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| Salão de eventos do luxuoso 5 estrelas The St. Regis Rome |
Se as viagens simplesmente instruíssem os homens, os marinheiros seriam os mais instruídos.
Marquês de Maricá (título de nobreza de Mariano José Pereira da Fonseca) (1773-1848) foi político, filósofo e escritor brasileiro.
No dia 10 de outubro de 2024 , segundo manchete do Neofeed "O PIB e o Poder 'invadiram' Roma". De acordo com a panfletagem do evento, o II Fórum Esfera Internacional foi realizado em comemoração aos 150 anos da imigração italiana no Brasil.
Segundo o site Metrópoles "As mesas de debates multidisciplinares abordariam temas de aspecto global, como o atual cenário do mercado financeiro, investimentos internacionais, reflexões sobre a configuração de medidas de segurança pública e estabilidade jurídica, o combate ao crime organizado internacional e à fome, além de medidas para garantir emprego e diminuir as desigualdades sociais.
Assim, nos dias 11 (sexta-feira) e 12 (sábado) o luxuoso 5 estrelas The St. Regis Rome recebeu a galera ítalo-brasileira para debates mornos e que em nada justificaram o oneroso deslocamento de tantas autoridades brasileiras para irem à Roma.
Ou será que a motivação principal foi outra?
Vejamos quem patrocinou o II Fórum Internacional promovido pela Esfera Brasil realizado em Roma, na Itália.
Em primeiro lugar, vamos citar o Banco Master, [1] que também já havia patrocinado o "1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias" realizado em Londres, na Inglaterra, entre os dias 24 e 27 de abril de 2024, com participação de ministros do STF e do STJ, onde diversas ações contra o banco tramitam nestas cortes superiores.
Por exemplo, palestrou no evento o ministro Gilmar Mendes, que falou sobre "Estabilidade Institucional e Segurança Jurídica para atração de Investimentos Internacionais". Ele é relator de uma ação do Banco Master contra a União questionando o recolhimento de CSLL.
No evento londrino, o ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), falou sobre "Mecanismos de Aprimoramento do Processo Eleitoral", seja lá porque tal tema teve de ser discutido em Londres...
Do STF também participaram da farra de Londres o presidente da corte Luis Roberto Barroso e os ministros Alexandre de Moraes e Antônio Dias Toffoli. Aliás, registre-se que Barroso disse ao Estadão que "crítica a encontros com empresários é 'preconceito contra a iniciativa privada".
Durma com um barulho desses...
Não presidente Barroso, não é preconceito. É a simples constatação de que estes eventos são minuciosamente planejados para a literal captura do Estado em prol da manutenção da impunidade dos maus empresários.
Além do ministro Raul Araújo Filho (STJ/TSE), voaram para Londres os ministros do STJ Benedito Gonçalves, Mauro Campbell Marques e Luis Felipe Salomão e do TSE, o ministro André Ramos Tavares.
Este fórum jurídico teve entre seus patrocinadores a British American Tobacco (BAT) Brasil, antes conhecida como Souza Cruz — uma empresa que responde a dois processos junto ao STF.
Mas o interesse privado em capturar os entes públicos ou, pelo menos, causar mal-estar no servidor quando este estiver analisando algum processo administrativo ou judicial da empresa patrocinadora e com a qual este conviveu tão intimamente, longe de olhares críticos, faz com que os convites para viagens internacionais se estendam a um público maior.
Por exemplo, no evento feito em Londres em abril de 2024, além de ministros de cortes superiores, foram como convidados vip's de empresários com interesses em decisões a eles favoráveis: Alexandre Cordeiro (presidente do Cade), Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal, que também foi à farra de Roma), Daiane Nogueira de Lira (ex-chefe do ministro Dias Toffoli e então conselheira do CNJ), José Levi Mello do Amaral Júnior (conselheiro do Cade), Paulo Gonet (procurador Geral da República, que também participou da farra de Roma), Michel Temer (ex-presidente da República) e Victor Fernandes (Conselheiro do Cade).
Ah, com um sórdido detalhe: a imprensa foi impedida de acompanhar o evento, que foi realizado no luxuoso hotel The Peninsula, que fica ao lado do Hyde Park e cujas diárias custam acima de 900 libras (cerca de R$ 5.800).
O mais palpável neste enredo misterioso é que o Banco Master é parte em 27 ações que tramitam no STJ e o ministro Raul Araújo é relator em 3 destas ações, daí a necessidade de se capturar outros membros da corte para tais eventos.
Veja quem foram os debatedores do painel 2 do evento em Londres.
Para encerrar o assunto Banco Master, ele foi o patrocinador, no evento de Londres, da palestra proferida pelo ex-primeiro-ministro Tony Blair, com custo estimado pelo mercado de palestras entre 120 e 150 mil libras esterlinas.
[1] O Banco Master entrou no jogo financeiro em 2019, depois de esperar dois anos para que o Banco Central autorizasse suas operações. De 2019 a 2024 – meros cinco anos –, o patrimônio líquido do Master passou de 219 milhões de reais para 5 bilhões de reais, de acordo com o balanço do banco, divulgado em setembro. Um crescimento calcado em operações de risco que muita gente do mercado considera fora dos padrões do sistema financeiro. O que mais chama a atenção, e preocupa, é o fato de o banco ter colocado na praça 40 bilhões de reais em CDBs, também segundo o seu balanço. É um valor assombroso para uma instituição classificada pelo Banco Central como S3, ou seja, um banco pequeno. Em 2019, o Master tinha 2,5 bilhões de reais em CDBs emitidos. Em 2022, já eram 17,4 bilhões de reais. Em 2024, alcançou os 40 bilhões de reais. (Diegues, 2024).



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