terça-feira, 1 de outubro de 2024

Os bilhões de reais [do povo] torrados, sem qualquer critério, pelos partidos políticos com as bênçãos do STF

O governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Mesmo que venha do operariado, tão logo se torne governante ou representante do povo cessará de ser operário e pôr-se-á a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representará o povo, mas a si mesmo e sua pretensão de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.

Mikhail A. Bakunin (1814-1876) pensador anarquista russo

O Partido Liberal - legenda de "propriedade" do mensaleiro Valdemar da Costa Neto - agora dividindo a gestão com o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família - comunicou nesta terça-feira (1º/10/2024) já ter gastado a sua parcela de 1,0 bilhão de Reais do Fundo Eleitoral.

É muito dinheiro para um único partido gastar, fora o que este recebe do Fundo Partidário que mantém os aviões, mansões, altíssimos salários para membros do comando do Partido, helicópteros e outras mordomias para os "donos de partidos" e seus asseclas.

O publicitário paulistano, Fernando Alves Von Noble (Conde Von Noble), com forte trabalho na área de marketing político na região Norte do país, disse certa vez, que “os políticos no Brasil não são eleitos pelas pessoas que leem jornais, mas por quem se limpa com eles”.

Embora possa ser tida tal fala como “politicamente incorreta” ou de mau gosto, como queira, ao se relacionar, em síntese, a eleição de políticos corruptos à falta de educação ou pobres, ele não está totalmente errado, pois o Brasil, de acordo com o Censo Demográfico feito pelo IBGE em 2022, cerca de tem 11,3 milhões de analfabetos (5,4%). Do total da população brasileira cerca de 67,8 milhões de pessoas viviam na pobreza e, na extrema pobreza, cerca de 12,7 milhões de brasileiros.

O Brasil mantém a segunda posição no G20 em termos de extrema pobreza (abaixo da linha de pobreza), somente perdendo para a Índia. Isto, enquanto somente nestas eleições os partidos estão gastando, só de verba oficial 5 bilhões de reais, fora o dinheiro que os políticos e partidos arrecadam na forma de caixa 2 das empresas com interesses em recuperar tais investimentos com juros e correção monetária.

O financiamento privado de campanhas políticas (pessoas físicas e jurídicas) prevaleceu até as eleições de 2014, quando se pode ver um escandaloso gasto de R$ 5,1 bilhões, de acordo com cálculos da ONG Transparência Brasil, indicando ter sido a mais dispendiosa de toda a história de nossa Democracia.

O STF alterou o jogo ao proibir o financiamento privado de campanhas políticas, somente permitindo a doação por pessoas físicas e com limites, embora os políticos e partidos continuem com outras estratégias, como o desvio de parte das verbas destinadas a estados e municípios através de emendas parlamentares (29 bilhões de reais em 2024), dinheiro de caixa 2, muitas vezes objeto de crimes, rachadinhas, percentual do salário de assessores e funcionários públicos indicados por partidos.

E a farra com o dinheiro público não tem fim, pois o governo federal, com a desculpa de precisar de apoio no Congresso Nacional liberou geral e entregou a chave dos cofres das principais estatais para a bandidagem política.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal engaveta os processos de corrupção envolvendo políticos e dá um jeito de desqualificar toda e qualquer condenação de políticos corruptos e empresários corruptores.

O grande maestro Tom Jobim cunhou a expressão "O Brasil não é para principiantes", frase que depois foi alterada para "O Brasil não é para amadores", representando melhor o sentido da mesma quando aplicada ao mundo da política brasileira, apinhado de profissionais na arte de roubar o país, sempre com as bênçãos de ministros da Suprema Corte, que usam a tática do engavetamento processual para ter os senadores e deputados nas mãos.

"Vocês nos protegem e nós os protegemos": lema que transita silencioso na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

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