quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Quem será o Az de espada? Faça a sua aposta!

 A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objetivo.

O interessante é o jogo.

Aristóteles Onassis

Preâmbulo: O presidente Jair Messias Bolsonaro assume uma posição muito intrigante quando o assunto é dinheiro. Em 1983, o primeiro-tenente Bolsonaro completava dez anos no serviço militar e acabava de concluir sua formação em Educação Física. Em seguida, ele saiu de férias, mas não foi uma boa ideia o destino escolhido. No seu retorno ao quartel, Jair Bolsonaro foi submetido a um Conselho de Justificação [1] porque, ao invés de ir descansar, viajou na companhia de três tenentes e dois sargentos, estes, diretamente ligados ao seu comando, para Jacobina, na Bahia, com o propósito de garimpar ilegalmente.

Como é bem o seu estilo, ao ser ouvido pelo Conselho disse que não havia obtido qualquer lucro com o garimpo e que isto era apenas  um hobby, um passatempo. Seu superior, coronel Carlos Alfredo Pellegrino, também ouvido na Sindicância, afirmou que tentou demover Bolsonaro da ideia de ir garimpar, mas que conheceu "pela primeira vez sua grande aspiração em poder desfrutar das comodidades (conforto) que uma fortuna poderia proporcionar". Pellegrino também disse que a tentativa de justificativa de Bolsonaro apenas "confirmava a sua ambição em buscar por outros meios a oportunidade de realizar a sua aspiração de ser um homem rico".

Em decorrência dos fatos aludidos, a Diretoria de Cadastro e Avaliação do Ministério do Exército fez assentar na 'Ficha de Informações' do tenente Bolsonaro que ele "havia dado mostras de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de garimpo de ouro e que ele necessitava ser colocado em funções que exigissem esforço e dedicação, a fim de reorientar a sua carreira". A anotação também afirmava que Bolsonaro havia demonstrado "excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente".

Apartamento Funcional: Passados quase seis anos deste evento, Bolsonaro deixava o Exército Militar para ser empossado como vereador do Rio de Janeiro e também era despejado com a família do apartamento funcional que ocupava na Vila Militar, tendo que arranjar às pressas uma casa para se mudar. Estamos falando de 1989. Dois anos depois, ele abandonava a Vereança para ser deputado federal e se mandou para Brasília, onde teve sérias dificuldades para conseguir da Câmara dos Deputados um apartamento para morar da capital federal, tendo feito até ameaças para acelerar o processo:

"Não aceito ficar sem teto. Se não receber urgente um apartamento e um gabinete, armo uma barraca em frente ao Congresso Nacional e acampo lá com o sargento que trouxe comigo", disse Bolsonaro da tribuna da Câmara dos Deputados.

Auxílio-Moradia: Bolsonaro logo seria atendido em seu pleito por um apartamento funcional e um gabinete, mas, em outubro de 1995, ele devolveu o apartamento funcional e optou por receber o Auxílio-Moradia. Neste período de tempo, ele comprou um apartamento de dois quartos "na planta", que foi-lhe entregue em 2000. Mas, Bolsonaro nada disse sobre o fato e continuou recebendo o Auxílio-Moradia, mesmo tendo apartamento em Brasília. Em fevereiro de 2015, seu filho Eduardo Bolsonaro tomou posse na Câmara dos Deputados e foi morar com o pai. Em janeiro de 2018, quando a imprensa passou a vasculhar sua vida, por ter se colocado como candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro recebiam cada qual o auxílio-moradia no valor de R$ 3.083,50 mesmo os dois morando em apartamento próprio. Até dezembro de 2017, pai e filho receberam juntos a quantia de R$ 730.000,00 já descontado o Imposto de Renda.

Jair Bolsonaro nunca gostou de ser questionado sobre seus atos suspeitos, sempre dando respostas ríspidas e ameaçando os repórteres. Nesta caso, não foi diferente. No dia 11 de janeiro de 2018, questionado por um repórter da Folha de S. Paulo se ele havia utilizado a verba do auxílio-moradia para comprar o apartamento em Brasília, o deputado Jair Bolsonaro respondeu: "Como eu estava solteiro naquela época, este dinheiro do auxílio-moradia eu usava para comer gente". Foi, além de grosseira, uma resposta um tanto suspeita, porque pelo tanto que ele fala contra a ideologia do gênero "comer gente" parece que se refere a ambos os sexos, trans e outras terminologias... Mas isto são outros quinhentos...

Diante dessa resposta truncada, o repórter da Folha insistiu em seu questionamento, tendo Bolsonaro respondido:

O dinheiro que entrava do auxílio-moradia... eu dormia em hotel, dormia em casa de colega militar em Brasília, o dinheiro foi gasto em alguma coisa ou você quer que eu preste continha: olha, recebi R$ 3 mil, gastei R$ 2 mil em hotel, vou devolver R$ 1 mil, tem cabimento isso?

Partilha de Bens do segundo casamento: Em 2007, Jair Bolsonaro e Ana Cristina, sua segunda mulher, entraram na fase de esgotamento do relacionamento. Ele alegou que os entreveros com a companheira começaram quando ela comprou um apartamento em um hotel em construção na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, sem tê-lo consultado. Para ela, isso era dispensável, pois o dinheiro era de conta conjunta mantida com o marido.

Bolsonaro então propôs a Ana Cristina a separação e divisão dos bens, com base no que ele havia declarado ao Tribunal Superior Eleitoral na inscrição de candidatura para a campanha eleitoral de 2006, ou seja, R$ 433.934,00.

Ana Cristina, contudo, alegando que Jair Bolsonaro não estava sendo justo ao fazer a partilha de bens, entrou com uma ação na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na qual anexou uma lista de bens mais extensa do que a declarada pelo deputado federal, que peritos do Tribunal de Justiça calcularam em R$ 4,001 milhões, quase dez vezes mais do que ele havia declarado, à Justiça Eleitoral, ter como patrimônio.

A lista apresentada por Ana Cristina incluía 17 bens, sendo três casas, três salas, um apartamento, três lotes, cinco veículos e uma moto-aquática. Ainda no referido processo de separação judicial, Ana Cristina afirmou que Jair Bolsonaro tinha uma próspera condição financeira e que a renda mensal dele chegava a R$ 100 mil reais, muito superior ao que ganhava como deputado federal e como militar da Reserva.

Ana Cristina também registrou um Boletim de Ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia Civil, no centro do Rio de Janeiro, acusando Jair Bolsonaro de ter furtado R$ 200 mil e US$ 30 mil em espécie e joias avaliadas em R$ 600 mil de um cofre mantido por ela em uma agência do Banco do Brasil, também no Centro.

Não se sabe o nível de acordo feito por Ana Cristina com Bolsonaro, para que ela não comparecesse a duas intimações para depor no inquérito policial que investigava o sumiço do cofre, e o mesmo foi encerrado sem esclarecimento.

Estes eventos contribuem para explicar parte da fortuna amealhada pela família Bolsonaro, mas não é tudo e é preciso ir a fundo nesta história.

Será Ana Cristina a carta que falta para o MP ganhar este jogo contra o truculento corrupto Jair Messias Bolsonaro e seu filhos? Ou vão prender a filha do Queiróz para que ela conte tudo que sabe? Dê o seu palpite.

E uma coisa não podia faltar: "Presidente, por que sua mulher Michele recebeu R$ 89 mil do Queiróz?


[1] O Conselho de Justificação é processo especial instaurado nas Forças Armadas, com a finalidade de julgar “da incapacidade do oficial para permanecer na ativa”, permitindo-lhe também “condições para se justificar”. Preponderantemente previsto para o Oficial de carreira do serviço ativo, é também cabível para o oficial da reserva remunerada ou reformado.

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