quinta-feira, 2 de julho de 2020

A conta do Centrão para manter Bolsonaro no cargo!

A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.
Jô Soares
Apoio total e irrestrito à negociação com o Centrão mesmo sabendo de sua má fama 
Para o deputado federal bolsonarista e amestrador de gado, Bibo Nunes, em entrevista concedida ontem (2/7) à TV Meio Norte, de Teresina (PI), seria lorota que o governo esteja negociando com o Centrão, bancada que, na realidade, segundo ele, nem existe, e também não existe este negócio de toma-lá-dá-cá, que tantos falam. Para Bibo, o que existe, de fato, é o governo precisando de apoio e isto é normal.

“Quer apoiar o Brasil? Toma lá um cargo para ajudar a construir o Brasil. O que vai ganhar em troca? Nada.”, justificou assim o deputado a entrega de cargos públicos ao Centrão pelo Governo de Jair Bolsonaro.

Quanto à inexistência do Centrão, Bibo Nunes assim se pronunciou: “Eu nunca vi uma bancada do Centrão. Nunca um deputado se apresentou para mim como deputado do Centrão.”

A quem, afinal, este canalha quer enganar?

Na verdade, Bibo Nunes, como pilantra de carteirinha, sabe que apenas o gado vai ecoar suas mentiras, mas ele já está acostumado com isto há uma década, como apresentador de seu famigerado programa Bibo Nunes Show, que sempre foi apenas um show de sensacionalismo barato, para telespectadores idiotizados como os fanáticos bolsonaristas, o que torna fácil para ele agora tentar convencer os catequizados que o toma-lá-dá-cá com o Centrão é apenas uma estratégia de governo.
Todo gaúcho conhece o episódio em que o mentalista Kardini, figurinha carimbada no Bibo Nunes Show, interrompeu uma briga no estúdio apenas com o poder da mente. Tudo forjado, óbvio, o que dá para ter uma ideia de como Bibo subestima a inteligência da população. (João Filho - jornalista).

Alguém já viu um desses partidos ditos "aliados" sugerirem ao presidente alguma ação na área de educação, saúde, segurança pública ou outra área qualquer? Claro que não! O que esta turma quer é apenas cargos, mas não de acordo com a lorota do deputado Bibo Nunes de que os partidos não esperam nada em troca. Pelo contrário, eles querem tudo e mais um pouco.

Se nada quisessem, por que, então exigiram o cargo de presidente do FNDE  - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, com orçamento anual superior a R$ 50 bilhões e não exigiram o cargo de ministro da Educação, que está vago?

Foi nomeado para o cargo no FNDE, no dia 1º de junho, o chefe de Gabinete do senador Ciro Nogueira (Progressistas - PI), Marcelo Lopes da Ponte. Precisa de "homem de confiança" [pessoa indicada para conseguir dinheiro para o Partido] mais do que este?

Antes que alguém diga que é mentira que os partidos usam os cargos para corrupção, vejam os demais cargos de destaque dados ao Centrão:


  • ITI (Instituto Nacional de Tecnologia e Informação): diretor-presidente (PSD) e diretor de infraestrutura de Chaves Públicas (PSD);
  • Funasa (Fundação Nacional de Saúde): presidente (PSD);
  • Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional): chefe de gabinete (MDB);
  • Ancine (Agência Nacional do Cinema): chefe do Escritório Sede de Brasília (PL);
  • ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres): cargo comissionado técnico (PL);
  • Ministério do Desenvolvimento Regional: secretário nacional de mobilidade (PP). Na Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano, o chefe (PSD) e o coordenador-geral de Gestão Integrada (PSL);
  • Eletrobras: presidente (MDB);
  • Itaipu: 3 conselheiros (DEM, MDB e “Gabinete do Ódio”);
  • DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas ): diretor-geral (PP).
Veja no levantamento abaixo que a maioria da roubalheira vem de políticos das Regiões Norte e Nordeste do Brasil e, absurdamente, dos Estados mais pobres. E ainda tem gente apoiando o acordo entre o Governo e as organizações criminosas ligadas ao Centrão!
Agora somos bombardeados com notícias vindas de Brasília dando conta de que o indicado de Bolsonaro para chefiar a Procuradoria-Geral da República (PGR), Augusto Aras, está em guerra declarada contra a Lava Jato e contra o ex-juiz Sérgio Moro, que ganhou destaque merecido como possível candidato à Presidência da República em 2022.

Na coleira do presidente - já que o Augusto tinha dono e teve de ser devolvido -, Aras, que não tem o apoio da maioria dos membros do MPF, passou a atacar membros da instituição, como forma de desmoralizar o combate à corrupção e assim, proteger Bolsonaro e os membros de sua Organização Criminosa, em retribuição por ter sido escolhido para o cargo de PGR fora da lista tríplice dos eleitos pelos procuradores, mas que vendeu sua alma - se ainda a tinha -, em troca de status e sei lá mais o que!



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