O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior.Platão [427 a.C.-347 a.C.] filósofo grego da Antiguidade
(Continuação) Mas o
ministro do Exército não queria um Conselho de Justificação qualquer; ele
queria colocar para fora das fileiras da Arma o capitão Bolsonaro, que tanto o atacava
da tribuna da Câmara dos Deputados, por conta dos baixos salários dos
militares. Para isso, mandou que toda a vida do capitão fosse vasculhada.
Ainda
no dia 18 de novembro, o serviço de Inteligência pedia à Academia Militar das
Agulhas Negras informações sobre fatos pregressos praticados pelo capitão
Bolsonaro: “Solicita informar o que consta sobre o envolvimento do nominado, no
ano de 1983, com relação a transações no garimpo de ouro”.
Como
Bolsonaro já havia respondido por este caso e justificado não ter obtido
qualquer lucro com a aventura feita, em período de férias, ao garimpo referido,
o que também foi confirmado por seus companheiros de aventura, a Aman informou
nada haver a este respeito até aquele momento.
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Além de determinar a
criação do Conselho de Justificação, o ministro do Exército, general Leônidas
Pires Gonçalves, ainda fez publicar um editorial intitulado “Caserna, lugar de
honra” no “Noticiário do Exército”, através do qual, de forma velada,
considerava os dois capitães indignos do oficialato, ao condenar a mentira como
um vírus maligno que corrói a camaradagem. E o editorial batia firme no capitão
Bolsonaro, como neste trecho:
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Quem não tem coragem para assumir as responsabilidades pelos atos que praticou e falseia a verdade para fugir a este dever dá abominável exemplo e demonstra, de modo inequívoco, que não está à altura dos valores que são a marca, a força e o orgulho de nossa profissão.
Durante
entrevista à imprensa, confirmou sua posição, o que era, na verdade, uma
condenação prévia, indicando ao Conselho de Justificação, o resultado que ele
esperava de sua investigação dos fatos. “A Veja
estava certa e o ministro errado. Lamentavelmente, tenho que dizer aos
senhores: quem pensa que está sempre certo, talvez seja a Veja. Eu reconheço que estava errado”, disse.
O
Conselho de Justificação responsável pelo caso do capitão Bolsonaro foi
instalado no dia 8 de dezembro e era composto pelo coronel Marcos Bechara
Couto, presidente, e pelos tenentes-coronéis Nilton Correa Lampert, interrogante
e relator, e Carlos José do Couto Barroso, escrivão.
Com a
instalação do Conselho de Justificação, nomeados no dia anterior, através de
Portaria Reservada do Ministério do Exército, era formalizada a acusação de
“conduta irregular, ter praticado atos que afetam a honra pessoal, o pundonor
militar e o decoro da classe”.
O
Conselho ouviu o capitão Jair Bolsonaro diversas vezes, quando a negativa sobre
a autoria do planejamento de atentados a bomba foi mantida. O Conselho também
ouviu jornalistas e o editor de Veja,
oficiais do Exército que eram vizinhos de Bolsonaro, as esposas de alguns
deles, incluindo Rogéria, mulher do capitão Jair Bolsonaro e Lígia, esposa do
capitão Fábio Passos. O Conselho também ouviu generais – entre eles o general
Newton Cruz.
Desde
o dia 28 de dezembro de 1987, a repórter Cássia Maria Rodrigues, que havia sido
despedida, estava com escolta de três militares, 24 horas por dia, pois seu
advogado, Márcio Donnicci, peticionou junto ao Conselho de Justificação,
alegando que ela havia sido ameaçada de morte pelo capitão Jair Bolsonaro,
justificando que Cássia Maria aguardava na antessala do coronel Marcos Bechara,
que presidia o Conselho de Justificação, quando o capitão Bolsonaro lhe fizera
um gesto com as mãos “como se estivesse disparando um revólver contra a
jornalista”. (gesto característico de Bolsonaro até hoje).



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