sábado, 19 de outubro de 2024

Ministro Luis Roberto Barroso, a quem o senhor pensa que engana defendendo os tais fóruns internacionais?

A captura do Estado por  grupos de interesse é quando alguns grupos de pessoas, podem ser pessoas físicas ou jurídicas, acabam tendo uma influência muito grande sobre as decisões que lhes interessam.

Luciano Nakabashi é professor doutor do Departamento de Economia da FEA-RP/USP 

Ministro Barroso, o senhor estava presente no II Fórum Internacional promovido pela Esfera Brasil, palestrou na Abertura do Evento e viu apenas o que lhe interessava ou que permitiram ao senhor bisbilhotar.

Vou relembrá-lo das palavras iniciais do presidente do Conselho de Administração da Esfera e da CNN Brasil, João Camargo:

Bom, gente, é uma honra receber esse nível tão glorioso aqui neste evento, celebrando também os 150 anos da imigração italiana, (...)

Vê-se que as pessoas presentes eram maiores que o mote do evento, que se dizia seria para comemorar os 150 anos da imigração italiana no Brasil.

João Camargo citou em seguida o nome do senhor e do presidente "do nosso Congresso Nacional" Rodrigo Pacheco, através dos quais cumprimentou todos os presentes. E isto não foi uma ingênua referência.

O Executivo já está por demais capturado pelas forças empresariais, seja através das ações junto ao experiente presidente Lula, seja através de seus ministros de Estado, alguns que já deveriam estar presos.

Então, é preciso construir "pontes para o futuro" com o todo do Judiciário maior do país, para garantir a impunidade e construir também pontes ou elos, como queira, com o Legislativo, em especial com o Senado Federal, que assegura a longevidade dos cargos de ministros do STF, sempre longe da ânsia de parte do Congresso em impor-lhes limites na defesa de bandidos e de grandes empresários.

O senhor acredita mesmo que foi a Roma apenas devido à sua competência funcional? Claro que não. E foi providencial que estivesse no mesmo recinto o senhor e o presidente do Congresso Nacional, construindo as tais "pontes para o futuro".

O senhor, talvez pela ética salutar que ostenta e na qual ainda acredito, não foi palestrar em Roma por causa de sua voz apaziguadora, mas com o objetivo maior de validar o que estava sendo feito, com tanto patriotismo, com tanto amor ao Brasil, nas opiniões "isentas" da CNN Brasil.

E parece que o senhor passou a acreditar nisso, como se tivesse vindo de uma sessão de lavagem cerebral, ao criticar os críticos das viagens internacionais bancadas por empresários privados encrencados com a Justiça ou que desejam que tais pontes, no futuro, lhes permitam obter benesses não possíveis a reles mortais.

Acho que o senhor, mesmo já tendo expressado sua opinião, deve repensar o caso, pois a coisa não é nada ética. É só olhar os eventos promovidos no exterior (Londres, Roma, Nova York, Paris), os temas debatidos e as relações de autoridades presentes e patrocinadores do evento.

Estamos diante de um dos mais ousados meios de captura do Estado e não trabalhando em prol do progresso do Brasil, como afirmou João Camargo.

O que saiu de concreto deste e de eventos anteriores promovidos pela Esfera Brasil?

- A suspensão de pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões imputada aos irmãos Batista pela confissão de todos os crimes praticados por eles e por colaboradores de suas organizações?

- A venda de 12 termoelétricas e da Amazonas Energia para os irmãos Batista com os bilhões de reais de inadimplência da AM Energia sendo repassados para os consumidores de todo o Brasil, com sobretaxa em suas contas de energia elétrica?

- A perspectiva de decisões favoráveis de ministros do STF em ações de interesse de patrocinadores de tais eventos, como o Banco Master e a J&F?

- Decisões favoráveis do CADE em processos de concentração econômica de empresas dos amigos dos amigos dos amigos?

O que mais é preciso acontecer neste país para esta corte suprema agir, de fato, contra os grandes corruptos deste país? Ou isto não interessa à Justiça, mas continuar prendendo preto, puta, pobre e moradores de rua, apenas porque estejam no lugar errado na hora errada?

Pense nisso!

E acredite: esta sua defesa de que criticar estas viagens internacionais é preconceito contra empresários privados não convence ninguém.

Não faça como a deusa Thêmis, tire a venda que estão lhe pondo nos olhos e veja a realidade do crime organizado, que está tomando de assalto todas as instituições do Estado Brasileiro. Acorda, enquanto há tempo!

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