sexta-feira, 24 de julho de 2020

Operação Beco Sem Saída: triste capítulo da história do Exército Brasileiro protagonizado por Jair Bolsonaro (5)

O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior.
Platão [427 a.C.-347 a.C.] filósofo grego da Antiguidade
(Continuação) Mas o ministro do Exército não queria um Conselho de Justificação qualquer; ele queria colocar para fora das fileiras da Arma o capitão Bolsonaro, que tanto o atacava da tribuna da Câmara dos Deputados, por conta dos baixos salários dos militares. Para isso, mandou que toda a vida do capitão fosse vasculhada.
Ainda no dia 18 de novembro, o serviço de Inteligência pedia à Academia Militar das Agulhas Negras informações sobre fatos pregressos praticados pelo capitão Bolsonaro: “Solicita informar o que consta sobre o envolvimento do nominado, no ano de 1983, com relação a transações no garimpo de ouro”.
Como Bolsonaro já havia respondido por este caso e justificado não ter obtido qualquer lucro com a aventura feita, em período de férias, ao garimpo referido, o que também foi confirmado por seus companheiros de aventura, a Aman informou nada haver a este respeito até aquele momento.
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Além de determinar a criação do Conselho de Justificação, o ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, ainda fez publicar um editorial intitulado “Caserna, lugar de honra” no “Noticiário do Exército”, através do qual, de forma velada, considerava os dois capitães indignos do oficialato, ao condenar a mentira como um vírus maligno que corrói a camaradagem. E o editorial batia firme no capitão Bolsonaro, como neste trecho:
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Quem não tem coragem para assumir as responsabilidades pelos atos que praticou e falseia a verdade para fugir a este dever dá abominável exemplo e demonstra, de modo inequívoco, que não está à altura dos valores que são a marca, a força e o orgulho de nossa profissão.
Durante entrevista à imprensa, confirmou sua posição, o que era, na verdade, uma condenação prévia, indicando ao Conselho de Justificação, o resultado que ele esperava de sua investigação dos fatos. “A Veja estava certa e o ministro errado. Lamentavelmente, tenho que dizer aos senhores: quem pensa que está sempre certo, talvez seja a Veja. Eu reconheço que estava errado”, disse.
O Conselho de Justificação responsável pelo caso do capitão Bolsonaro foi instalado no dia 8 de dezembro e era composto pelo coronel Marcos Bechara Couto, presidente, e pelos tenentes-coronéis Nilton Correa Lampert, interrogante e relator, e Carlos José do Couto Barroso, escrivão.
Com a instalação do Conselho de Justificação, nomeados no dia anterior, através de Portaria Reservada do Ministério do Exército, era formalizada a acusação de “conduta irregular, ter praticado atos que afetam a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe”.
O Conselho ouviu o capitão Jair Bolsonaro diversas vezes, quando a negativa sobre a autoria do planejamento de atentados a bomba foi mantida. O Conselho também ouviu jornalistas e o editor de Veja, oficiais do Exército que eram vizinhos de Bolsonaro, as esposas de alguns deles, incluindo Rogéria, mulher do capitão Jair Bolsonaro e Lígia, esposa do capitão Fábio Passos. O Conselho também ouviu generais – entre eles o general Newton Cruz.
Desde o dia 28 de dezembro de 1987, a repórter Cássia Maria Rodrigues, que havia sido despedida, estava com escolta de três militares, 24 horas por dia, pois seu advogado, Márcio Donnicci, peticionou junto ao Conselho de Justificação, alegando que ela havia sido ameaçada de morte pelo capitão Jair Bolsonaro, justificando que Cássia Maria aguardava na antessala do coronel Marcos Bechara, que presidia o Conselho de Justificação, quando o capitão Bolsonaro lhe fizera um gesto com as mãos “como se estivesse disparando um revólver contra a jornalista”. (gesto característico de Bolsonaro até hoje).

Mas, Cássia Maria, acrescentou que, diante deste gesto, ela teria perguntado a Bolsonaro se era uma ameaça de morte e que ele lhe respondeu que não, mas que ela “poderia se dar mal se continuasse com aquela história”. (Continua amanhã).


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