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Na foto: Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e Bruno Dantas, presidente do TCU em evento promovido pela Esfera Brasil Ltda em Roma nos dias 11 e 12 de outubro de 2024 |
Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores
Luis Fernando Verissimo é um escritor, jornalista, humorista e cronista brasileiro.
A cada dia que passa, mais e mais membros do
Judiciário, Executivo e Legislativo brasileiros embarcam em viagens
internacionais, participando de eventos que, sob a fachada de "fóruns
internacionais", podem estar escondendo um jogo perigoso de influência maléfica e captura do Estado
por organizações privadas e empresários encrencados com a Justiça e/ou com interesse em benesses que não seriam conseguidas por vias normais.
Este jogo sempre foi jogado pelo Governo Lula e agora, com mais vigor, com as costas largas protegidas pelo Supremo Tribunal Federal.
O II Fórum Internacional, promovido pela empresa
"Esfera Brasil Ltda", realizado entre os dias 10 e 12 de outubro de
2024, é um exemplo emblemático dessa prática, que nos parece cheirar a podridão.
Restam questões que precisam ser respondidas com urgência: o que realmente acontece
nesses eventos, depois que as estrelas e convidados saem do foco das câmeras? São meras oportunidades de networking
e troca de experiências, como pregam os organizadores, ou algo mais sinistro e que parece estar moldando nosso Regime de Governo para a Cleptocracia?
A presença de empresários com processos em
andamento na Justiça, ou com interesses em obter favores do Estado além do que
se conseguiria por vias burocráticas normais, levantam pesadas suspeitas sobre a real
finalidade dessas viagens.
Por quê é preciso ir para Paris, Portugal, Londres e Roma para discutir assuntos internos do Brasil? Não parece que isto seja o mote principal destes encontros, que mais parecem estratégias criminosas de capturar entes públicos em prol do privado.
Reuniões "a portas fechadas" com membros
do poder público, em locais paradisíacos e com custos exorbitantes, criam um
ambiente propício à corrupção e ao favorecimento de interesses privados.
A falta de transparência sobre os gastos com essas
viagens, a ausência de mecanismos de controle e a fragilidade da legislação
brasileira, que não exige a divulgação de informações detalhadas sobre as
atividades realizadas durante os eventos, alimentam a desconfiança da
sociedade.
É essencial que a participação de membros do poder público em eventos internacionais seja submetida a um escrutínio rigoroso. O uso de recursos públicos para viagens com fins duvidosos é inaceitável. É ainda mais grave quando estes eventos, viagens e pagamentos por palestras são bancados por empresas privadas que estão com ações na Justiça em que ministros e desembargadores envolvidos diretamente na análise e decisão dos casos são justamente os convidados para estes suspeitos fóruns internacionais.
A sociedade precisa se questionar:
- Quem financia tais eventos e os interesses envolvidos?
- Quais os reais objetivos
desses encontros?
- Quais os benefícios para a
sociedade?
- Qual o custo para o
contribuinte?
- Quem investe em patrocinar tais eventos e as demandas pendentes na Justiça, no Executivo e no Legislativo?
O silêncio e a falta de clareza sobre os eventos internacionais,
principalmente aqueles que rotulados de "fóruns", abrem espaço para a
proliferação de práticas corruptas e para o comprometimento da Democracia
brasileira.
É preciso investigar, fiscalizar e, acima de tudo,
garantir a transparência para que o Estado brasileiro não seja capturado por
interesses privados, escondidos atrás de eventos que se disfarçam de
oportunidades de crescimento.
É hora de acabar com a cortina de fumaça e
exigir transparência total nas viagens internacionais de membros do poder
público!

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