Zatonio Lahud - escritor brasileiro
Agradecido a Lula pela boquinha conseguida como ministro do Supremo Tribunal Federal, [1] cargo no qual tomou posse no dia 16 de março de 2006, o advogado Enrique Ricardo Lewandowski, atual ministro da Justiça, suspendeu, em março de 2022, Ação Penal que tramitava naquela corte, por suposta propina de R$ 2,5 milhões, recebida por Luiz Claudio - filho de Lula -, em função de tráfico de influência do então ex-presidente na definição da SAAB para o fornecimento dos 36 caças licitados no âmbito do Programa FX-2, com valor atualizado de R$ 21,2 bilhões.
Entretanto, em fevereiro de 2023, Ricardo Lewandowski encerrou em definitivo tal Ação Penal, com a justificativa de que o hackeamento de mensagens de procuradores da República indicariam que as provas contra Lula eram frágeis.
Na mesma canetada monocrática, Lewandowski trancou processos sobre doações da Odebrecht ao Instituto Lula e sobre as compras de um terreno para sediar o instituto e de um apartamento em São Bernardo do Campo.
Era o que restava para deixar Lula com ficha limpa na Justiça e despreocupado para gozar seus últimos anos de vida no luxo e na paz.
Mas, por essa ele não esperava: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidiu rever este caso e, no dia 10 de outubro de 2024, intimou a fabricante sueca SAAB a prestar informações sobre o negócio realizado em 2014 com o governo brasileiro.
Lá, o buraco é mais embaixo e Lula será investigado sem a proteção da nossa Suprema Corte, que parece atuar sempre no sentido de proteger os corruptos.
[1] De acordo com o historiador e comentarista político, Marco Antônio Villa, Ricardo Lewandowski foi indicado a Lula pelo amigão Laerte Demarchi, do Restaurante Frango com Polenta, de São Bernardo do Campo, com quem o petista viajava, pescava e fazia caminhadas e no restaurante do qual o então sindicalista comia de graça. Em 2012, a revista Época confirmou esta história, quando publicou matéria falando sobre os amigos de Lula, que compreendiam Luiz Marinho, Lewandowski e Demarchi. E Época afirma: “A família Demarchi se orgulha de ter sugerido o nome de Lewandowski quando surgiu uma vaga no Supremo. ‘O único favor que pedimos ao Lula, que foi meu irmão Laerte [ex-vice-prefeito de São Bernardo] quem pediu, foi para que ele colocasse o Ricardo como ministro’. O Lula falou: ‘Tudo bem’”. E prossegue: Agora que a Lava Jato investiga o elo entre Lula, José Carlos Bumlai e Laerte Demarchi, o que vai dizer o presidente do STF, indicado para o cargo pelo próprio Laerte Demarchi? Tudo bem? (SILVA, Bernardino Coelho da. Operação Lava Toga: deu a louca em Zeus. Conselheiro Lafaiete/MG, 2020).

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