quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Relembre como ministros do Supremo teriam atuado na surdina para derrubar a presidente Dilma Roussef!

A corrupção é um crime sem rosto.

Joel Birman - jornalista e escritor capixaba

Para você entender melhor essa história é preciso, antes de tudo, creditar à presidente Dilma Roussef a aprovação da Lei nº 12.850, em 2 de agosto de 2013, que definiu Organização Criminosa e criou regras para o Acordo de Delação Premiada, a lei que permitiu o avanço incomum das investigações da Lava Jato.

Na verdade, a intenção do Governo com esta lei, bem recebida pelo então ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, era permitir um maior ataque ao crime organizado no Rio de Janeiro, mas o tiro saiu pela culatra e os petistas e outros políticos foram apanhados com os diversos acordos de delação premiada firmados com empresários e seus colaboradores.

Mas não somente os políticos estavam preocupados. O ministro Gilmar Mendes, que era um ardoroso defensor da Lava Jato e arqui-inimigo do Partido dos Trabalhadores, ao ver que as investigações chegavam muito próximas a seus partidários, mudou de posição, primeiro, em relação à Jurisprudência que permitia a prisão após condenação em 2ª Instância. Depois, esqueceu suas desavenças com o PT e se integrou ao grupo dos inimigos da Lava Jato.

Engana-se quem pensa que Gilmar Mendes passou a rivalizar com a Operação Lava Jato após a "Vaza Jato"; foi muito antes disso. O hackeamento de mensagens do juiz Sérgio Moro e do procurador Dallagnol somente serviu para dar nova roupagem ao discurso inflamado de Gilmar Mendes contra a Lava Jato.

Isto posto, vamos às tramas que envolveram o antes do Impeachment da presidente Dilma. É também preciso relembrar que sempre houve uma expectativa de que eventuais delatores da Lava Jato pudessem "abrir o bico” em relação a ministros do STF e, por isso, era imprescindível que o Supremo agisse rápido para “estancar a sangria”, frase dita pelo ex-senador Romero Jucá ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que fez a gravação da conversa.

De acordo com a Folha de S. Paulo, publicada no dia 23 de maio de 2016, o ex-senador Romero Jucá disse que “um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional com o Supremo [STF], com tudo. (...) Aí parava tudo”. Em resposta, o ex-presidente da Transpetro disse: "É. Delimitava onde está. Pronto!", se referindo à paralisação das investigações de corrupção conduzidas pela Lava Jato.

O senador relatou na conversa com Sérgio Machado que havia mantido contatos com "ministros do Supremo", os quais não chegou a citar nomes, mas que tais interlocutores “teriam relacionado a saída de Dilma Rousseff ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato”. Ou seja, de acordo com o ex-senador Romero Jucá, ministros do Supremo Tribunal Federal participavam de um eventual complô contra a Operação Lava Jato.

Segue a gravação obtida pela Folha:

- [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.

- Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [Referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo MP de SP e à condução coercitiva dele para depor no caso da Lava jato]. (...)

- Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.

- Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou... Burocrata da porra. Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].

Pois é. Estes são os ministros que, não satisfeitos em trazer de volta Lula e sua gangue, agora querem implantar um regime ditatorial no país e prender todos que não comunguem na cartilha da Cleptocracia Tupiniquim.


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