Há muito tempo deixei de idolatrar qualquer coisa ou pessoa, parei de acreditar na política corrupta, não permito que me comprem a preço algum, jamais permitirei que me manipulem, pois eu tenho a capacidade de saber e distinguir tudo aquilo que me agrada ou não.Rosângela Aparecida Ribeiro
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| Jair Bolsonaro em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados em Brasília |
- Segundo
o capitão, ele e Cruz falam-se frequentemente ao telefone e o capitão espera
que o general promova um encontro com Figueiredo, talvez no próximo mês. O
Plano Beco sem Saída foi confirmado também por um oficial, que não integra a EsAO.
Ainda segundo
a repórter, a Operação Beco sem Saída teria sido confirmada por outro oficial
que não pertencia aos quadros da EsAO, sem citar seu nome.
Vamos
ao fechamento da reportagem de Veja:
- Na
quinta-feira, num contato telefônico com Bolsonaro, perguntei se o anúncio do
presidente cancelava a operação Beco sem Saída. ‘O pessoal está pensando em
esperar até novembro para ver o que acontece’, explicou o capitão. ‘Mas se
esperarem muito acabará não fazendo nada’. Nesse telefonema, Bolsonaro
esclareceu: ‘Eu estou fora disso’.
E
reafirmou: ‘São apenas algumas espoletas. Não íamos fazer isto correndo o risco
de perder uma parte de nossos corpos’.
- Sobre
o capitão Luiz Fernando Walter de Almeida, que tomou a Prefeitura de Apucarana,
Bolsonaro contou ter estudado com ele. ‘A tropa que o acompanhou no protesto
não é ingênua’. ‘Eles sabiam onde estavam indo’. Nervoso, Bolsonaro
advertiu-me, mais uma vez, para não publicar nada sobre a nossas conversas.
‘Você sabe em que terreno está entrando, não sabe?”. Teria perguntado
Bolsonaro, segundo Cássia Maria. E ela afirma na reportagem ter respondido: “Você
não pode esquecer que eu sou uma profissional".
A
justificativa dada por Veja para a
divulgação da reportagem era que, mesmo tendo um acordo de sigilo com as
fontes, não poderia deixar aquilo encoberto pela gravidade dos fatos.
A
pendenga envolvendo os capitães Jair Messias Bolsonaro e Fábio Passos da Silva
(Xerife) teria continuidade, tanto nos meios militares e jurídicos, quanto na
imprensa, já que o Jornal do Brasil, que havia contratado a demitida repórter
de Veja, Cássia Maria, dava
continuidade à cobertura do caso.
Entretanto,
o que, de fato motivou o pedido de condenação de Jair Bolsonaro pelo Conselho
de Justificação – não aceito pelo STM -, foi explicado em entrevista dada pelo
capitão-vereador em ampla reportagem do Jornal do Commércio, publicada no dia 5
de agosto de 1990:
- Eu
enfrentei um processo por oito meses e um Conselho que o ministro Leônidas
escolheu. Aliás, uma coisa que eu pretendo é que as indicações para os
Conselhos [de Justificação] sejam feitos por sorteio e não por escolha. Aquele
grupo, no meu entender, recebeu a missão de me colocar para fora. Eu era
discriminado por todos e sofria muito. Alguns colegas se afastaram por medo, já
que a vigilância sobre mim era constante.
Um dia depois de iniciar
a circulação de Veja com a denúncia
da intitulada “Operação Beco sem Saída”, o Centro de Comunicação Social do
Exército informou que a EsAO iria proceder à apuração das denúncias da revista.
Assim, os capitães Jair Bolsonaro e
Fábio Passos foram ouvidos no Comando Militar do Leste, que descartaria,
posteriormente, em nota oficial, levar em consideração a reportagem divulgada pela
revista.
26 out. 87: Telex – Ao tomar conhecimento da reportagem da revista “Veja” n.º 999, de 28 de outubro de 87, nas páginas 40 e 41, o nominado declarou ao coronel Adilson Garcia do Amaral, eu considerava uma fantasia a matéria publicada. O referido oficial declara que conhece a repórter Cássia, tendo-a visto algumas vezes na Vila Militar/RJ, sendo por ela abordado somente uma vez, ocasião em que orientou que a mesma procurasse o general comandante da EsAO e o entrevistasse a respeito dos oficiais. Nega qualquer participação em reunião na casa do capitão Fábio com a repórter Cássia. Acredita que o real objetivo da matéria publicada, seja de procurar vender a revista “doa a quem doer”. Desconhece qualquer grupo de movimento por aumento salarial, supostamente existente na escola. (Fonte: Relatório Confidencial do Exército)
O tenente-coronel-oficial de Relações
Públicas do Comando Militar do Leste, Luiz Cesário da Silveira Filho, fez
distribuir à imprensa, às 20h30, no 8.º andar do prédio do antigo Ministério da
Guerra, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro uma nota que tinha um tom
taxativo:
s
Sem dúvida alguma,
notícias desse teor servem para intranquilizar a opinião pública e procuram
retratar um quadro que, absolutamente inexiste no âmbito do Comando Militar do
Leste, que se encontra voltado para suas atividades profissionais e ao exato
cumprimento de seus deveres constitucionais.
A nota afirmava ainda
que no sábado, dia 24, quando a revista ainda circulava apenas entre
assinantes, os capitães Jair Messias Bolsonaro e Fábio Passos da Silva haviam
sido chamados pelo subcomandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais para
prestarem declarações sobre o que teriam dado à repórter daquela revista,
Cássia Maria, completando a informação com os depoimentos dos capitães Fábio...
- A repórter afirma que
esteve em minha residência, situada à Avenida Duque de Caxias, 865, apto 101, e
que esteve circulando em um dos quartos. Nego, veementemente, o teor da
reportagem, bem como nego que a conheço pessoalmente. Afirmo que a mesma nunca
esteve em minha residência. Considero tal reportagem e as declarações nela
contidas como obra de ficção, declarou o capitão Fábio Passos da Silva.
...e Bolsonaro:
- Ao tomar conhecimento
da referida reportagem e após ler a matéria acima respondo o seguinte: considero
uma fantasia o publicado. Já vi a repórter Cássia algumas vezes na Vila
Militar, sendo que uma vez abordado por ela, mandei que procurasse o general
comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais para providências, ou
melhor, entrevistá-lo a respeito dos oficiais. Nego ter recebido ou participado
de reunião na casa do capitão Fábio com a repórter Cássia, foi categórico o
capitão Jair Bolsonaro.
Entretanto, a nota só
trazia trechos do que os oficiais afirmaram e a omissão da declaração completa
serviu de pretexto para que Veja voltasse ao assunto em sua edição posterior,
com a desculpa de que Bolsonaro teria mentido ao dizer que não havia estado com
a repórter Cássia Maria.
Como dissera o chefe da
Sucursal do Rio de Janeiro de Veja, o
jornalista Alessandro Porro, a revista não retirava nem uma vírgula do que
havia publicado e que, na próxima edição daria resposta à nota da EsAO.


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