Se não tem coisa melhor para falar, inventa. Esta sempre foi a filosofia adotada por Jair Bolsonaro e ele sobreviveu 28 anos na Câmara dos Deputados criando polêmicas, inventando firulas e desfilando mentiras, espelhando-se na famosa frase do ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels "Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade".
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E conseguiu se eleger presidente da República usando a mesma estratégia: mentiu.E, aliado a isto, montou uma máquina fenomenal de criação de fake news, que foi comandada pelo seu filho Carlos Bolsonaro, eleito vereador do Rio de Janeiro, pela primeira vez, em 2000, e que parece nutrir uma fascinação doentia pelo pai. Será que Carl Jung o enquadraria no Complexo de Electra? Mas, isto, é para outro artigo...
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Até o dia de sua posse pelo Tribunal Superior Eleitoral, no dia 1º de janeiro de 2019; o agora presidente da República, Jair Messias Bolsonaro conseguiu sustentar uma fala coerente com o discurso que vinha mantendo com seu eleitorado - os bolsonaristas e aqueles que acreditaram em seu discurso contra a corrupção. Relembre trecho do discurso feito por ele no TSE:
(...) A construção de uma
Nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura com práticas que,
historicamente, retardaram o nosso progresso.
Não mais a Corrupção.
Não mais a Violência.
Não mais as Mentiras.
Não mais a
Manipulação Ideológica.
Não a Submissão de
nossos destinos a interesses alheios.
Não mais Mediocridade
complacente, em detrimento de nosso desenvolvimento.
Todos nós conhecemos
a pauta histórica de reivindicações da população brasileira: Segurança Pública
e Combate ao Crime, Igualdade de Oportunidade e respeito ao Mérito e ao Esforço
Individual. (...)
Parece que a única coisa que foi verdadeiro neste e nos demais discursos feitos por Bolsonaro se resume à frase "Não mais as mentiras". Ele já não precisava mais delas. Ele já tinha atingido seu objetivo, depois de permanecer 28 anos nos porões do Congresso Nacional. Não precisaria mais mentir, que era contra a corrupção, que nunca se alinharia com os corruptos, que faria um governo com pessoas éticas.
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Veja o que ele escreveu nas redes sociais, em abril de 2014, quando o presidente do PP - partido a que Bolsonaro estava filiado -, Ciro Nogueira (um dos líderes do Centrão, com quem o presidente estava desfilando no Piaui no dia 31 de julho de 2020) se negou a ter Bolsonaro como candidato do Partido na eleição daquele ano preferindo apoiar a candidata Dilma Roussef:
Mesmo sem deliberar através do voto a cúpula do PP
(Ciro Nogueira) resolveu, na mão grande (cheia de...) apoiar a reeleição da
Dilma. Agora, com o apoio do meu partido, a quadrilha ganha 1 minuto e 20
segundos para contar suas mentiras no horário eleitoral. Agradeço o apoio e a atenção
de vocês. Confesso que também tinha esperanças. O sonho, por enquanto, fica
adiado.
O presidente Jair Bolsonaro, que parece ter algum problema psiquiátrico, além de sua reduzida capacidade intelectual, parece ter chegado ao poder se achando livre do peso de ter que continuar se fazendo de político "novo", de deputado honesto e que combateria com rigor a corrupção, para o que, até convenceu o juiz Sérgio Moro a abandonar 22 anos de Magistratura para ajudá-lo à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com carta-branca para escolher seus auxiliares. Como todos sabem, isto foi mais uma mentira deslavada do incorrigível e compulsivo mentiroso Jair Bolsonaro. Aliás, esta patologia se chama Mitomania. [1] Isto mesmo, você não leu errado: Mitomania. Até o nome da doença é compatível com a personalidade transferida a seus seguidores, que conseguiram formar o segundo grupo de fanáticos por corruptos deste nosso país.
Em junho de 1988, o capitão Jair Bolsonaro foi julgado pelo Superior Tribunal Militar e foi absolvido, tal qual foi absolvida a chama Temer-Dilma: por excesso de provas. Mas, a maioria dos ministros do STM, votou contra as provas e mais para enfrentar os generais militares, do que por reconhecer a inocência de Bolsonaro. Veja trecho do voto do ministro José Clerot, que enfatiza este lado de mentiroso contumaz de Jair Bolsonaro:
(...) Nunca, nem
antes de 64, se não me falha a memória, um capitão teve a coragem de afrontar
um chefe militar. Naquela reportagem, esboço, como pode ser visto, foi
publicado mostrando a adutora do Guandu, que abastece a água do Rio de Janeiro
e o croqui de uma bomba junto à tubulação. Será que esta jornalista, que está
aqui presente, é capaz dessa engenhosidade? O que está em jogo aqui é a mentira
do capitão Bolsonaro. Esta é que está sendo examinada. É indiscutível que estes
fatos ocorreram. Não tem dúvida... (...)
Outras muitas mentiras embalaram a vida política de Jair Bolsonaro. Por exemplo, a questão do Nióbio, que ele usou para enganar seus apoiadores, principalmente os que não gostam de ler e acreditam em toda besteira que escutam. Em 2017, este assunto ficou muito em voga e o deputado Jair Bolsonaro disse em uma palestra que fazia no Clube
Hebraica: "O nióbio vale mais do que o ouro”, e ainda que: “a maior
reserva de Nióbio está sob as terras indígenas". Duas grandes mentiras ditas em uma única frase, mas que foi repetida incontáveis vezes pela manada que só sabe gritar e xingar, sem nunca ter a coragem de buscar a verdade.
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Comparação de preços nióbio versus ouro
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A cotação do ouro na data de 02/8/2020 estava em R$ 329.910,00 o quilograma. Nesta mesma data, o nióbio, xodó do Bolsonaro e seu gado, estava em cerca de US $ 50, ou seja, o ouro valia 1.226 vezes mais que o nióbio.
Aí, a turma faz um contraponto: mas, e se o Bolsonaro estatizar a mineração e beneficiamento de nióbio e aumentar o preço? Sem querer discutir muito, por nosso espaço é restrito, eu diria: então, não seria melhor estatizar a produção de ouro? Desce o pano e eu me retiro do palco,mesmo porque, se a plateia é de bolsonarista, pouco vale a lógica...
Mas, como Bolsonaro sempre teve usura sobre as terras dos índios, ele fala esta besteira de que a maioria do nióbio está em terras indígenas. Mas a verdade, como sempre, está bem distante dele. Veja onde estão as jazidas de minerais dos quais se extrai o nióbio.
Na mesma tocada, Bolsonaro falou do grafeno, mas era tudo somente campanha política. Aliás, palanque de onde ele teima em não sair, talvez porque não acredite, até hoje, que com sua incompetência, tenha ganhado as eleições. Ah, quer outro exemplo? A CPMF que ele tanto falou que não iria criar e agora acha que é oportuno criá-la...
O abandono do compromisso de lutar contra a corrupção e nunca se alinhar com o Centrão, apesar de ser o fato mais grave, é apenas mais uma de suas mentiras. A ONG "Aos Fatos" divulgou no dia 30 de julho de 2020 que, desde seu primeiro dia de mandato, Jair Bolsonaro fez 1.471 declarações falsas ou distorcidas. A Mitomania impera!
[1] Mitomania, compulsão em mentir, pseudologia fantástica ou mentir patológico é um transtorno psicológico caracterizado por contar mentiras compulsivamente, sem benefícios externos e geralmente restritos a assuntos específicos, apresentando-se de maneira bem vista socialmente.
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