sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Viagens Internacionais: Turismo ou Captura do Estado?


Na foto: Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e Bruno Dantas, presidente do TCU em evento promovido pela Esfera Brasil Ltda em Roma nos dias 11 e 12 de outubro de 2024

Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores

Luis Fernando Verissimo é um escritor, jornalista, humorista e cronista brasileiro.

A cada dia que passa, mais e mais membros do Judiciário, Executivo e Legislativo brasileiros embarcam em viagens internacionais, participando de eventos que, sob a fachada de "fóruns internacionais", podem estar escondendo um jogo perigoso de influência maléfica e captura do Estado por organizações privadas e empresários encrencados com a Justiça e/ou com interesse em benesses que não seriam conseguidas por vias normais.

Este jogo sempre foi jogado pelo Governo Lula e agora, com mais vigor, com as costas largas protegidas pelo Supremo Tribunal Federal.

O II Fórum Internacional, promovido pela empresa "Esfera Brasil Ltda", realizado entre os dias 10 e 12 de outubro de 2024, é um exemplo emblemático dessa prática, que nos parece cheirar a podridão.

Restam questões que precisam ser respondidas com urgência: o que realmente acontece nesses eventos, depois que as estrelas e convidados saem do foco das câmeras? São meras oportunidades de networking e troca de experiências, como pregam os organizadores, ou algo mais sinistro e que parece estar moldando nosso Regime de Governo para a Cleptocracia?

A presença de empresários com processos em andamento na Justiça, ou com interesses em obter favores do Estado além do que se conseguiria por vias burocráticas normais, levantam pesadas suspeitas sobre a real finalidade dessas viagens.

Por quê é preciso ir para Paris, Portugal, Londres e Roma para discutir assuntos internos do Brasil? Não parece que isto seja o mote principal destes encontros, que mais parecem estratégias criminosas de capturar entes públicos em prol do privado.

Reuniões "a portas fechadas" com membros do poder público, em locais paradisíacos e com custos exorbitantes, criam um ambiente propício à corrupção e ao favorecimento de interesses privados.

A falta de transparência sobre os gastos com essas viagens, a ausência de mecanismos de controle e a fragilidade da legislação brasileira, que não exige a divulgação de informações detalhadas sobre as atividades realizadas durante os eventos, alimentam a desconfiança da sociedade.

É essencial que a participação de membros do poder público em eventos internacionais seja submetida a um escrutínio rigoroso. O uso de recursos públicos para viagens com fins duvidosos é inaceitável. É ainda mais grave quando estes eventos, viagens e pagamentos por palestras são bancados por empresas privadas que estão com ações na Justiça em que ministros e desembargadores envolvidos diretamente na análise e decisão dos casos são justamente os convidados para estes suspeitos fóruns internacionais.

A sociedade precisa se questionar:

  • Quem financia tais eventos e os interesses envolvidos?
  • Quais os reais objetivos desses encontros?
  • Quais os benefícios para a sociedade?
  • Qual o custo para o contribuinte?
  • Quem investe em patrocinar tais eventos e as demandas pendentes na Justiça, no Executivo e no Legislativo?

O silêncio e a falta de clareza sobre os eventos internacionais, principalmente aqueles que rotulados de "fóruns", abrem espaço para a proliferação de práticas corruptas e para o comprometimento da Democracia brasileira.

É preciso investigar, fiscalizar e, acima de tudo, garantir a transparência para que o Estado brasileiro não seja capturado por interesses privados, escondidos atrás de eventos que se disfarçam de oportunidades de crescimento.

É hora de acabar com a cortina de fumaça e exigir transparência total nas viagens internacionais de membros do poder público!


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