segunda-feira, 6 de julho de 2020

Conheça o novo conselheiro político de Jair Bolsonaro

Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis.
Benjamin Disraeli [1804-1881] político e escritor britânico

Uma boa parcela dos votos recebidos pelo deputado federal Jair Bolsonaro em 2018, tendo sido um fator preponderante para a sua eleição à Presidência da República, veio das pessoas que acreditaram em sua promessa de combater a corrupção e nunca se aliar a corruptos, com a famigerada prática do toma-lá-dá-cá, que tantos males tem feito ao Brasil e, especialmente, nos governos do PR/MDB.

Mas, como todos sabem, Bolsonaro, depois de fazer todas as besteiras possíveis, de se ver encurralado com a possibilidade de ser submetido a um processo de Impeachment e de seus filhos envolvidos em corrupção e outros crimes, abandonou suas promessas e caiu nos braços do Centrão, formado pela escória da política nacional.

E, absurdamente, um dos líderes do Centrão que desponta como conselheiro político do presidente da República é nada mais, nada menos, do que um dos maiores corruptos do país, o ex-prefeito de SP e ex-ministro do governo Dilma, Gilberto Kassab. Veja, a seguir, trecho do meu livro "Nome aos bois: as falcatruas da JBS", lançado em março de 2018, onde relato o envolvimento deste pestilento senhor com a cobrança de propina.



No dia 4 de maio de 2017, o CEO da J&F, Wesley Mendonça Batista, afirmou, no seu termo de depoimento nº 5, que quando a JBS comprou o grupo frigorífico Bertin, a companhia herdou um contrato com Gilberto Kassab – ministro das Comunicações do governo de Michel Temer − de aluguel de caminhões para transporte de contêineres.
Esclareceu que, na realidade, eram dois contratos, sendo um legítimo, referente ao aluguel dos caminhões, e outro ilegítimo, referente à prestação de serviços de consultoria que nunca foram prestados. 
Quando a JBS comprou o frigorífico Bertin, Wesley Batista disse que foi avisado por Natalino Bertin, um dos donos do Bertin, da existência desses contratos, e que foi procurado pelo próprio Kassab − nessa época ele era prefeito de São Paulo −, que teria dito: “Olha, tenho um contrato com o Bertin, desses caminhões, tem outro contrato dessa assessoria que é um ‘overprice’ [sobrepreço] desses caminhões e gostaria que vocês mantivessem, continuassem. Eu conto com isso aí”. 
Wesley Batista afirmou que, no período de janeiro de 2010 a janeiro de 2017 – quando os dois contratos foram rescindidos −, a JBS pagou a Gilberto Kassab a quantia de R$ 350 mil por mês.
Questionado por que continuou pagando, Wesley Batista foi pragmático em sua resposta aos procuradores da República:
“Por que pagávamos? Porque o Kassab foi ministro por algumas vezes, era uma pessoa que nós considerávamos de alguma influência, tinha sido prefeito, em algum momento poderia ser governador, vice-governador ou ministro de novo, como é hoje. 
Embora houvesse apenas a expectativa de algum benefício futuro, conforme depoimento de Wesley Batista, os pagamentos mensais feitos a Gilberto Kassab totalizaram absurdos R$ 29,75 milhões em propina, sem contar o que já havia sido pago, anteriormente, pelo grupo Bertin. 
Ainda de acordo com Wesley Batista, os pagamentos eram feitos a uma empresa da família de Kassab, a Yape Assessoria, Consultoria e Debates Ltda., da qual Kassab foi sócio entre os anos de 1994 e 2014, que emitia notas fiscais frias, já que não havia qualquer contrapartida.
O que mais me causa espanto, nem é ver Bolsonaro metido com esta gente, porque ele nunca me enganou; o que me assusta é ver tanta gente que dizia apoiar o combate à corrupção, mudar de lado porque acha que o que vem de Bolsonaro está sempre certo, até roubar os cofres da Nação.


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