quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Como legado da Pandemia, até o reto vira piada!

Não se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás ou de um idiota por qualquer dos lados.

Provérbio Judeu

No próximo mês de setembro estará sendo lançado meu novo livro, que é um estudo sobre o que foi a Pandemia de 1918, no Rio de Janeiro, com a Gripe Espanhola, que não surgiu na Espanha, mas nos Estados Unidos. O livro rebate o que a Academia aceita como verdade para o paciente zero, com todo mundo afirmando que a doença foi internalizada através de um passageiro do navio Demerara, que vinha do Reino Unido e que fazia a rota entre a Europa e a América do Sul, trazendo imigrantes e produtos industrializados e retornando com produtos agrícolas do Brasil e carnes da Argentina.
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Nas pesquisas para o livro, eu localizei documentos oficiais do antigo Ministério da Justiça e Negócios Interiores, ao qual a Saúde era vinculada - acredite, já foi bem pior! -, que contradizem esta teoria e comprovam que a doença entrou no Brasil dois meses antes da data considerada como marco zero. Depois, verificando arquivos dos portos brasileiros, foi possível identificar o navio que, de fato, trouxe os primeiros infectados com a Gripe Espanhola para o Brasil.
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Mas, vale a máxima nazista: "uma mentira repetida mil vezes acaba virando uma verdade". E, como o brasileiro tem preguiça crônica de ler, acaba se contentando com o mais fácil, que é se basear no primeiro que encontra, e assim, a história equivocada vai se perpetuando.Mas, isto é papo para outra oportunidade, talvez, no lançamento de "Demerara: a morte por um fio!". O título é uma homenagem à boiada que segue o primeiro da fila com a sineta no pescoço!
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E, envolvido assim com o tema Pandemia, fico aqui pensando com meus botões: "Será como a Covid-19 no Brasil será retratada por pesquisadores daqui a cem anos, quando os personagens políticos atuais forem apenas figuras caricatas  do folclore de época ou, algumas, meras citações de rodapés? E o combustível para ácidas críticas e ironias não faltará, diante de tanta patacoada protagonizada por nossas autoridades máximas, médias e mínimas.


Por exemplo: como pode o ministro da Ciência, Tecnologia & Inovação, o "astronauta" Marcos Pontes - aquele que passou uma semana na Estação Espacial Internacional plantando feijão em algodão e outras "experiências" do gênero -  gastar dezenas de milhões de reais para patrocinar estudos clínicos para a utilização do medicamento Annita (usado contra vermes e diarreias), que é fabricado por uma indústria privada argentina (Farmoquímica), para combater o Coronavírus? E ainda teve a coragem de anunciar isto em entrevista coletiva com a imprensa, no dia 19 de maio de 2020. Na ocasião, ele não citou o nome do medicamento, dizendo que era ainda sigiloso, um segredo que seria revelado quando os testes foram concluídos.
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No dia seguinte, o Annita estava em toda a mídia, com mais destaque do que a bunda da cantora. E olha que ela se esforça bastante para aparecer! O ministro, certamente desdenhou da célebre frase de Benjamin Franklin "Três pessoas são capazes de guardar um segredo, se duas estiverem mortas".
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E a idiotice do povo é tamanha - talvez daqui a cem anos digam que era desespero - que, além de manter apoio ao governo corrupto do senhor Jair Bolsonaro, ainda obrigou a ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) a incluir o medicamento como de receituário obrigatório, impedindo que se venda livremente nas farmácias para evitar problemas outros, além da Covid-19. Deve ser mesmo somente no Brasil que, para comprar um remédio para caganeira, o cidadão tem de ter uma receita médica! "Depressa doutor, que não estou aguentando mais" kkkkkkkkk

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Mas, o viajante tupiniquim das galáxias, não satisfeito com tal presepada, depois de ser infectado pelo coronavírus, fez uma live dizendo, em alto e bom som, que estava se tratando com Chá de Picão. Este chá é feito com a erva medicinal Picão-preto, também conhecida por Amor de Mulher e que serve para tratar inflamações, como reumatismo, artrite, dor de garganta, amigdalite, faringite, hepatite e cólica menstrual, daí o nome Amor de Mulher. Tudo a ver! Não se tem notícias quanto o ministro está pagando para se tratar à base de picão preto e os resultados clínicos obtidos. Se é que poderiam ser publicados diante da rígida postura olavista em defesa da família e dos bons costumes!!!
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Outro exemplo: falar do ridículo comportamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, diante da Pandemia da Covid-19 é difícil, porque um resumo já daria um livro. Mas, como estamos no campo dos remedinhos caseiros, obrigatoriamente, ele será citado nas teses de Doutorado e dissertações de Mestrado, como o Dr. Cloroquina.  Ele zerou o imposto sobre importação da cloroquina e outros insumos para o tratamento da doença e conseguiu trazer da Índia, que é o maior produtor mundial da cloroquina, seis toneladas de matéria prima para a produção da hidroxicloroquina, para abastecer o laboratório do Exército e mais dois laboratórios privados, sendo um destes, de pessoa de seu relacionamento pessoal. E colocou os milicos verde-olivas em apuros, pois não sabem como irão fazer desaparecer os milhões de comprimidos fabricados, já que nem as emas do Palácio do Planalto aceitaram o remedinho.
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Mas, apesar de toda a merchandising feita pelo presidente para a Hidroxicloroquina do amigo farmacêutico, não há qualquer comprovação da eficácia do produto, além de sua recomendação para tratamento da Malária. Além disso, a ANVISA proibiu a venda do medicamento sem receita médica, aproveitando para incluir na lista de remédios com venda restrita o Ivermectina, medicamento utilizado contra piolhos e vermes, mas que já estava entrando no rol dos milagrosos remédios contra o vírus chinês, mas que a maioria prefere não identificar sua procedência, porque os chinas são os grandes compradores de nossos produtos agrícolas e carnes.
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Mais um exemplo: Os generais e outras patentes menores das Forças Armadas que assumiram o comando do Ministério da Saúde, no lugar dos ministros médicos anteriores, que não caíram na graça do presidente, porque estavam melhor classificados no trending do Twitter e do Facebook do que ele, agora estão às voltas com uma dúvida cruel, pois uma nova terapia contra o coronavírus surgiu fazendo muito barulho.
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Na segunda-feira (3) o ministro-general quatro estrelas, Eduardo Pazzuelo, mantido definitivamente como interino da pasta da Saúde, recebeu em Brasília uma Comitiva de defensores da aplicação de Ozônio pelo ânus do cidadão e da cidadã, como forma de tratamento do novo coronavírus. Aos eventuais voluntários para os testes clínicos, uma dica: os propagandistas da nova terapia disseram ao ministro que o cateter a ser utilizado será bem fininho. Mas cuidado:  a ala mais progressista do governo ou algum membro graduado do Gabinete do Ódio poderá não gostar e sugerir no protocolo de aplicação um cateter de calibre maior!  
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Não ria, porque não é piada. O governo está tão na merda, em todos os sentidos, que agora pode até avaliar, embora o general-ministro conteste, enfiar no toba do cidadão um novo e milagroso remedinho, se já não bastasse o tanto que a gente sofre todo dia com tanta ferrada vinda do planalto central e sem poder se manifestar contra a canalhice brasiliense, porque o Alexandre de Moraes, de quarentena remunerada, não perdoa e manda o Facebook penalizar o engraçadinho.
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A nova terapia passou a ser conhecida, depois que o prefeito da cidade de Itajaí, em Santa Catarina, Volnei Morastoni, sugeriu o combate ao novo coronavírus por via retal. Não foi divulgado quantas vezes este político foi enrabado com Ozônio e se, de fato, surtiu algum efeito, além da euforia momentânea em divulgar o feito.
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Ah, eu gostaria de ser um mosquitinho para ouvir os comentários do presidente Jair Bolsonaro sobre isto. Se ele tem coragem de chamar seus auxiliares diretos de "viado" apenas por usarem máscara, imagina o que vai falar sobre entubar algum de seus assessores pelo reto? Que os pesquisadores do futuro tenham boas fontes de inspiração para sobreviverem ao caos das terapias tupiniquins contra a Covid-19...
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O Brasil somava, até as 18 horas de ontem (5/8), a marca de 97.256 óbitos. E o presidente da República não contente com os números, como se estivesse em disputa com o Trump para ver quem mata mais, pediu aos gaúchos, em sua visita a Bagé (RS) no último dia 31/8, que todos fossem para as ruas enfrentar o vírus. "Porque todo mundo vai ser infectado; é questão de tempo", vaticinou o Dr. Cloroquina.
 


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