terça-feira, 30 de novembro de 2021

Sérgio Moro lança uma bomba no colo do presidente

O desprezo é a forma mais sutil de vingança.

Baltasar Gracián y Morales

O pré-candidato à Presidência da República, o ex-juiz Sergio Moro, prepara uma bomba para estourar no colo do presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (30/11), dia em que o presidente se filiará ao Partido Liberal, do mensaleiro Valdemar da Costa Neto. Pois é: coincidentemente será também nesta data que a mídia dará divulgação a diversas entrevistas de Moro falando sobre sua mais recente obra: "Sérgio Moro contra o Sistema de Corrupção" - uma autobiografia de Moro, com algumas histórias muito pouco palatáveis para o presidente da República.

Segundo divulga a mídia, Moro conta em um livro sobre os bastidores de sua saída do governo do presidente Jair Bolsonaro e o que o levou a abandonar a magistratura para compor o poder Executivo federal. Falará da tentativa de ingerência de Bolsonaro na Polícia Federal com o fim único de tentar proteger seus filhos corruptos Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro. São histórias nunca antes contadas por Moro, abaixo de quem, no Ministério da Justiça, ficava a Polícia Federal.

O lançamento do livro de Sérgio Moro será no dia 2 de dezembro de 2021, em Curitiba, o berço da Lava-Jato. No livro, o ex-juiz também trata de temas como democracia, Estado de Direito e os recuos recentes na luta contra a corrupção. Depois, Moro irá realizar uma turnê de lançamento em outras capitais do país.

No dia 5 de dezembro, o evento será no Recife, às 18 horas, no Teatro Riomar; no dia 7 de dezembro, o lançamento ocorrerá em São Paulo, às 19 horas, no Teatro Renaissance; e, por último, será no Rio de Janeiro, dia 9 de dezembro, às 19 horas, no Teatro dos 4. O livro estará disponível nas livrarias a partir do dia 2 de dezembro, mas já está sendo vendido em pré-lançamento.

Analisa O Antagonista este assunto:

No livro, para além da preocupação em esclarecer suas escolhas e atitudes em momentos nevrálgicos da história recente do país, Sérgio Moro revela os bastidores da Lava Jato, defende seu legado, narra em detalhes o processo de fritura ao qual foi submetido nos meses que antecederam o rompimento com Jair Bolsonaro, e joga luz sobre o esforço do presidente em proteger seus filhos, em especial, o “01” Flávio Bolsonaro.

Num dos trechos da obra, o ex-ministro rememora a decisão do então presidente do STF, Dias Toffoli, de julho de 2019, de suspender liminarmente todas as investigações instauradas com base em relatórios do Coaf. A liminar de Toffoli beneficiou o primogênito do presidente da República, pois entre os processos suspensos estava o inquérito que apurava as transações financeiras do notório Fabrício Queiroz e de Flávio Bolsonaro. Segundo narra Moro, a decisão foi comemorada no Planalto. “Enquanto o Supremo não resolvia a questão, havia o dilema de como, dentro do governo, seria possível questionar uma decisão judicial benéfica ao filho do presidente. Aquele era o momento em que o governante deveria adotar uma postura de estadista, colocando os interesses do país acima dos pessoais, ainda que o próprio filho fosse afetado”, escreve o ex-juiz.

É esperar para ver a reação do Palácio do Planalto, embora seja um assunto já bastante debatido e que perde espaço para outros imbróglios que o próprio Bolsonaro trata de criar no dia-a-dia, sem contar os Aristides da vida que vão se deixando descortinar na inglória vida de um capitão eleito com a marca do tradicional e da família, mas que guarda segredos nada publicáveis. 

5 comentários:

  1. Quem conhece o ex Juiz, Sérgio Moro, sabe da retidão de sua pessoa e confia nele, ao contrário do Presidente que passou 28 anos no parlamento sem aprovar uma única lei.

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    1. Bolsonaro, em seus 28 anos de política legislativa, conseguiu receber 30 pedidos de cassação de seu mandato, por agressão física e com palavras a outros parlamentares, por pregar o fechamento do Congresso Nacional, por propor a morte de 30 mil brasileiros que, na visão dele, seriam comunistas, por incluir nesta lista de homicídios o presidente Fernando Henrique Cardoso, que ainda cumpria seu mandato presidencial. Sem contar os inúmeros ataques aos quilombolas, aos indígenas, aos gays e por aí vai. Chegou à Presidência prometendo ser outro Bolsonaro, mas seu passado de corrupção e desleixo foi mais forte e ele continuou o mesmo. E pior, com poder para contribuir para a morte não de 30 mil, mas de mais de 610 mil brasileiros. Temos que unir forças para tirar este assasssino do meio político.

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