa que vigia há 18 anos, com eficiência, e que foi substituído por outro programa que apenas tem nome e carece de recursos, que poderiam ser obtidos por autorização do Parlamento. Mas, não; Bolsonaro não quer dinheiro somente para isto.

Bolsonaro tem um plano maligno para as eleições de 2022: ele usará, dos recursos vindos desta PEC, a quantia de R$ 18,5 bilhões para pagar emendas parlamentares a seus aliados - aqueles que votarem nos projetos legislativos de interesse do governo federal. Mas, emendas indicadas de forma sigilosa pelo relator do Orçamento da União, as chamadas "Emendas Secretas", que não podem ser rastreadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pois não terão divulgação e o dinheiro entregue diretamente às Prefeituras Municipais, sem destinação certa.

Já sabe o que vai acontecer, não? O prefeito recebe, divide com o parlamentar que indicou a verba e, certamente, parcela deste dinheiro será desviada para a campanha presidencial de Bolsonaro, para compra de votos dos pobres, a quem ele agora fala que são os destinatários da PEC dos Precatórios.

Só ganhará com esta sujeira os políticos e Bolsonaro, em maior parcela. É um caso tão ou mais escandaloso do que foi o Mensalão da "Era Lula ladrão". E Bolsonaro teme passar pela mesma aflição de Michel Temer, ao viver assombrado com a ideia de receber a Polícia Federal seis horas da manhã e ser preso pelos muitos crimes cometidos em seu desgoverno.

E, para espanto de ninguém, quem está em Brasília se reunindo com parlamentares e negociando votos a favor da PEC do calote? Ele mesmo: Michel Temer.

Bolsonaro se entregou de corpo e alma aos corruptos e não manda mais nada. Só quer fugir da cadeia!

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