Se o mundo todo fosse feito de ouro os homens se matariam por punhados de lama
HASSIM HAKIM AL-HALLAJ
Embora
o garimpo possa ser uma prática lícita, se autorizada pelos órgãos responsáveis,
Jair Bolsonaro, em 1983, foi submetido a um Conselho de Justificação,[1] porque saiu de férias e,
na companhia de três tenentes e dois sargentos – dois militares sob o seu
comando - foi garimpar na cidade de Saúde, próximo de Jacobina, na Bahia.
Durante a Sindicância, Bolsonaro confirmou toda a história,
mas disse que não teve lucro e classificou a atividade como "hobby ou
higiene mental".
O coronel Carlos Alfredo Pellegrino, superior de Bolsonaro,
também foi ouvido pelo Conselho de Justificação e disse que tentou demovê-lo da
ideia de ir garimpar, mas conheceu "pela primeira vez sua grande aspiração
em poder desfrutar das comodidades que uma fortuna pudesse proporcionar".
O coronel Pellegrino também disse ao Conselho de Justificação
que tão logo Bolsonaro regressou da aventura garimpeira, o teria procurado para
se justificar por ter ido e não ter seguido seus conselhos. Mas, para ele,
Bolsonaro teria "confirmado sua ambição de buscar por outros meios a
oportunidade de realizar sua aspiração de ser um homem rico".
Em
1983, a Diretoria de Cadastro e Avaliação do Ministério do Exército assentou em
“Ficha de Informações” do então tenente Jair Bolsonaro, que este havia dado “mostras
de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de garimpo de ouro”. E mais: “Necessitava
ser colocado em funções que exijam esforço e dedicação, a fim de reorientar sua
carreira. Deu demonstrações de excessiva ambição em realizar-se financeira e
economicamente”.
Em sua decisão final, o Conselho de Justificação concordou
com o escrito em sua ficha e acrescentou que "A imaturidade é de um
profissional que deveria estar dedicado ao seu aprimoramento militar, através
do adestramento, leitura e estudos, e não aventurar-se em conseguir riquezas".
No dia 12 de abril de 2018, na cidade de Boa Vista,
durante pré-campanha que fazia na capital de Roraima, o deputado Jair Bolsonaro
defendeu a exploração de terras indígenas e foi aplaudido. Ele chamou as
reservas - terras da União destinadas aos índios -, de “política separatista”.
- Por que, no Brasil, o nosso índio tem que ficar
confinado num pedaço de terra? Aquele pedaço de terra é dele? É. Alguém quer
tomar? Não. Mas ele tem que ter o direito de explorar a sua terra, até mesmo se
quiser vender uma parte dela, que o faça, para o seu bem, para o bem se sua
geração. Não podemos aceitar essa política separatista entre nós, afirmou
Bolsonaro.
Como
já disse Bolsonaro: o garimpo está no sangue. E, sabendo disso, garimpeiros,
que ainda sonham em retomar a exploração de ouro em Serra Pelada, encaminharam a
ele, em julho de 2018, um abaixo-assinado com mais de 500 assinaturas pedindo
seu apoio para o almejado retorno às atividades de lavra, por acreditarem que
ainda podem explorar o ouro de Serra Pelada.
Como pode ser visto, Bolsonaro não mudou em nada nos últimos quase 40 anos; ele continua querendo destruir a Amazônia para repartir as terras com grileiros e garimpeiros.
Jair
Bolsonaro já afirmou, em outras oportunidades, ser a favor da liberação da
extração de riquezas minerais por parte de brasileiros:
- O
que seria do Brasil sem os bandeirantes que exploraram os diamantes? Teríamos
um terço do território atual se não fossem eles. É preciso parar de tratar o
garimpeiro como bandido no Brasil.
[1] O Conselho de
Justificação é processo especial instaurado nas Forças Armadas, com a
finalidade de julgar “da incapacidade do oficial para permanecer na ativa”,
permitindo-lhe também “condições para se justificar”. Preponderantemente
previsto para o Oficial de carreira do serviço ativo, é também cabível para o
oficial da reserva remunerada ou reformado.

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