O Rei do Gado é o boiadeiro que toca a boiada para o abatedouro
Marco Martim
Tenho comigo uma teoria que todo aquele político que fosse eleito, ato contínuo deveria assinar um documento abrindo mão de todos os seus sigilos (bancário, fiscal, telemático) e o Ministério Público do local de atuação do referido político ou o Ministério Público Federal, para o caso de parlamentares federais, deveria abrir um Processo Investigatório Preventivo e já esmiuçasse a vida do indivíduo e de todos os seus familiares até um determinado grau, como se fosse um momento "zero", acompanhando pari passu as movimentações bancárias destas pessoas, evolução patrimonial e tendo abertura para receber de qualquer cidadão denúncias de atos criminosos ou suspeitos praticados por tais indivíduos. Afinal de contas, político é um empregado do povo e não um ser superior que pode fazer o que bem entende, enriquecer com dinheiro público ou recebido de propina e por outros métodos criminosos.
Bom, calma! Não precisa me xingar de radical ou de maluco, é somente uma ideia, diante da enormidade de corruptos que existe em nossa sociedade e que se elegem na política apenas para roubar os cofres públicos. Pense assim: político não vira corrupto, porque entrou no Repetindo: POLÍTICO NÃO VIRA CORRUPTO, mas corrupto vira político, e com o meu, o seu voto.
No impedimento de se adotar a medida proposta no início deste artigo, mesmo porque teria de ser aprovado pelos próprios corruptos e eles se unem quando o negócio é sobreviver no meio, duas outras medidas teriam que ser exponencialmente empoderadas: a Justiça - que também está infestada de corruptos - e a Cidadania.
Não, não pense que a luta está perdida, embora seja muito difícil sairmos deste circulo vicioso em que se encontra a sociedade brasileira, porque é do meio da sociedade que despontam as lideranças corruptas que se tornam políticos, com o seu e o meu voto.
Gosto muito de exemplos, pois ajuda melhor do que somente minha fala. Desta feita, volto ao ano de 1972, quando o mundo ainda estava envolvido pela Corrida Espacial e quando teve o lançamento da Missão Apolo 17 com a última descida e exploração da Lua. Nesta ocasião, o jornalista Mário Giudicelli, brasileiro nacionalizado norte-americano (ver detalhes abaixo) fez uma longa entrevista com o cientista "pai dos foguetes" Wernher von Braun,para O Globo, que não a publicou e somente foi divulgada, em 2019, pelo site "defesa.tv.br", em comemoração aos 50 anos da descida do homem à Lua.
Mário Giudicelli conversava pela segunda vez com von Braun; a primeira foi em 1864, quando o cientista também visitava o Brasil. Ele conheceu Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
Giudicelli não perdeu tempo e cutucou feroz von Braun:
- Como explica que um país tão enormemente informado e ilustrado, com altíssimo percentual de universitários, com cidadãos como Beethoven e Kant tenha caído sob o total poder de influência de um Adolf Hitler ?
Wernher Von Braun não se recusou a responder as perguntas, por mais provocantes que tinham sido e também não se importou em responder com o mesmo tom crítico:
- Pelas mesmas razões que vocês no Brasil; e aqui, também, nos Estados Unidos nos apaixonamos por torcer por clubes de futebol, por Lana Turner ou Clark Gable. As massas são facilmente influenciáveis com a combinação de vários elementos : o poder da palavra, a personalidade do líder, as condições sociais ou econômicas do momento e o estado de ignorância sobre política ou condição do pais de um modo geral.Coloque tudo isso num saco e você leva as massas para qualquer lado. No caso da Alemanha nós tínhamos perdido a Primeira Guerra Mundial e sofríamos vários problemas. Logo apareceu um brilhante orador, que se valendo dessa situação incrivelmente instável e dramática, levantou as massas, sobretudo porque os grandes industriais alemães, que pagavam agora o preço da derrota, viam em Adolf Hitler uma pessoa que os ajudaria a recuperar as perdas.
Giudicelli continua cutucando:
– Mas o senhor não poderia estar incluído nesse grupo de pessoas, por ser um intelectual, um cientista, e, portanto, não se deixaria levar por demagogos.
Mas Von Braun não perdeu a pose:
- (...) A política, as aventuras amorosas não faziam parte de nosso dia-a-dia. Nosso tempo livre era para ler revistas cientificas, mas os jornais ficavam de lado. Além disso, éramos, de um certo modo, influenciados pela ação da imprensa e tínhamos uma devida atitude de preguiça intelectual para desafiar aquilo que os jornalistas escreviam, mesmo porque, o governo de Adolf Hitler sempre apoiou organizações que pudessem, eventualmente, servir a seus interesses militares, embora isso , estou certo, não ocorria com freqüência em nossas mentes.
Giudicelli quer saber sobre a impressão que von Braun que ele levava do Brasil e de seu povo:
– Mudando de um polo a outro. Durante os poucos dias que o Sr esteve em visita ao Brasil, que impressões pode recolher daquela breve permanência no Rio de Janeiro? O que mais lhe chamou a atenção, tanto do ponto positivo, como do negativo?
Von Braun falou sobre os três aspectos que mais o marcaram sua visão sobre o brasileiro:
- Três coisas mais se destacaram na minha impressão e eu as descrevo sem ser por ordem de importância e sim à medida que vou me lembrando delas. A primeira foi que os brasileiros parecem não se dar conta ou importância da imensa riqueza que possuem em todos os sentidos. Veja este simples exemplo para começar : durante minha permanência no Brasil fui convidado várias vezes para almoçar e jantar. Logo nos dois primeiros dias sempre me levaram a um tipo de restaurante que não parava de servir carnes de todos os tipos , mas não me lembro seu nome. Além do fato curioso que eu nunca havia visto, que é o de servirem os garçons uma enorme variedade de tipos de carne, o que me espantou foi que pensei, inicialmente, ser aquele tipo de restaurante algo assim especial e reservado somente para a classe rica, ou para dar boa impressão a visitantes estrangeiros. O público, a massa comum, não poderia ter acesso a tanta carne. Acontece, entretanto, que depois de quatro almoços e jantares em variadas churrascarias sempre cheias e em várias partes diferentes do Rio de Janeiro, num dia quando nosso avião que nos levaria para outra cidade teve um problema técnico e tivemos que seguir de carro, duas horas depois do começo da viagem terrestre paramos num pequeno lugarejo e ai, sem que nada tivesse sido preparado previamente, voltamos a parar noutra enorme churrascaria, também, cheia de gente de todo tipo e onde voltamos a nos empanturrar de uma grande variedade de carnes deliciosas a preços incrivelmente baratos. Ora, isso eu nunca vi em toda minha vida na Alemanha, como também nunca vi mesmo no rico e vasto Estados Unidos. Vocês, portanto, devem sentir-se muito felizes em poder comer, com tanta abundância, essa quantidade de carne, que era completamente inaccessível a não ser para os muito ricos na Alemanha.
As duas outras coisas que impressionaram von Braun: a grande miscigenação da população e a convivência pacífica e harmoniosa entre as muitas raças que formam o nosso caldeirão social. E a terceira coisa foi o clima que permite diversas colheiras de alimentos durante todo o ano, ao contrários dos Estados Unidos que sofre com um rigoroso inverno.
Veja que o que Wernher von Braun disse em 1972 espelha plenamente a nossa realidade. Somos um país com um potencial enorme para ser destaque no mundo em diversas áreas do conhecimento e não somente como um fornecedor de commodities, mas temos uma sociedade que não evolui.
Grande parcela da nossa população vive abaixo da linha de pobreza, dependendo, para sobreviver, de migalhas dadas pelos políticos, que não fazem qualquer esforço para que esta situação mude. Eles querem o povo submisso, seja pela barriga, seja pela falta de educação. Assim, o domínio é fácil e os poderosos corruptos, entranhados nos três Poderes da República se mantêm no luxo enquanto observam os milhões e milhões passando fome ou sem qualquer apoio decente nos campos da educação, da saúde, da segurança, da habitação. São apenas votos!
Na entrevista acima citada, von Braun também fala sobre um aspecto singular do povo brasileiro: achar que o problema não é com ele e vive de fazer festa. Claro, ele disse isso de forma elegante e irônica:
- Em todos os restaurantes que conheci havia um ruído insuportável, os garçons gritando, as pessoas conversando aos gritos e nada disso ocorre na Alemanha, porque há muito respeito em relação ao barulho nas ruas e nos locais públicos. Mas, quem sabe, isso possa ser uma característica de uma nação alegre. Afinal, vocês não perderam duas guerras mundiais e continuam a ganhar os campeonatos do mundo em futebol.., ( disse o Dr Braun com um meio sorriso irônico).
Precisamos acabar com este faroeste das redes sociais, do entrevero que vemos todos os dias, de pessoas defendendo com unhas e dentes seus corruptos de estimação e procurar construir um Brasil Cidadão. Político algum merece ter fá-clube, mas cidadãos que não só lhes deem os votos para se elegerem, mas que cobrem postura ética e cumprimento de ações que se reflitam em bem geral para a sociedade.
E que a corrupção seja banida de nosso meio!


O dito acima é parte daquilo que penso sobre o Brasil. E von Braun ficou apenas alguns dias nesse país para ter toda essa visão sobre os brasileiros que não querem ter o "trabalho" de mudar o país.
ResponderExcluirOlá Geraldo. Eu acho que não precisa de muita gente para provocar a mudança de rumos; apenas um grupo de cidadãos que não tenha medo de levar porrada. E não podemos desanimar. Grande abraço!
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