segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Gilmar Mendes ataca Sérgio Moro. O que ele teme?

Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

Fernando Pessoa

Tão logo o ex-juiz Sérgio Moro anunciou sua intenção de se filiar ao Podemos para concorrer à Presidência da República, o ministro Gilmar Mendes saiu célere em campo para usar seus contatos na imprensa de esquerda (Folha de S. Paulo e outros órgãos da mídia marrom) para atacar Moro.

É que Gilmar Mendes tem muito a perder com uma eventual vitória de Sérgio Moro no pleito de 2022. E tem grandes chances disso acontecer.

Por que você acha que Gilmar Mendes brigou tanto para conseguir destruir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf”? Ele, sua mulher e outros membros da família Mendes têm rabo preso com a Receita Federal, por negociatas mil e sabem que Sérgio Moro irá recriar uma estrutura fiscal que pegue os milhares de ocultadores de patrimônio, corruptos e lavadores de dinheiro.

No livro "Operação Lava Toga" (https://clubedeautores.com.br/livro/operacao-lava-toga) eu detalho muitas das tenebrosas transações de Gilmar Mendes, mas aqui vou citar apenas alguns trechos, por óbvia falta de espaço.

Os auditores apontam que as empresas ligadas à família Mendes declararam prejuízos anuais à Receita Federal nos três anos analisados (2014/15/16), mas realizavam sistematicamente empréstimos vultosos a seus sócios nesta mesma época. O sócio Gilmar Mendes, por exemplo, declarou ter recebido como empréstimo R$ 3.338.697,90 em 31 de dezembro de 2014, R$ 2.946.697,90 em 2015 e R$ 3.637.223,88 em 2016.

No caso da esposa do ministro Gilmar Mendes, a advogada-sócia do Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes, o relatório de análise da Receita é taxativo ao afirmar que ela “possui indícios de lavagem de dinheiro, tendo recebido valores de distribuição de lucros/dividendos em sua DIRPF [Declaração sobre a Renda da Pessoa Física] sem a devida correspondência ECF [Escrituração Contábil Fiscal] do escritório de Advocacia”.

De acordo com a Folha Max, a Receita Federal também pediu diligências nas três empresas ligadas ao ministro Gilmar Mendes, sua esposa, Guiomar, e os filhos, para verificar a contabilidade e a distribuição de lucros, mediante aos indícios verificados de lavagem de dinheiro na documentação de Guiomar por ter “recebido valores de distribuição de lucros/dividendos em sua Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física sem a devida correspondência na ECF do escritório de advocacia. Verificou-se ainda distribuição de lucros/dividendos nos anos calendário 2014 e 2015 os quais deverão ser verificados se houve efetiva prestação de serviços pela contribuinte em análise”.

No Pedido de Impeachment do ministro Gilmar Mendes apresentado no dia 14 de março de 2019, ao Senado Federal, seus subscritores Modesto Souza Barros Carvalhosa, Laércio Laurelli e Luiz Carlos Crema sustentam em relação ao IDP: “A empresa de Gilmar Mendes (IDP) é uma fonte ilícita de vantagens econômicas, profissionais, pessoais e empresariais, abastecida e mantida em razão das funções de ministro do Supremo Tribunal Federal”.

Gilmar Mendes, mesmo diante de Orlando Diniz ter sido denunciado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, acusado de comandar o desvio de mais de 180 milhões de reais, o ministro não achou difícil justificar em sua decisão: "Não vejo adequação da prisão preventiva a tal finalidade, na medida em que recursos ocultos podem ser movimentados sem a necessidade da presença física do perpetrador".

Nos últimos dois anos, Gilmar e Joesley mantiveram uma parceria comercial e uma convivência amigável, a ponto de se visitarem em Brasília e São Paulo, trocarem favores, compartilharem certezas e incertezas jurídicas e tocaram projetos comuns. De 2016 a junho deste ano, a JBS transferiu 2,1 milhões de reais para o IDP em patrocínios que nem sempre foram públicos. Os valores de patrocínios de empresas iam parar, por vezes, na conta pessoal de Gilmar Mendes. É o que revela uma das mensagens obtidas por VEJA, que na edição desta semana traz mais detalhes sobre a relação entre o juiz e o empresário. 

Vou dar destaque a um fato de extrema gravidade envolvendo Gilmar Mendes e que relato com detalhes no livro Operação Lava Toga. A revista Crusoé, em sua 6ª edição, publicada no dia 8 de junho de 2018, em reportagem assinada por Rodrigo Rangel intitulada “A mulher-bomba”, relata um caso explosivo envolvendo a “faz-tudo” de Gilmar Mendes, Dalide Corrêa e Joesley Batista. De acordo com a reportagem, o CEO da JBS usava o Instituto de Direito Público, de Gilmar Mendes, como seu quartel-general em Brasília, especialmente quando se tratava de discutir assuntos jurídicos relacionados com alguma pendenga da companhia.

De acordo com a publicação, a JBS, numa das reuniões realizadas no Instituto Brasiliense de Direito Público, “tentava reduzir o valor da multa de seu acordo de leniência de 11 bilhões de reais para 3 bilhões de reais”. Afirma ainda a Crusoé que “para se aproximar dos juízes que cuidavam do caso, a empresa de Joesley Batista teria oferecido uma bolada de 200 milhões de reais”.

Cito aqui apenas alguns exemplos do comportamento e do caráter criminoso de Gilmar Mendes, que não mede esforços em atacar Sérgio Moro. E isto vai se prolongar, especialmente se o PSDB - seu partido de coração - lançar candidato à Presidência da República.

Por isso, se prepare para enfrentar este calhorda, que se esconde atrás de uma toga para cometer crimes, na certeza de sua imunidade e que seus pares - muitos também envolvidos em crimes - não terão coragem de peitá-lo. Mas, nós meros mortais, podemos!

E nossa resposta será a defesa intransigente de Sérgio Moro.

Sérgio Fernando Moro é graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá em 1995, tendo concluído o mestrado e o doutorado na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especializou-se em crimes financeiros e tornou-se juiz federal em 1996Como magistrado federal, Moro atuou, antes da Operação Lava Jato, em casos rumorosos como o escândalo do Banestado e a Operação Farol da Colina. Ele também auxiliou, no Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Rosa Weber durante o julgamento do Mensalão.

No dia 10 de novembro de 2021, ele assina sua ficha de filiação ao Podemos e dá a largada para sua candidatura. Em 2022 Sérgio Moro poderá alcançar o cargo máximo da Nação e ser eleito presidente da República Federativa do Brasil e nos permitir novamente sonhar com um país mais justo apra todos!

4 comentários:

  1. Por que você acha que Gilmar Mendes brigou tanto para conseguir destruir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf? Ele,sua mulher e outros membros da família Mendes têm rabo preso com a Receita Federal,por negociatas mil e sabem que Sérgio Moro irá recriar o COAF.

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  2. Perfeito Jarbas. No meu livro "Operação Lava Toga" (ver aqui: https://clubedeautores.com.br/livro/operacao-lava-toga) falo disso com detalhes e também falo sobre o uso criminoso que Joesley Batista fazia do Instituto de Direito Privado (IDP) do ministro Gilmar Mendes. E de muitos outros fatos envolvendo este crápula. Grande abraço!

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  3. Com tantos corruptos amiguinhos de Gilmar Mendes defensor do petismos, não aceita a volta da lava jato, Lula voltará para prisão ..outros corruptos serão desmascarados MORO È a única Solução...

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    1. Que os céus te ouça, porque a coisa está preta. Nunca vi tanto descaramento do Congresso Nacional e do governo federal. Agora, com a exigência do STF em se dar transparência às emendas do relator, os vagabundos parlamentares estudam, junto com o vagabundo presidente da República, transferir o dinheiro diretamente dos Ministérios, nas mesmas condições: sem indicar o autor da emenda, o que permitirá que o corrupto parlamentar se aproprie, em conluio com o prefeito municipal, de parte da grana para comprar voto em 2022.

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