A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.
Nelson Mandela [1918-2013] Prêmio Nobel da Paz de 1993
Definitivamente, a educação não parece constituir prioridade para o Governo brasileiro. Em dezenove meses de mandato, o atual mandatário do país já trocou três ministros da Educação. Não por causa de controvérsias em relação à forma de gerenciar a pasta ou por ciúme da popularidade do subordinado - como aconteceu os dois ministros da Saúde -, mas por ter nomeado pessoas totalmente incompatíveis com o cargo: Ricardo Vélez Rodriguez (98 dias), Abraham Weintraub (1 ano e 11 dias) e, acreditem, até o ministro que não chegou a ser empossado, Carlos Decotelli (0 dias).
O colombiano Ricardo Vélez Rodriguez durou pouco, mas conseguiu polemizar para um ano inteiro: defendeu que não teria havido uma Revolução em 1964 no Brasil, mas uma mera "mudança de tipo institucional" e que, ao invés de ser uma ditadura, o regime era "democrático de força". Claro, isso agradava ao chefe supremo, mas desagradava a muita gente que conhece a verdade dos anos de chumbo.
Vélez Rodrigues também criou polêmica ao defender a volta da Educação Moral e Cívica; a suspensão, por dois anos, da avaliação do ensino de Alfabetização; o pedido às escolas para que executassem o Hino Nacional, gravassem e lessem uma carta sua, que continha o slogan da Campanha de Jair Bolsonaro; mudança em edital do MEC suprimindo o trecho que exigia que o livro didático estivesse isento de erro e permitia a inclusão de publicidade.
Se não bastasse, Vélez Rodriguez, ao propor reforma do Ensino Médio, afirmou que "Universidade para todos" não existia e que as Universidades deveriam ficar reservadas para a elite intelectual, chegando a propor o enxugamento do Fies, como contribuição ao saneamento das contas públicas.
Ufa!
Vélez foi embora, dando lugar ao economista e professor da Unifesp, Abraham Weintraub. O novo ministro que, infelizmente, durou muito tempo no cargo, não é daqueles que se dedicaram a estudar a língua pátria e, vira e mexe, lá estava ele redigindo ofícios com o uso de palavras escritas com flagrantes erros gramaticais e ortográficos. Após críticas, Weintraub respondeu "erros existem" e fim de papo!
Mas não era somente isto...
O ex-ministro Weintraub, como uma de suas primeiras medidas à frente do MEC, foi contingenciar verbas das Universidades Federais, acusando-as de promoverem balbúrdia e que se usava de instalações das instituições para plantio e venda de maconha e outras drogas.
Acrescente-se a isto: depois do governo propor, através de Medida Provisória que fosse implantada a carteira de estudante digital, ele foi ao Twitter dizer que aquilo iria acabar com a mamata da UNE. A MP caducou! O ministro também tuitou que os franceses elegeram um presidente "sem caráter" e que Emannuel Macron era "apenas um calhorda oportunista buscando apoio do lobby agrícola francês; fez ataques racistas à China e dizendo que aquele país tinha criado o vírus da Covid-19 com o objetivo de dominar o mundo; na famosa e criminosa reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020, declarou que odiava a expressão "povos indígenas"; e, na mesma reunião, ele fez ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal, chamando-os de vagabundos e propondo a prisão dos mesmos.
Bom, por essas e outras, Weintraub teve de sair fugido para os Estados Unidos, onde está aguardando se vai ou não ser admitido como diretor do Banco Mundial. Até lá, continua no Twitter escrevendo besteiras todos os dias e se complicando ainda mais:
Por fim, Ônix Lorenzzoni, Abraham Weintraub e ministros militares apoiaram a indicação do economista e professor Carlos Decotelli para o Ministério da Educação, embora Weintraub tenha sido que o demitiu da chefia do FNDE por acusações de irregularidades.
Mas, infelizmente, a postura da sociedade em relação ao racismo, com protestos mundo afora contra esta prática, levou o Governo a escolhê-lo, pois um negro, pela primeira vez à frente do Ministério da Educação seria a prova, mais que cabal, que Bolsonaro não é racista. Além disso, o cara tinha Pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, Doutorado na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, Mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Graduação, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Em seu currículo, também foi divulgado que o quase ministro seria professor da FGV.
Mas, infelizmente, a postura da sociedade em relação ao racismo, com protestos mundo afora contra esta prática, levou o Governo a escolhê-lo, pois um negro, pela primeira vez à frente do Ministério da Educação seria a prova, mais que cabal, que Bolsonaro não é racista. Além disso, o cara tinha Pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, Doutorado na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, Mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Graduação, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Em seu currículo, também foi divulgado que o quase ministro seria professor da FGV.
Um a um, tais títulos foram sendo descobertos como pontos brancos na imagem de Decotteli: ele não tinha Doutorado e, por consequência, também não tinha Pós-doutorado; foi acusado de ter plagiado sua Dissertação de Mestrado e a Graduação, cujo curso teria sido concluído em 1981, só foi efetivada em 2004, deixando uma imensa suspeita sobre o já ex-ministro, que não chegou a sê-lo, por fraude curricular.
Agora, tire as suas conclusões: este atual Governo algum dia pensou na Educação ou Bolsonaro continua agarrado nos tempos em que ele iludia seus seguidores de redes sociais com aquela história de "kit gay" que nunca existiu?
Este é um Governo Fake!
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