A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
Jô Soares
Refrescando a memória (1): nas eleições de 2014, a JBS e outras empresas do grupo empresarial dos irmãos Batista protagonizaram a mais escandalosa distribuição de verbas para as campanhas políticas de todos os partidos políticos, com destaque para o PT e PSDB, num total de mais de 400 milhões de reais. O Partido Progressista (PP), presidido pelo deputado Ciro Nogueira - o mesmo que hoje anda pra baixo e pra cima com Bolsonaro -, e que apoiava a reeleição da presidente Dilma Rousseff, também entrou na lista de beneficiados da JBS, tendo sido entregue um cheque de R$ 200 mil para a campanha do deputado Jair Bolsonaro. Como a coisa vazou ele devolveu o cheque e pegou o dinheiro equivalente de outra fonte. Jair Bolsonaro fez de conta que era honesto e a coisa esfriou.
Refrescando a memória (2): em 2017, os irmãos Batista foram pressionados a fazer um Acordo de Delação com a PGR, devido as muitas investigações em curso contra os muitos indícios de crimes de corrupção praticados em diversas empresas e o envolvimento de cerca de 1.800 políticos, aos quais os Batistas distribuíram bilhões de reais em troca de empréstimos favorecidos no BNDES, Caixa Econômica Federal e a participação de fundos de pensão em projetos do grupo J&F. Para tentarem se livrar da prisão, Joesley e Wesley Batista e mais alguns de seus executivos, assinaram um acordo para pagamento de R$ 10 bilhões, para serem pagos em 20 anos. Como eles omitiram muitos dos crimes praticados, a PGR pediu ao STF para anular tal acordo, o que continua pendente de decisão da Corte. Os irmãos Batista querem que o acordo não seja anulado e, para tanto, vem tentando de todas as formas fazer com que os ministros aceitem manter o acordo vigente.
Dos novos fatos: o Ministério Público do Rio de Janeiro, que investiga a "rachadinha" do Flávio Bolsonaro, em que é implicado o Queiróz & Cia, descobriu que a JBS depositou na conta do advogado Frederick Wassef - o cara que escondeu o Queiróz em sua casa em Atibaia - o montante de R$ 9 milhões. Então, aprofundando as investigações, foi descoberto que o Wassef esteve no final de 2019 em reunião com o PGR Augusto Aras, tendo o presidente Jair Bolsonaro intermediado o encontro dos dois.
Na Crusoé, Fábio Leite conta que há pouco mais de um mês, quando a revista já apurava a atuação de Frederick Wassef junto à PGR para tentar salvar o acordo de colaboração premiada da JBS, o advogado negou tudo. Bem ao seu estilo, o defensor de Jair e Flávio Bolsonaro negou peremptoriamente que tivesse sido contratado pela empresa de Joesley e Wesley Batista: “Isso é outra fake. Vocês estão me arrumando cliente que não existe”. (Fonte: O Antagonista)
Segundo a revista Crusoé, o presidente Jair Bolsonaro teria pedido diretamente ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para receber Wassef, a fim de tratar com o advogado do acordo de colaboração da JBS, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda segundo a Crusoé “Com Frederick Wassef já na sua lista de colaboradores, a JBS se moveu para ter por perto outras figuras com trânsito livre no clã Bolsonaro”. “Não faz muito tempo, a empresa tentou contratar Karina Kufa, advogada do presidente, para tocar alguns de seus processos”.
Ainda de acordo com a revista Crusoé, depois da investida de Frederick Wassef na PGR, em defesa de obscuros interesses da JBS, com intermediação do presidente Jair Bolsonaro, o processo de delação premiada dos irmãos Batista voltou ao Gabinete do procurador-geral da República, Augusto Aras, cinco vezes. Não se sabe o que foi alterado.
A JBS trata de tirar o corpo fora...
A JBS disse hoje, em nota, que o escritório de Frederick Wassef prestou serviços “em inquéritos na esfera policial”, mas que ele “não representa nem se manifesta em nome da Companhia junto à PGR”. A JBS informou ainda que o escritório de Frederick Wassef prestou serviços "em inquéritos na esfera policial", mas que ele "não representa nem se manifesta em nome da Companhia junto à PGR"...
Restam muitas dúvidas, que Bolsonaro e a JBS têm de esclarecer:
- Por que ele pediu ao PGR Augusto Aras que recebesse o advogado Frederick Wassef?
- Qual a relação que ele mantém com a JBS?
- Se a JBS não tinha contrato com Wassef para tratar de assuntos junto à PGR, porque ela mantém pagamentos regulares ao advogado de Bolsonaro desde 2015?
- Em quais processos criminais Wassef atuou para a JBS, se seu nome nunca esteve ligado a qualquer ação judicial?
Wassef tenta proteger seu ganha-pão...
Fredercik Wassef divulgou ontem (20), nota em que nega ter tratado com Augusto Aras da repactuação do acordo de delação da JBS. O advogado também negou que Jair Bolsonaro tenha ligado para Aras pedindo que ele fosse recebido na PGR. Crusoé mantém a informação publicada. (Fonte: O Antagonista).
O subprocurador atendeu Wassef fala...
O subprocurador José Adonis Callou disse ao Estadão que recebeu Frederick Wassef a pedido do gabinete de Augusto Aras, como publicou a Crusoé e O Antagonista. A conversa teria sido rápida, pois o advogado não tinha procuração da JBS: “Ele disse que apresentaria, mas não retornou. A conversa foi somente essa”.
Algumas horas antes do encontro, estranhamente, o próprio Jair Bolsonaro telefonou para José Adonis Callou. “O presidente não entrou em detalhes sobre o que seria tratado pelo advogado, mas fez questão de demonstrar seu contentamento com a disposição do procurador em atender Wassef.” (Fonte: O Antagonista)
A PGR toma atitude...
A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu instaurar nesta quinta-feira (20) um procedimento de apuração sobre supostos pagamentos feitos pela empresa JBS ao advogado Frederick Wassef, que trabalhou para a família Bolsonaro. A PGR quer saber se esses pagamentos tiveram efeito no acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria com os executivos da empresa. (Fonte: G1)
O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ontem que o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, compartilhe informações sobre as relações entre o advogado Frederick Wassef e a JBS. De acordo com a PGR, pode haver nesse caso mais indícios de que os irmãos Batista, donos do frigorífico, omitiram informações de suas delações premiadas.
Aras quer ter acesso ao relatório do Coaf revelado pela Crusoé que mostra transferências de R$ 9 milhões da JBS para contas de Wassef entre 2015 e 2020. O procurador quer avaliar o impacto dessas informações no pedido feito por seu antecessor na PGR, Rodrigo Janot, de anulação dos acordos de delação dos executivos da JBS. (Fonte: O antagonista)

Nenhum comentário:
Postar um comentário